Em 14/03/1962 o Governador Aluízio
Alves recebeu em despacho os economistas Geraldo José de Mélo e Eider Moura,
responsáveis pelo Comando da Esperança instituído pela Comissão Especial de
Desenvolvimento e que deram conta ao Chefe do Executivo dos serviços já realizados,
em Touros e Barra de Maxaranguape até aquela data, e que foram os seguintes:
Educação: conclusão de nove escolas e
ampliação do Grupo Escolar de Barra de Maxaranguape; e equipamento para estas
escolas já foi encomendado.
Saúde: já se encontrava em
funcionamento o posto de saúde.
No que tange a fossas sanitárias, o Comando
empreendia a construção de 180 em Barra de Maxaranguape, tendo concluído já 30,
além da recuperação de 8 poços tubulares.
Estradas: o Comando da Esperança
realizava a abertura de estradas ligando Touros a Boa Cica, Touros e Cajueiro e
Maracajaú-Pititinga-Paz.
No setor do crédito social, seriam distribuídas
50 máquinas de costura, financiadas pelo Banco do Rio Grande do Norte, que também
concederia financiamento de três milhões de cruzeiros a produtores e
pescadores.
Em 20/03/1962, o Governador se reuniria
com os dirigentes do Comando da Esperança, para examinar novas providências a
serem adotadas, devendo no dia seguinte viajar a Touros, para inspecionar os
serviços já realizados.[1]
Nas fotos a baixo, aspecto da visita do
Governador Aluízio Alves a Touros. No alto, quando falava o Secretário da CED,
Economista Geraldo José de Mélo, na reunião realizada pelo Comando da Esperança
Touros-Maxaranguape, com a presença do Governador; abaixo, o Chefe do Executivo
norteriograndense, durante a inspeção às obras realizadas pelo Comando.
| Tribuna do norte,14/03/1962, p.6. |
O jornal Tribuna do Norte abandonava um
pouco o lirismo e a dramaticidade da miséria para focar em dados concretos de
infraestrutura entregues em Touros e Barra de Maxaranguape.
Constrói, no entanto, a imagem política
ideal de Aluízio Alves: um governante dinâmico e presente.
Ele despacha no gabinete para planejar
as próximas providências e viaja pessoalmente a Touros para inspecionar os
canteiros de obras. Essa proximidade física do líder com o "chão de
fábrica" das reformas era o motor do carisma do governador, mostrando que
ele não comandava apenas da capital, mas fiscalizava o cumprimento das
promessas in loco.
O referido jornal documentava assim o
ápice da mecânica do Comando da Esperança: o encontro entre a vontade política
(o Governador), o planejamento técnico (os economistas da Comissão de
Desenvolvimento) e a resposta rápida às demandas básicas (água,
saneamento, estradas e crédito). É um registro clássico da propaganda
desenvolvimentista que marcou o período pré-1964 no Brasil.
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