A cobertura jornalística da Tribuna do
Norte (fundado por Aluízio Alves) atuava como um propagandista, com foco na
atuação do "Comando da Esperança" nos municípios de Touros e
Maxaranguape, entretanto, ele registra um momento histórico emblemático do Rio
Grande do Norte no início da década de 1960.
O
"Aluizismo"
Os textos do referido jornal mencionavam
explicitamente que a ação foi uma iniciativa do então governador Aluízio Alves (que
governou o estado entre 1961 e 1966). Ele subiu ao poder com um discurso
fortemente modernizador, focado em romper com as velhas estruturas do
coronelismo oligárquico tradicional (mencionado nos textos como a estrutura
onde o "coronelismo imperava, dominando a enxada e comprando o
voto").
O "Comando da Esperança" era
a materialização desse marketing e dessa ação governamental: levar a presença
do Estado, de forma rápida e impactante, a áreas historicamente isoladas e
desassistidas.
O retrato do abandono histórico
As reportagens traça um diagnóstico
severo da situação socioeconômica do litoral norte potiguar na época como o isolamento
e miséria, onde cidades com populações vivendo em condições sub-humanas, dependiam
quase que exclusivamente da pesca de subsistência e, no caso de Maxaranguape,
de uma economia baseada no escambo (troca direta de mercadorias), sem
circulação de moeda.
A ausência do Estado. O jornal Tribuna
do Norte destacava que, em Touros, o
último investimento estadual relevante havia ocorrido em 1927 (no governo de
José Augusto Bezerra de Medeiros). Havia um vazio institucional crônico — a
falta de médicos, saneamento, estradas transitáveis e até a ausência física de
autoridades (juiz, promotor e padre moravam fora).
A mistura de tecnocracia e voluntariado jovem
Um dos pontos mais interessantes da
narrativa do jornal Tribuna do Norte é a exaltação da juventude. O Comando era
composto por técnicos e funcionários da recém-criada Comissão Estadual de
Desenvolvimento com média de idade de 25 anos (liderados nos bastidores por
nomes como Geraldo José de Melo, que décadas mais tarde viria a ser governador
do estado).
O texto adotava um tom quase épico para
descrever a rotina desses jovens, que trabalhavam "com a cara e a
coragem", das 4h da manhã às 19h, misturando o rigor técnico do
planejamento com o entusiasmo do trabalho comunitário (mutirões).
Na
imagem abaixo o monumento comemorativo do Comando da Esperança em Touros,
assinalando os importantes melhoramentos de assistência social e saúde pública
realizados pelo governo Aluizio Alves até naquele então esquecido municipio.
Colorização por inteligência artificial.
A
ideologia do desenvolvimento
As metas descritas nas reportagens
refletiam a cartilha do desenvolvimentismo da época como infraestrutura básica
(abertura de mais de 300 km de estradas, piçarreamento, poços tubulares); erviços
essenciais (reforma e construção de grupos escolares, postos de saúde,
saneamento básico) e fomento econômico (linhas de crédito de até Cr$ 50 mil via
Banco do Estado para pescadores e agricultores, compra de máquinas de costura).
As matérias eram um reflexo do jornalismo de época alinhado às propostas reformistas. Utilizava termos de forte apelo emocional (como "Comando da Esperança", "libertação da miséria", "novo sentido de vida") para legitimar a intervenção estatal e construir a imagem de um governo dinâmico, realizador e em sintonia com a modernidade, contrastando o "futuro que chegava" com o "passado de abandono".
Na
imagem abaixo o Grupo Escolar Coronel Florêncio do Lago, na cidade de Touros,
recuperado e melhorado pelo Comando da Esperança.A instrução pública voltou a
poder funcionar em local bem equipado em Touros.
O Poti,23/09/1962,p.8. Colorização por inteligência artificial.
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