domingo, 7 de junho de 2026

SOBRE O COMANDO DA ESPERANÇA EM TOUROS E MAXARANGUAPE EM 1962 (PARTE III)

 

Em 14/03/1962 o Governador Aluízio Alves recebeu em despacho os economistas Geraldo José de Mélo e Eider Moura, responsáveis pelo Comando da Esperança instituído pela Comissão Especial de Desenvolvimento e que deram conta ao Chefe do Executivo dos serviços já realizados, em Touros e Barra de Maxaranguape até aquela data, e que foram os seguintes:

Educação: conclusão de nove escolas e ampliação do Grupo Escolar de Barra de Maxaranguape; e equipamento para estas escolas já foi encomendado.

Saúde: já se encontrava em funcionamento o posto de saúde.

 No que tange a fossas sanitárias, o Comando empreendia a construção de 180 em Barra de Maxaranguape, tendo concluído já 30, além da recuperação de 8 poços tubulares.

Estradas: o Comando da Esperança realizava a abertura de estradas ligando Touros a Boa Cica, Touros e Cajueiro e Maracajaú-Pititinga-Paz.

No setor do crédito social, seriam distribuídas 50 máquinas de costura, financiadas pelo Banco do Rio Grande do Norte, que também concederia financiamento de três milhões de cruzeiros a produtores e pescadores.

Em 20/03/1962, o Governador se reuniria com os dirigentes do Comando da Esperança, para examinar novas providências a serem adotadas, devendo no dia seguinte viajar a Touros, para inspecionar os serviços já realizados.[1]

Nas fotos a baixo, aspecto da visita do Governador Aluízio Alves a Touros. No alto, quando falava o Secretário da CED, Economista Geraldo José de Mélo, na reunião realizada pelo Comando da Esperança Touros-Maxaranguape, com a presença do Governador; abaixo, o Chefe do Executivo norteriograndense, durante a inspeção às obras realizadas pelo Comando.

Tribuna do norte,14/03/1962, p.6.


O jornal Tribuna do Norte abandonava um pouco o lirismo e a dramaticidade da miséria para focar em dados concretos de infraestrutura entregues em Touros e Barra de Maxaranguape.

Constrói, no entanto, a imagem política ideal de Aluízio Alves: um governante dinâmico e presente.

Ele despacha no gabinete para planejar as próximas providências e viaja pessoalmente a Touros para inspecionar os canteiros de obras. Essa proximidade física do líder com o "chão de fábrica" das reformas era o motor do carisma do governador, mostrando que ele não comandava apenas da capital, mas fiscalizava o cumprimento das promessas in loco.

O referido jornal documentava assim o ápice da mecânica do Comando da Esperança: o encontro entre a vontade política (o Governador), o planejamento técnico (os economistas da Comissão de Desenvolvimento) e a resposta rápida às demandas básicas (água, saneamento, estradas e crédito). É um registro clássico da propaganda desenvolvimentista que marcou o período pré-1964 no Brasil.



[1] Tribuna do norte,14/03/1962, p.6.

 

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