domingo, 7 de junho de 2026

SOBRE O COMANDO DA ESPERANÇA EM TOUROS E MAXARANGUAPE EM 1962 (PARTE I)

 

         O Comando da Esperança foi uma ação do governo do Estado do Rio Grande do Norte pelo governador Aluízio Alves, tendo como coordenador Geraldo Melo, o qual viria a ser igualmente governador em 1986.

         O objetivo do programa era realizar ações emergenciais em municípios cuja situação socioeconômica beiravam ao colapso, como foi o caso dos municípios de Touros e Maxaranguape, que foram os municípios pilotos do programa.

A situação de Touros

Conforme a Tribuna do Norte com uma população que vivia da pesca, pela pesca e para a pesca, Touros havia parado no tempo e no espaço. [1]

A cidade tinha três ruas principais e alguns aglomerados de casas de barro onde viviam cerca de dois mil habitantes em condições sub-humanas de existência.

A última presença do governo estadual na cidade foi em 1927; o então Governador José Augusto Bezerra de Medeiros construiu um grupo escolar que em 1962 estava em ruínas.

Desde 1927, os pescadores de Touros só receberam visitas de autoridades e candidatos a autoridades nas épocas de eleições. E, desde então, viviam de promessas e esperanças.

Em março de 1962, no entanto, as esperanças da população estavam se transformando em realidade, com a instalação do programa do Comando da Esperança, do Conselho Estadual de Desenvolvimento-CED.

Após um levantamento completo da região, jovens sob a direção de Geraldo José de Melo, diretor do CED, atacaram as obras e estavam realizando-as "com a cara e a coragem", segundo o jornal Tribuna do Norte. [2]

De quatro horas da madrugada até sete da noite, trabalhavam sem parar, construindo estradas, furando poços artesianos, abrindo valas para o saneamento, reconstruindo grupos escolares e, principalmente, dando um novo sentido de vida aos pescadores de Touros, a cidade abandonada.

A situação de Maxaranguape

O mesmo fenômeno atingiu a cidade de Maxaranguape, que era ainda menor do que Touros. Em Maxaranguape havia 800 habitantes que viviam, praticamente, da pesca.

Duas ruas formavam o quadro urbano. A semelhança de Touros, seus habitantes raramente viam dinheiro. A economia funcionava quase exclusivamente na base do escambo, da troca de gêneros alimentícios. E, como Touros, não tinha o menor vestígio de presença do governo estadual. Sua rede escolar era a pior possível, não havia postos de saúde, água só em cacimbas e as estradas carroçáveis só funcionavam no verão.

Enquanto em Touros havia juiz, promotor, padre e delegado, Maxaranguape nada disso tinha. E, como o juiz, o promotor, e o padre de Touros moravam fora da cidade, os dois municípios ficavam sem qualquer assistência material ou espiritual, segundo constava no jornal Tribuna do Norte.[3]

Filosofia de Ação

Foi essa a situação encontrada pelos jovens do Conselho Estadual do Desenvolvimento (média de idade era 25 anos) ao ser instalado o Comando da Esperança nas sedes dos dois municípios.

E era essa também a razão da dedicação e do entusiasmo que guiavam os trabalhos do Comando da Esperança: salvar essa população da miséria, do analfabetismo, da doença. Dar um novo sentido de vida e de comunidade aos pescadores que pareciam conformados "com a miséria que Deus nos deu".

Para os jovens comandantes da esperança, a vitória de Aluízio Alves rompeu toda a tradicional estrutura política do Estado, onde o coronelismo imperava, dominando a enxada e comprando o voto.

Foi essa vitória que possibilitou uma experiência revolucionária como o de Touros e Maxaranguape, em que todos os métodos e padrões normais da administração foram postos de lado em favor da execução.

 E eles sabiam que essa era a grande oportunidade de se firmarem como técnicos, fazendo algo pelo Rio Grande do Norte e pelo governo Aluízio Alves. Daí o entusiasmo com que se dedicavam à luta pela libertação de Touros da miséria e do analfabetismo, trabalhando até gratuitamente no mutirão, abrindo fossos ou reconstruindo a estrada.

O Comando da Esperança

Sob a supervisão direta do secretário-executivo da Comissão Estadual de Desenvolvimento, trabalhavam em Touros e Maxaranguape 10 funcionários e técnicos. Três jipes, um trator e uma patrol constituíam a maquinaria pesada da equipe.

De um escritório central, ao lado da igreja de Touros, saiam as ordens para os comandos que trabalham na recuperação das rodovias e para as equipes que executam o saneamento, o abastecimento d'água e a recuperação dos grupos escolares em todo o município.

De acordo com o jornal Tribuna do Norte a ideia do Comando da Esperança partiu do próprio Governador Aluízio Alves, que resolveu encarregar a Comissão Estadual de Desenvolvimento da sua execução.

 Iniciados em meados de fevereiro de 1962 os trabalhos afirmavam seus administradores que antes do prazo fixado pelo Governador Aluízio Alves para 13 de maio de 1962 as obras seriam entregues.

As metas

Até o dia 30 de abril de 1962, esperava o Comando da Esperança entregar as seguintes obras executadas em Touros, nos setores de educação, saúde e transportes:

  1. trabalhos de terraplenagem, alargamento e outro melhoramentos em cerca de 300 quilômetros de estradas;
  2. reparos em sete grupos escolares, conclusão de duas escolas, construção de quatro novos grupos e melhoramentos em quatro outros;
  3. construção de poços tubulares em oito vilas do município e recuperação de quatro já existentes;
  4. saneamento para a cidade de Touros (que segundo o programa seria o mais moderno do Estado, instalado por uma firma de Recife);
  5. instalação de um posto de saúde em Touros;
  6. vendas de máquinas de costura a crédito, já tendo sido iniciado o alistamento dos interessados;
  7. empréstimos até Cr$ 50 mil feitos pelo Banco do Estado do Rio Grande do Norte para pequenos produtores (lavradores) e pescadores.

Em Maxaranguape, estavam previstos melhoramentos em quatro grupos escolares, instalação de um posto de saúde, perfuração de quatro poços tubulares e recuperação e construção de quatro rodovias.

O que foi feito

Das metas acima enunciadas, em abril de 1962 algumas já haviam sido alcançadas totalmente, outras parcialmente, como os reparos nos grupos escolares de Touros, Maxaranguape, Boacica, Maracajaú, Perobas e Coqueiro cujas obras estavam quase prontas.

No setor de estradas, a que ia de Touros a Ceará-Mirim já estava terraplenada e oçarrada numa extensão de 10 km; a estrada Touros-Punaú-Ceará-Mirim já fora terraplenada até Punaú; a de Touros-Cajueiro-Gostoso-Parazinho, fora terraplenada até Gostoso.

Os serviços de saneamento de Touros e Maxaranguape também já haviam sido iniciados e deveriam estar prontos até fins de abril. E um posto de saúde já havia sido instalado em Touros provisoriamente no da Caça e Pesca.

         Na imagem a baixo a construção do coletor geral do saneamento de Touros construído pelo Comando da Esperança.Além da utilidade no campo da saúde pública, embelezou o urbanismo da cidade de Touros.

Diário de Natal,24/09/1962,p.4.

Colorizado por inteligência artificial.

Em 02/03/1962 pela manhã, o Banco do Estado do Rio Grande do Norte-BANDERN, iniciou a concessão de empréstimos para os pescadores e pequenos agricultores locais, para compra de material de trabalho. A importância total dos empréstimos foi de Cr$ 2 milhões, com um teto de Cr$ 50 mil.

    Na imagem abaixo trecho da rodovia Touros-Maxaranguape-Ceará-Mirim, piçarrada e nivelada pelo governo Aluizio Alves através do DER e Comando da Esperança.

                                               Diário de Natal,24/09/1962,p.4.





[1] Tribuna do norte, 03/03/1962, p.1.

[2] Op.Cti.

[3] Op.Cit.

SOBRE O COLÉGIO SANTA ÁGUEDA DE CEARÁ-MIRIM

 

O Colégio Santa Águeda de Ceará Mirim, cuja atuação se devia uma extraordinária promoção da comunidade local, estava sendo beneficiado com importantes obras de ampliação, a serem inauguradas em setembro de 1962, quando também se realizariam as festividades do seu 25º aniversário.

No dia 14 de abril de 1937 quando da administração do sr. Mirabeau Mello, então Prefeito de Ceará Mirim, foi fundado o Colégio Santa Águeda. O grande melhoramento cultural para a cidade dos canaviais, foi concretizado graças a colaboração entre outros do sr. Onofre Soares, que cedeu o palacete de sua residência para instalação do Colégio, tendo colaborado ainda os senhores Vital Correia, João Alves, Sebastião Maia, Jorge Moura, Abel Correia e Manuel Barreto.

O grande artífice da obra educacional, segundo depoimento dos próprios jornais da época, foi sem dúvida, o sr. Mirabeau Mello que despertou o povo para a necessidade de ser instalada uma escola de instrução secundária no município e para isso trabalhou incansavelmente.

Até aquele ano, a cidade de Ceará-Mirim não contava com ginásios, existindo somente 18 escolas de ensino primário, funcionando com boa frequência subvencionadas pelo Estado.

Pela lei n. 105, de 20 de outubro de 1937, o governador do Estado da época, Rafael Fernandes, sancionou a lei que concedia ao Colégio Santa Águeda os favores da lei n. 82 de 10 de dezembro de 1936, que reconhecia o primeiro ano do curso normal em funcionamento.

Os jornais da época, destacando-se "A República", órgão oficial do Estado, eram unânimes em elogiar a gestão do sr. Mirabeau Mello que com ajuda do vigário de Ceará-Mirim, Cônego Celso Cicco, conseguiu a fundação do estabelecimento de ensino que até hoje existe como a prova mais autêntica da vitória de um ideal.

A remodelação

Em 1962 o Ginásio Santa Águeda completaria 25 anos de gloriosa existência. Abrigava a época grande número de alunas distribuídas nos cursos de Jardim de Infância, Primário e Ginasial.

Funcionava ainda no prédio um patronato que prestava assistência a 20 meninas orfãs, além de um curso de datilografia para adultos.

Ordem,14-15/04/1962, p.8.

Colorização por inteligência artificial.

As festividades em regozijo pela passagem das bodas de prata seriam realizadas no mês de setembro de 1962, quando as obras de remodelação estariam concluídas, destacando-se novos refeitórios e dormitórios.

Professores

O corpo docente do educandário era composto de irmãs pertencentes a ordem franciscana de Nossa Senhora do Bom Conselho, tendo, no entanto, alguns professores leigos.

O corpo discente, além do estudo exercia várias atividades que marcham aliadas ao ensino, tais como, assistência social, trabalhos de catequese e, movimentos de Ação Católica, etc.

A madre Maria Beatriz, superiora do Colégio estava empreendendo uma segura orientação à frente do ginásio sendo bastante estimada pelas alunas.

Sintese

É esta a história de um ginásio que nasceu graças a abnegação do prefeito Mirabeau Mello, que pelo seu profícuo trabalho à frente da municipalidade de Ceará-Mirim ainda hoje é estimado por quantos habitam esta progressista cidade do Estado.

A extraordinária promoção da comunidade local

O jornal A Ordem destacava em 1962 o impacto profundo da escola, cuja atuação gerou uma "extraordinária promoção da comunidade local". Sob a direção das Irmãs Franciscanas do Bom Conselho, o Colégio Santa Águeda não era apenas um prédio escolar; ele mudou a dinâmica social do Vale do Ceará-Mirim.

O colégio oferecia educação de excelência (inicialmente voltada para o internato e externato feminino) e formação normalista, preparando as jovens da região para se tornarem professoras. Isso elevou drasticamente o nível educacional e cultural do município.

O colégio estava "sendo beneficiado com importantes obras de ampliação". Na virada dos anos 1950 para os anos 1960, a demanda por matrículas era tão alta — atraindo estudantes de várias cidades vizinhas e até de outros estados — que a estrutura original de 1937 precisou ser expandida para abrigar novas salas de aula, dormitórios para as internas e laboratórios.

O jubileu de prata do Colégio Santa Águeda em 1962  é o testemunho do auge de uma das instituições de ensino mais respeitadas do Rio Grande do Norte, mostrando como o patrimônio arquitetônico imortalizado na foto combinava-se com uma intensa e reconhecida relevância social na época.

O Palacete de Onofre Soares (1937)

    Na imagem a baixo a restauração colorizada em alta definição baseada no palacete original que serviu de sede inicial para o Colégio Santa Águeda (Colégio de Ceará-Mirim) em 1937, resgatando os detalhes arquitetônicos e a atmosfera da época.

Reconstituição digital  por inteligência aritificial.

A Ordem,14-15/04/1962, p.8.

Como mencionado anteriormente, o colégio começou a funcionar no elegante palacete residencial cedido pelo Sr. Onofre Soares. A imagem colorizada reconstrói a imponência dessa fachada eclética de dois pavimentos, típica dos casarões aristocráticos do Vale do Ceará-Mirim na década de 1930.

Detalhes ornamentais restaurados, exibindo a simetria das janelas e a imponente inscrição clássica "Collegio Santa Agueda" que adornava a parte frontal do edifício.

 O muro baixo lateral com seus pilares decorados e os portões da propriedade, emoldurados pela vegetação e sob a luz natural do dia.

SOBRE A INAUGURAÇÃO DA ESTAÇÃO DE AFONSO BEZERRA

 

SOBRE A INAUGURAÇÃO DA ESTAÇÃO DE AFONSO BEZERRA

De acordo com o Diário de Natal em 16/11/1950 na linha norte da Estrada de Ferro Sampaio Correia, esperava-se entregar ao tráfego, em 30 de novembro, o trecho de 15 km de Pedro Avelino a Afonso Bezerra.[1]

Estavam sendo concretadas as vigas das principais pontes e já estando toda linha assentada e quase concluído o edifício da estação Afonso Bezerra.

Na edição do dia 28/11/1950 o jornal Tribuna do Norte registrou: "Será inaugurada amanhã a estação de Afonso Bezerra, novo ramal da Estrada de Ferro 'Sampaio Correia' no município de Angicos”.[2]

Assim, a estação ferroviária de Afonso Bezerra foi inaugurada em 29/11/1950.


Foto: Enciclopédia dos Muncipios Brasileiros,IBGE, 1958.


Colorização por inteligência artificial.

Ainda segundo o referido jornal, “estendendo a sua linha até aquela localidade, a Estrada vai impulsionar ainda mais a prosperidade econômica e social do distrito que tem o nome de um dos seus ilustres filhos desaparecidos”.[3]

Correriam até Afonso Bezerra três trens semanais de Natal, ás segundas, quartas e sextas.

A iniciativa da construção desse ramal foi de José Augusto Varela, quando deputado federal, apresentou emenda ao Orçamento Federal correspondente a primeira verba.

A Tribuna do Norte congratulava-se com o povo de Afonso Bezerra pelo grande melhoramento.

Este relato da inauguração da estação de Afonso Bezerra é uma relíquia histórica valiosa sobre o desenvolvimento da infraestrutura no interior do Rio Grande do Norte e registra o momento exato em que a modernidade sobre trilhos chega à região, trazendo uma série de detalhes econômicos, políticos e geográficos fundamentais.

Um detalhe crucial no início do texto é a menção de que Afonso Bezerra ainda era um distrito no município de Angicos, o qual somente em outubro de 1953 o distrito foi elevado à categoria de município.

O trem chegou quando a localidade ainda lutava para crescer sob a tutela de Angicos, funcionando como o principal motor para a sua futura emancipação política.

A Tribuna do Norte celebra a expansão da malha ferroviária através desse novo ramal. Na primeira metade do século XX, as ferrovias eram o equivalente às nossas principais rodovias duplicadas de hoje: o único meio viável, rápido e seguro de escoar grandes produções e transportar passageiros pelo interior do Nordeste.

A promessa de três trens semanais de Natal, segundas, quartas e sextas-feiras representava uma revolução na rotina dos moradores, encurtando drasticamente a distância cultural e comercial até a capital do Estado.

A previsão do jornal Tribuna do Norte de que a estrada iria impulsionar ainda mais a prosperidade econômica e social era certeira, posto que a economia local dependia fortemente do algodão, da cera de carnaúba e da oiticica. O trem permitiria que esses produtos chegassem rapidamente aos portos ou centros de distribuição, injetando capital na economia local.

O texto credita a emenda orçamentária federal para o início das obras ao então deputado federal José Augusto Varela (que mais tarde viria a ser governador do Rio Grande do Norte, entre 1947 e 1951). Isso demonstra o peso do "voto de bancada" na infraestrutura da época.

O trecho menciona sutilmente que o distrito trazia "o nome de um dos seus ilustres filhos desaparecidos". Trata-se de uma homenagem a Afonso Bezerra, jovem jornalista, estudante de direito e membro da Congregação Mariana de Natal, que faleceu em 08/03/1930 causando grande comoção a época após grave enfermidade.

A Tribuna do Norte se congratulando com o povo pelo "grande melhoramento" reforça o clima de festa e otimismo que a chegada de uma locomotiva causava no interior do país. Era o símbolo máximo do progresso alcançado.

 

Sobre a estação

As imagens a cima mostram respectivamente a estação de Afonso Bezerra em 1958 e colorizada por meio de inteligência artificial.

O prédio apresenta um belíssimo exemplar da arquitetura ferroviária do Rio Grande do Norte na década de 1950.

O edifício da estação segue as diretrizes tipológicas das construções ferroviárias institucionais da primeira metade do século XX no interior do Nordeste, caracterizando-se por uma sobriedade funcional, mas com marcantes elementos ornamentais.

A fachada principal exibe uma transição discreta para o ecletismo com influência do neocolonial, visível no frontão triangular centralizado e nas platibandas retas nas laterais, que ocultam parcialmente o telhado.

Logo acima do letreiro indicativo com o nome "AFONSO BEZERRA", destaca-se no frontão um relevo geométrico em formato de estrela ou monograma estilizado, elemento muito comum para identificar a administração ferroviária da época (frequentemente associado à Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte, naquele ano transformada em Estrada de Ferro Sampaio Correia).

 As janelas e portas de madeira e vidro em formato retangular verticalizado preservam uma pintura azul-royal vibrante, que contrasta com o tom areia/bege das paredes e o barrado inferior mais escuro, projetado originalmente para camuflar o desgaste causado pela poeira e pelo movimento de passageiros e cargas.

A arquitetura ferroviária é essencialmente pragmática, e cada setor do edifício visível na imagem cumpre um papel claro na logística de transporte.

A grande cobertura em balanço (alpendre) com telhas cerâmicas do tipo canal é sustentada por robustas mãos-francesas de madeira texturizada. Essa estrutura era vital para proteger os passageiros do sol forte do semiárido potiguar e resguardar as mercadorias durante o embarque e desembarque nos dias de chuva.

A plataforma de alvenaria apresenta uma elevação em relação ao leito da via (rampa e cais), calculada milimetricamente para se alinhar ao piso dos vagões de passageiros e de carga, facilitando o fluxo de pessoas e o manuseio de fardos (como o algodão, historicamente o grande motor econômico da região).

Em primeiro plano, embora os trilhos de aço e os dormentes de madeira tenham sido removidos ou cobertos, o contorno do leito ferroviário de terra batida permanece perfeitamente visível, desenhando a icônica curva que margeava a plataforma.

Estado atual

         A estação foi desativada em 1998 quando fechamento do ramal macau-Natal onde desde então passou por estados de abandono que levaram a consequente ruina e quase desaparecimento do edifício.



[1] Diário de Natal,16/11/1950, p.2.

[2] Tribuna do norte,28/11/1950, p.6.

[3] Op. Cit.

sábado, 6 de junho de 2026

SOBRE O MUNICIPIO DE SÃO JOSÉ DE CAMPESTRE EM 1956


O Município de São José de Campestre foi criado na reforma da divisão administrativa de 1938, após memorável luta parlamentar sustentada na Assembleia Legislativa, pelo então deputado Theodorico Bezerra.

De acordo com a propaganda publicada no jornal Tribuna do Norte ”São José de Campestre foi uma das comunas que mais se desenvolveram nestes últimos tempos”.[1]

Encravado na zona seca do Estado, as suas terras eram próprias para o cultivo do algodão, onde a produção veio aumentando gradativamente, de ano para ano. Desta data que o seco ao município tomou de fato, aspecto de grande com as suas largas artérias e construção de mais de 200 casas, comercial e estilo moderno.

Na imagem a baixo aspectos da cidade de São José de Campestre com destaque para a igreja matriz de São José creditada erroneamente pelo correspondente do jornal Tribuna do Norte como catedral.

Tribuna do Norte, 14/03/1956,p.21.

De acordo com a propaganda do jornal Tribuna do Norte esse surto de progresso se deveu, principalmente, as iniciativas do Cel. Lindolfo Dantas, prefeito do município naquele ano de 1956, “incansável defensor dos interesses de sua terra”. Fazendeiro e comerciante de algodão, Cel. Lindolfo se uniu nisto com a colaboração do deputado Theodorico Bezerra, que teve destaque em prol do engrandecimento do município.

Assim é que obras federais vinham sendo realizadas naquele município, graças a influência do representante de Santa Cruz no Parlamento Nacional. O moderno edifício do Grupo Escolar local e o majestoso prédio da maternidade, conforme fotografias que ilustravam a reportagem, atestavam “a operosidade e o zelo do governador da cidade pelo bem-estar coletivo”.

Na imagem a baixo o prédio da maternidade de São José de Campestre em construção.

Tribuna do Norte, 14/03/1956,p.21.


Cooperativa

Instalada em 1950, por iniciativa do deputado Theodorico Bezerra e contando sempre com a orientação técnica do deputado Dantas Guedes, a Cooperativa de Campestre era na verdade um estabelecimento que preenchia as finalidades a que se propuseram esses trabalhadores do progresso e do desenvolvimento daquela região.

O seu Presidente era, desde a fundação, o sr. Lindolfo Damião de Souza, que, “com tirocínio e capacidade de trabalho, vem procurando incrementar o comércio e a riqueza agropastoril de São José do Campestre”.

Como prova de tudo isso, era o bastante lembrar que, com um capital de apenas Cr$ 139 mil cruzeiros, houve um movimento em 1955, de 3 milhões e 300 mil cruzeiros, além dos empréstimos por letras que ascenderam a cifra de 320 mil cruzeiros.

Além das atividades normais de financiamento sob diversas modalidades, e no setor destinado a aquisição de implementos agrícolas e inseticidas para o combate às pragas da lavoura, pretende a administração da Cooperativa, ampliar as suas transações, com um empréstimo pecuário, para compra de bois mansos, destinados ao serviço de tração nos campos do município.

Água, problema cruciante de Campestre

Debatia-se a administração municipal com o mais crescentes de seus problemas, que é o abastecimento d’água, á população citadina.

Desprovida de qualquer fonte d’água potável, a sede do município vinha obtendo o precioso liquido no açude "Trairí", no município de Santa Cruz, distante dali 18 km.

Para esse fim, a Prefeitura adquiriu um caminhão tanque pela importância de 160 mil cruzeiros, que faz o transporte durante todo o dia depositando numa cisterna da Prefeitura toda a água que se destina á distribuição pública aos munícipes, tudo de fôrma gratuita.

Na imagem a baixo pessoas esperando a chegada do caminhão tanque com água.

Tribuna do Norte, 14/03/1956,p.21.

Não fossem as providencias tomadas pelo Prefeito Lindolfo Damião e seus auxiliares, certo era que São José de Campestre, não poderia merecer o título de cidade, nem subsistir as inclemências das secas sertanejas.

Mercado público

Obra de grande vulto orçada em um milhão e 500 mil cruzeiros, erguia-se, no centro da cidade, o majestoso edifício de Mercado Público, cuja inauguração estava prevista para os primeiros meses daquele ano de 1956.

Na imagem a baixo o mercado público de São José de Campestre em construção.

Tribuna do Norte, 14/03/1956,p.21.

O edifício de belo efeito arquitetônico, contaria com todos os requisitos do higienismo moderno, com uma área coberta de 50 por 15 de largura. Para ele, a Prefeitura já comprou a iluminação interna e externa, inclusive na construção de uma cisterna, com capacidade para 320 mil litros d’água.

Com a construção desse moderno edifício para o mercado público, melhora sensivelmente o aspecto da municipalidade, observando-se mesmo um crescimento até certo ponto diferente das outras cidades, onde o processo de desenvolvimento via de regra, é feito com uma certa morosidade.

Economias e finanças

A arrecadação no ano que se expira, até o mês de Novembro foi de Cr$ 690.256,30 esperando-se no mês de Dezembro de 1956 uma entrada para mais de 100 mil cruzeiros.

Não obstante os parcos recursos de que dispõe, mantem o Prefeito Lindolfo Damião o funcionalismo em dia com os seus vencimentos, tendo liquidado também todas os compromissos com o comércio e fornecedores da edilidade.

Educação

No setor educacional, podemos apontar São José de Campestre desfrutando de uma das melhores situações, haja vista o número de escolas municipais que já se elevam a 13 todas em pleno funcionamento e condignamente instalados.

Na imagem a baixo o prédio do Grupo Escolar de São José de Campestre.

Tribuna do Norte, 14/03/1956,p.21.

No Orçamento para 1956, encontrava-se uma verba de 30 mil cruzeiros para construção de prédios escolares, o que demonstrava o interesse do  Prefeito pela instrução e ensino em sua terra.

Amparando o ensino particular, além das escolas do município, a Prefeitura subvencionava ainda 6 escolas particulares, possibilitando ainda bolsas de estudos a rapazes pobres nos colégios 7 de Setembro e de Ceará-Mirim.

Por nós ainda foram feitas fotos dos ótimos prédios escolares rurais, tudo fruto do esforço do dinâmico prefeito Lindolfo Damião de Souza, que vem sabendo honrar o mandato com que o povo de sua terra lhe outorgou.

Linha telefonica

Estava sendo construída a linha que ligaria em definitivo, a rede telefônica, para o que já foram adquiridos os aparelhos e todo material necessário.

Por outro lado, já havia sido pagos 125 mil cruzeiros a Companhia Força e Luz por conta da instalação de luz e força para a cidade.

Desse trabalho a Prefeitura já procedeu a construção dos postes, estando já com a maior parte do material em mãos para a ligação dos aparelhos, o que viria dar um novo ritmo de vida aos munícipes, que passarão a dispor de energia elétrica dia e noite.

Energia elétrica

 

Para a iluminação do Município, a edilidade local já estava contando com uma nova usina de força e luz dotada de um motor elétrico de marca "CATERPILLAR" com capacidade para 20 mil velas de força e 44 HP, já em funcionamento.

Segundo as informações, o funcionamento e rendimento dessas usinas era perfeitamente regular, vindo suprir uma falha antiga de que necessitava o desenvolvimento de um grande município, este cuja capacidade para satisfazer as exigências do progresso daquela grande região.

Contextualizando

O trecho mais impactante do documento trata da crise hídrica. A descrição de São José do Campestre como uma cidade "desprovida de qualquer fonte d'água potável" ilustra a dura realidade do interior semiárido nordestino na década de 1950.

A Logística da Sobrevivência: Para que a cidade não colapsasse frente às "inclemências das secas sertanejas", a prefeitura dependia de uma operação rodoviária pesada: buscar água no Açude Trairí, no município vizinho de Santa Cruz, a 18 quilômetros de distância.

No setor de investimento público o gasto de Cr$ 160 mil cruzeiros (uma quantia vultosa para a época) em um caminhão-tanque e a distribuição gratuita do líquido centralizado em uma cisterna pública eram, literalmente, a linha que separava a manutenção da cidade da sua total evacuação.

O texto da referida propaganda iniciava destacando a Cooperativa de Campestre, fundada em 1950. Este trecho é uma evidência clara da forte influência política de Theodorico Bezerra, um dos maiores e mais lendários chefes políticos (e "coronéis") da história do Rio Grande do Norte.

A modernização agrícola controlada onde a cooperativa atuava como o motor econômico local, financiando a lavoura e combatendo pragas.

Um detalhe muito curioso da época é o plano de usar crédito pecuário para comprar "bois mansos" para o serviço de tração nos campos. Isso mostra que, apesar do desejo de modernização, a base da agricultura local ainda dependia fortemente da força animal e de métodos tradicionais.

A construção do novo Mercado Público (orçado em Cr$ 1,5 milhão de cruzeiros) era tratada como o grande símbolo arquitetônico da evolução da cidade.

O jornal citava que o prédio seguia os "requisitos do higienismo moderno". Na metade do século XX, os mercados públicos centrais eram os principais termômetros de desenvolvimento de uma cidade, pois organizavam o comércio de carnes e vegetais de forma a evitar epidemias e problemas sanitários.

 O mercado foi projetado com uma imensa cisterna de 320 mil litros. Isso demonstra uma engenharia adaptada à seca: aproveitar a enorme área de teto coberto do mercado (50x15 metros) para captar e armazenar água da chuva.

Para um município de pequeno porte no interior potiguar nos anos 50, os índices e projetos educacionais apresentados pelo prefeito Lindolfo Damião de Souza eram ousados.

 A existência de 13 escolas municipais em funcionamento e o planejamento de novas construções indicavam um forte esforço de interiorização do ensino primário.

 A prefeitura não apenas mantinha suas escolas, mas financiava o ensino privado local (subvencionando 6 escolas particulares) e criava um sistema de bolsas de estudos para jovens de baixa renda estudarem em centros maiores, como Ceará-Mirim e Natal (Colégio 7 de Setembro).

Com uma arrecadação anual estimada em cerca de Cr$ 800 mil cruzeiros, o prefeito conseguia manter as contas equilibradas, pagando fornecedores e mantendo o funcionalismo público rigorosamente em dia — algo que nem sempre era a regra nas pequenas comunas da época.

A transição para a modernidade é selada com a compra de um motor Caterpillar de 44 HP e o pagamento à Companhia Força e Luz para a instalação da rede elétrica. A promessa de ter "energia elétrica dia e noite" representava uma revolução na vida cotidiana, no comércio e no início da industrialização local.

Em resumo o documento retratava São José do Campestre em um momento de transição acelerada. Sob a liderança de Lindolfo Damião, e sob as bênçãos políticas do clã Bezerra, o município tentava se consolidar institucionalmente. O texto deixa claro que governar aquela região exigia um duplo esforço: o de combater as vulnerabilidades climáticas extremas (falta de água) ao mesmo tempo em que se tentava implantar os símbolos da modernidade do século XX (eletricidade, telefonia, educação estruturada e prédios higiênicos).



[1] Tribuna do Norte, 14/03/1956,p.21.Todas as demais citações entre aspas foram retiradas do referido jornal.

 

SOBRE O MUNICÍPIO DE PEDRO AVELINO EM 1956

 
     Na imagem a baixo um vila construida pela administração municipal de Pedro Avelino.

                                           Tribuna do Norte, 25/03/1956, p.32.

Colorização por inteligência artificial.

 Na imagem a baixo o prédio do clube-teatro municipal de Pedro Avelino em construção.

Tribuna do Norte, 25/03/1956, p.32.

Em 25/03/1956 a Tribuna do Norte exibiu uma propaganda da prefeitura de Pedro Avelino a qua destacava as realizações efetuadas pela a administração municipal daquele municipio.

De cara a referida propaganda começava criticando a administração anterior (como sempre ocorre até hoje).”Depois da desastrosa administração de José Nestor de Gouveia, o município reencontrou-se com o progresso”.[1]

Dizia a mesma que recuperadas as finanças da comuna com a administração do prefeito Geraldo Bezerra de Souza, economicamente o município progredira com um programa de modernização levado a efeito com  grandes melhoramentos em um ano e oito meses de administração.

Desmembrado do município de Angicos, em dezembro de 1948, a primeiro de janeiro de 1949 se instalou o município de Pedro Avelino. Criado na administração do então governador José Augusto Varela, foi um dos municípios novos criados que fugiram aos requisitos exigidos pela Constituição Federal.

Tudo, praticamente, teve que ser começado do nada, porque as condições de subsistência da nova comuna eram das mais precárias.

Nomeado pelo Chefe do Executivo potiguar, a pedido expresso das forças políticas que se formaram no município. Foi assim que chegou à nova comuna o major Luiz Cesar Gonzaga de Paiva, brilhante oficial da Polícia Militar.

Sua administração foi excelente. Obras de vulto foram entabuladas com os recursos proporcionados pelas verbas federais e com a incipiente arrecadação que o município proporcionava.

O progresso foi rápido e já hoje, o município apesar de pequeno, atingia o meio milhão de cruzeiros em arrecadação anual, os quais ajuntados a cota federal do Imposto de Renda tem proporcionado meios a que o município consiga uma situação de quase estabilidade, apesar dos débitos que ainda pesam no seu orçamento.

O Primeiro desastre administrativo

Segundo a propaganda publicada no jornal Tribuna do Norte administração do major Cesar que tantos benefícios causou a Pedro Avelino, cessou com a escolha do novo prefeito José Nestor de Gouveia. “Cessou o excelente estabelecimento do major Cesar e com isso pararam, ou descaíram todos os empreendimentos que colocavam a cidade na linha das comunas que haviam encontrado o caminho do progresso”.

A atividade pública de Pedro Avelino parou e o município foi atingindo uma situação deplorável, em todos os seus setores de administração. Uma situação quase de bancarrota, foi o que encontraram na Prefeitura, os srs. Geraldo Bezerra de Souza e Raimundo Cavalcanti de Albuquerque, eleitos prefeito e vice-prefeito do município, em 1952 e empossados em abril do ano seguinte.

Limpeza pública

A administração de Geraldo Bezerra de Souza começou tendo o novo edil pela frente, os mais diferentes e complicados problemas a resolver. Um estudo sistematizado foi realizado pelo prefeito de Pedro Avelino, resultando num plano de trabalho, que produziu os mais proveitosos frutos para toda a população do município.

A limpeza pública foi o primeiro problema enfrentado. Toda a cidade e regiões da comuna foram alvo de uma campanha de limpeza que alcançou absoluto êxito, tirando Pedro Avelino da deplorável situação em que se encontrava, para ser apontada como uma das mais limpas cidades do nosso "hinterland".

A recuperação econômica

Da limpeza pública da cidade, para o saneamento das irregularidades nas finanças do município foi um passo.

Empregou-se o prefeito Geraldo Bezerra na recuperação econômica e financeira de sua comuna, não somente orientando seu trabalho no sentido de dividir em suspenso, como empregando racionalmente em benefício do próprio município, as cotas federais e auxílios que ia recebendo.

 A situação chegou quase a se equilibrar, de modo que na nova administração do sr. Raimundo Cavalcanti de Albuquerque, apenas foi necessário a continuação do programa econômico para se chegar a uma situação praticamente normal. As dívidas, em sua maioria, foram saldadas e hoje o município deve tão somente a importância de 150 mil cruzeiros que deverão ser saldados, quando do recebimento da cota federal deste ano.

A arrecadação do município, que vem subindo de ano para ano, contribuirá definitivamente, para a total estabilização da situação econômica e financeira de Pedro Avelino.

Atividade produtiva

A par do interesse que demonstrou pelo soerguimento econômico e financeiro de sua cidade, o prefeito Geraldo Bezerra de Souza ia executando um programa de realizações que muito contribuiu para que ele, em vinte meses, merecesse definitivamente a admiração de seus munícipes.

A Vila Popular construída às expensas da prefeitura veio modernizar a cidade, substituindo velhos mocambos que tanto afeavam Pedro Avelino. Nove unidades foram entregues aos antigos ocupantes de mocambos, sem que isto lhes custasse um real.

A zona beneficiada apresentava novo aspecto agradável e com a administração empenhada na construção de mais nove unidades, totalizando em 18 o número de casas, seria um plano que continuaria em marcha, naturalmente dentro dos recursos que o município venha a dispor.

A construção de uma grande cisterna municipal com a capacidade de 330 mil litros de água no grupo municipal Senador João Câmara representou outra grande realização no município.

A par de fornecer água para o estabelecimento de ensino, a cisterna hoje atende igualmente, aos funcionários da prefeitura, de acordo com determinação do prefeito Raimundo Cavalcanti de Albuquerque.

Por outro lado, a cisterna, havendo condições suficientes, poderia atender também às necessidades da população de Pedro Avelino, em virtude mesmo de sua capacidade.

Outras obras realizadas

A gestão do prefeito Geraldo Bezerra de Souza, representava, segundo a referida propaganda o jornal Tribuna do Norte, para o município, “os resultados de uma administração bem orientada e que visou na realidade os planos de estabilidade para um avanço posterior para a modernização de toda a vida municipal”.

A sede própria da Cooperativa Agropecuária, construída pela prefeitura, tomou o lugar da antiga sede provisória, realizada para que aquele edifício tomasse novo impulso dentro das finalidades para que foi erguido.

O mercado de Córregos

Estendendo sua administração a outras regiões da comuna que não a sua sede, a administração de Geraldo Bezerra construiu o mercado público de Córregos, com boas acomodações e atingindo realmente, os objetivos de sua construção. “Atende, realmente, as necessidades da população da progressista vila”.

Estradas de rodagem

No período de administração de  Geraldo Bezerra, dos mais interessantes para o município, foi o programa de ação posto em execução, visando a recuperação das rodovias que serviam de ligação de Pedro Velho, para outras rotas do Estado, inclusive a capital.

Melhoramentos sem conto foram introduzidos, colocando as estradas em situação de serem apontadas como das melhores do "hinterland" potiguar.

 Por outro lado, foram construídos 17 km de estrada ligando a cidade de Pedro Avelino à vila de Boqueirão, o que representou sem dúvida um benefício inestimável para a população das duas localidades.

O ensino escolar

O setor do ensino primário, a assistência prestada pelo prefeito de Pedro Avelino, à gente pobre do município, “tem se constituído através dos anos num programa que merece os maiores elogios da população local”.

Comprou e distribuiu livros, possibilitando na medida do possível, vestimentas para a população escolar, a prefeitura tinha conseguido com que aumentasse em muito o total de crianças que diariamente procuravam as escolas, “visando destruir as trevas da ignorância em que vivem”.

O plano de ação escolar da atual Prefeitura para os meses que restavam de sua administração estendia-se para aquele ano de 1956, a construção de mais dois estabelecimentos de ensino primário.

Assistência à maternidade

Era do prefeito Geraldo Bezerra de Souza, ainda, o mérito de haver contribuído de maneira positiva para a construção da Maternidade local, que vinha sendo edificada com o auxílio de verbas federais.

Embora não se tratasse de uma obra municipal, não era desfalecido o interesse do ex-prefeito pela conclusão dos seus trabalhos, uma vez que o seu funcionamento representaria para as mães de Pedro Avelino, uma conquista privilegiada.

Raimundo Cavalcanti na Prefeitura

A renúncia do prefeito Geraldo Bezerra de Souza, conduziu à prefeitura de Pedro Avelino, o sr. Raimundo Cavalcanti de Albuquerque, depois de uma eleição indireta feita pela Câmara Municipal e em que o novo edil conseguiu a totalidade dos votos.

O maior empenho do novo prefeito, que assumiu a 15/11/1954, foi a manutenção do programa de ação do seu antecessor, que tantos benefícios trouxe para a cidade de Pedro Avelino.

A limpeza pública recebeu de início atenção especial do novo prefeito, que se empenhou também na conservação de estradas, contando para isso com a colaboração do Fomento Agrícola que colocou à disposição do município um trator.

Na parte financeira, também o prefeito Raimundo Cavalcanti procurou equilibrar a situação, saldando os compromissos da prefeitura com o funcionalismo chegando assim a colocar os vencimentos dos servidores em dia, bem como dos vereadores.

Outros empreendimentos

Visando dotar um meio de entretenimento para a população, foi adquirido pela prefeitura, um novo serviço de amplificação, já que o antigo se encontrava sem condições de funcionar regularmente.

 Ainda desse programa de ação, foi iniciada a construção do Clube Teatro Municipal, que seria o maior prédio da cidade, com 22 metros e 80 de comprimento por 10 de largura. O Clube disporia de palco de teatro, além de um salão dançante. Nele funcionaria também o estúdio da divulgadora. Sua inauguração estava prevista ainda para o ano de 1956.

Uma garagem municipal estava em vias de conclusão de obras, devendo abrigar os dois veículos da Prefeitura: um jeep e um caminhão, que vinham prestando inestimáveis serviços à edilidade de Pedro Avelino.

Outros problemas que contavam com a atenção do prefeito Raimundo Cavalcanti, foram o cemitério da cidade, bem como o aumento da rede de energia elétrica, o ensino primário, que tem merecido uma assistência toda especial do atual edil.

A par do programa de assistência médica da municipalidade de Pedro Avelino, a prefeitura dava toda a assistência às gestantes do município, que tinha no chefe do executivo, “o mais dedicado protetor”. Esse plano visava prestar à gestante carente toda assistência médica.

Futuras realizações

Complementando seu programa de ação à frente da comuna de Pedro Avelino, o prefeito Raimundo Cavalcanti de Albuquerque já planejava para os próximos meses de 1956, a realização de outras obras de utilidade pública de dois pontos fundamentais de ação de sua administração: continuação do plano de ampliação da vila popular, com a construção de mais nove unidades e, início da construção de novo mercado público, já que o até então atual não atendia às reais necessidades da população.

Uma referência a josé varela

Ao encerrar a propaganda foi feita uma referência ao governado do Estado, “é justo salientar a ação desempenhada pelo dr. José Varela, para a afirmação e desenvolvimento do município de Pedro Avelino. Com sua assistência, com seu apoio, o ex-governador do Estado e atual vice-governador, é o grande baluarte com que Pedro Avelino marcha a passo rápido para o progresso que hoje já se faz notar em todo o território”.

 Contextualizando

O município de Pedro Avelino foi desmembrado de Angicos em dezembro de 1948, sendo formalmente instalado em 1º de janeiro de 1949, durante o governo de José Augusto Varela.

O início da autonomia política foi marcado por extrema escassez. O texto do jornal Tribuna do Norte destacava que a nova comuna foi criada sem preencher todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal da época, o que obrigou a administração local a "começar do nada", enfrentando condições de subsistência muito precárias.

A evolução administrativa de Pedro Avelino nesses primeiros anos é narrada através de três gestões bem distintas, evidenciando uma forte polarização nas críticas jornalísticas:

Major Luiz Cesar Gonzaga de Paiva: foi o primeiro gestor, indicado pelo governo estadual. É elogiado pelo jornal por ter impulsionado o progresso rápido através do uso de verbas federais e da arrecadação nascente, elevando as receitas para a casa do meio milhão de cruzeiros e organizando as finanças.

José Nestor de Gouveia: descrito de forma contundente pelo jornal como o "primeiro desastre administrativo". A matéria acusava sua gestão de paralisar as obras, deteriorar os serviços públicos e conduzir o município a uma situação deplorável de quase "bancarrota".

Dr. Geraldo Bezerra de Souza e Raimundo Cavalcanti: eleitos em 1952 como prefeito e vice, são retratados como os salvadores que reorganizaram a prefeitura a partir de abril de 1953. Com a renúncia subsequente de Geraldo Bezerra, Raimundo Cavalcanti assumiu o Executivo em novembro de 1954 por meio de eleição indireta na Câmara Municipal, mantendo a mesma linha política.

O grande foco das reportagens está nas transformações estruturais promovidas pelas gestões de Geraldo Bezerra e Raimundo Cavalcanti, que buscaram alinhar o município ao conceito de modernidade da década de 1950.

A limpeza pública foi tratada como prioridade máxima para reverter o estado de abandono da cidade, logrando êxito ao ponto de Pedro Avelino ser apontada como uma das cidades mais limpas do interior (*"hinterland"*) potiguar.

O abastecimento de água destacava-se pela construção de uma grande cisterna municipal com capacidade para 330 mil litros junto ao Grupo Escolar Senador João Câmara. Essa obra foi vital para garantir o abastecimento da escola, dos prédios públicos e mitigar as crises de seca da população local.

A Vila Popular contra os mocambos sob a ótica do "progresso higienista" da época, a prefeitura atuou na substituição de habitações precárias (mocambos) por casas de alvenaria na chamada Vila Popular. Foram entregues inicialmente 9 unidades sem custos para os moradores carentes, com plano de expansão para mais 9.

No ensino primário houve investimento na distribuição de livros, fardamento escolar e planejamento para a construção de novos prédios voltados ao ensino primário para erradicar o analfabetismo.

Na  assistência Social o texto menciona o apoio à construção da Maternidade local (feita com verbas federais) e o atendimento médico-social direcionado às gestantes carentes.

Para o lazer e urbanismo a construção do Clube Teatro Municipal surge como o maior empreendimento arquitetônico da cidade no período (com quase 23 metros de comprimento), planejado para abrigar peças, um salão dançante e um estúdio de radiodifusão.

O jornal enfatizava que a saúde financeira do município foi restaurada através da aplicação rígida das cotas federais (como a do Imposto de Renda). Isso permitiu amortizar as dívidas herdadas para apenas 150 mil cruzeiros e, fundamentalmente, colocar em dia os salários atrasados do funcionalismo público e dos vereadores.

Por fim, o texto reforça o papel do governador José Varela (ex-governador e então vice-governador do Estado) como o principal padrinho político e "baluarte" do município no cenário estadual, justificando o apoio logístico oferecido por órgãos como o Fomento Agrícola (que cedeu tratores para a abertura e manutenção de estradas locais).




Major luiz  Cesár, primeiro prefeito de Pedro Avelino (1949-1950)
Tribuna do Norte, 25/03/1956,p.32.
 
Reconstituiçõ digital por inteligência artificial.

Prefeito Geraldo Bezerra (1952-1954).
Tribuna do Norte, 25/03/1956,p.32.


Prefeito Raimundo Cavalcanti (1954-1956).
Tribuna do Norte,25/03/1956,p.32.






[1] Tribuna do Norte, 25/03/1956,p.32.Todas as demais citações que se seguem entre aspas foram retiradas do referido jornal.