terça-feira, 12 de maio de 2026

SOBRE A CRIAÇÃO DO GINÁSIO DE TAIPU

 

      Em discurso proferido em 17/07/1975 na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, o deputado estadual e taipuense, disse em seu discurso que só dependia tão somente de uma mensagem do Prefeito à Câmara Municipal para que a cidade de Taipu para que a cidade passasse a contar com um Ginásio para o ensino de 1º grau (quatro ultimas séries).

    O  deputado Magnus Kelly  acabava de receber Oficio do Secretário da Educação, João Faustino Ferreira Neto, em resposta a diversos apelos formulados na Assembleia Legislativa para que Taipu tivesse o seu Ginásio.

    Segundo o parlamentar, no Oficio, o Secretário esclareceu os pontos principais da questão, partindo do princípio de que este tipo de ensino é de responsabilidade do Governo Municipal.

    Adiantava Magnus que com a boa vontade do Secretário e uma Mensagem do Prefeito de Taipu à Câmara o problema poderia ser solucionado, uma vez que já existem verbas com esta finalidade destinados pelo Ministério da Educação e até agora não utilizadas. Referidas verbas foram postas no Orçamento pelo parlamentar que afirma "no setor de educação não deve haver discriminação partidária".

    No Oficio ao Deputado Magnus Kelly, o secretário informava reconhecer as limitações financeiras das Prefeituras, não podendo furtar-se a uma participação nos encargos advindos na manutenção, comprometendo-se a colocar com a cessão de professores, fornecimento de equipamentos escolares e material didático e colocar até à disposição da Prefeitura de Taipu, para funcionamento provisório, o prédio do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, situado no Alto da Bela Vista e assistência técnica, .

    A Secretaria é ainda posta à disposição da Prefeitura para qualquer orientação nesse sentido.

    Acreditava Magnus Kelly que “agora, finalmente, Taipu venha a contar com o seu Ginásio, evitando que os estudantes locais da faixa do 1º grau tenham que se deslocar diariamente para Ceará Mirim, a fim de poderem prosseguir os estudos”. (Tribuna do Norte, 17/07/1975,p.2).

    O discurso do referido deputado sobre o Ginásio de Taipu é um exemplo clássico da política da época.

    Vemos a articulação entre o deputado (Magnus Kelly) e o governo estadual para levar o ensino de 1º grau (atual Fundamental II) para o município.

      A menção de que os alunos precisavam se deslocar para Ceará-Mirim para estudar ressalta o isolamento educacional que essas cidades enfrentavam antes da criação de suas próprias instituições.

      Como se sabe o embate entre a prefeitura de Taipu e o então deputado estadual, motivado por disputas politicas e egos inflamados, retardou a criação do Ginásio de Taipu, tendo sido o mesmo criado em 1977 e seu prédio definitivo somente inaugurado em 1978, na rua Antonio Gomes da Costa (rua do Fogo).Coisas de Taipu!



Deputado Magnus Kelly em discurso na tribuna da Assembleia Legislativa defendendo a criação do Ginásio de Taipu, atual Escola Estadual Prof. Clotilde de Moura Lima. Tribuna do Norte, 17/07/1975,p.2.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.


O MERCADO DO PEIXE DE MACAU EM 1952

     A imagem restaurada apresenta o antigo Mercado de Peixe da cidade de Macau, um exemplar significativo da arquitetura institucional e comercial do início do século XX na região.

    Abaixo, detalho os principais pontos da análise arquitetônica e histórica:

 Elementos arquitetônicos e estilo

    O edifício exibe uma transição entre o Ecletismo e o Neoclássico Popular, características comuns em prédios públicos de cidades litorâneas e polos comerciais da época.

    O destaque principal é o frontão acima da entrada principal, que apresenta ornamentos em relevo (provavelmente em estuque) e a inscrição "MERCADO DE PEIXE" acompanhando o arco da porta. Os detalhes sugerem uma preocupação estética que elevava a importância funcional do local.

    A fachada lateral revela uma sequência rítmica de janelas altas, fundamentais para a ventilação natural e iluminação — essencial para um mercado de pescados em uma região de clima tropical seco.

     O uso da platibanda (essa parede que esconde o telhado) era um sinal de modernidade na época, substituindo os antigos telhados coloniais com beirais aparentes.


Fonte: Tribuna do Norte, 20/09/1952,p.6.

 Contexto urbano e social

    Macau, conhecida historicamente por sua economia baseada no sal e na pesca, necessitava de infraestruturas como esta para organizar o comércio e garantir normas de higiene básica que começavam a ser implementadas nos centros urbanos.

    A restauração permite notar a transição entre a calçada frontal e a rua, que na época da fotografia original ainda aparentava ser de terra batida ou areia, destacando o mercado como uma das construções mais sólidas e imponentes da vizinhança.

Significado histórico

     Edifícios como este eram o coração da vida social das cidades potiguares. Além da função econômica, o Mercado de Peixe era um ponto de encontro de pescadores, comerciantes e a população local. A preservação visual deste registro é vital para entender a evolução urbana de Macau e a importância da indústria pesqueira na identidade da cidade.

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

SOBRE A MEMÓRIA DE K-XIMBINHO

 

Reconstituição digital de Inteligência Artificial

                                                   O Cruzeiro, ed.48, 1955, p.60.


    Uma jam session consiste no seguinte: reúnem-se alguns músicos de jazz em local combinado e, estabelecido um tema, improvisam seus solos, dentro, naturalmente, das características básicas do gênero.

     A  organização do 1º Grande Concerto Brasileiro de Jazz, realizado no Golden Room do Copacabana, teve o sabor genuíno de jam session. (O CRUZEIRO, 23-7).

      O evento realizado no Copacabana Palace teve a participação de K-Ximbinho.

 

                                            A Cena Muda, ed 21,1947, p.30.

 


Reconstituição digital de Inteligência Artificial.

    Segundo  a legenda da revista Cena Muda:

    “SEBASTIÃO DE BARROS, o popularíssimo "K-Ximbinho", clarinetista de primeira linha, compositor e autor do choro SONOROSO, um dos grandes sucessos da música popular brasileira”.(A CENA MUDA, 27/05/1947, p.30).

    A transcrição desse pequeno trecho da revista A Cena Muda, de 1947, oferece um recorte valioso sobre a carreira de K-Ximbinho (Sebastião de Barros) e a valorização da música instrumental brasileira na época.

 Reconhecimento de excelência

    Clarinetista de primeira linha. O texto estabelece imediatamente o alto nível técnico do músico. Naquela década, a clarineta e o saxofone eram instrumentos centrais tanto no choro quanto nas grandes orquestras de rádio, e o destaque dado a ele reforça sua posição como um dos virtuosos do período.

    "Popularíssimo": O uso do superlativo indica que K-Ximbinho não era apenas respeitado pelos pares, mas gozava de amplo reconhecimento do público geral, algo notável para um instrumentista.

O sucesso de "Sonoroso"

    A citação direta ao choro "Sonoroso" é fundamental. Esta composição é considerada uma das obras-primas do gênero, marcada por uma melodia sinuosa e sofisticada que exigia (e ainda exige) grande habilidade do solista.

    Ao classificar a música como "um dos grandes sucessos da música popular brasileira", o texto valida a importância do choro como um pilar da identidade musical nacional, mesmo em uma época em que o samba e o rádio dominavam as paradas.

 Identidade e nome artístico (Sebastião de Barros vs. K-Ximbinho)

      A transcrição liga o nome de batismo ao pseudônimo artístico, que se tornou sua marca registrada. O nome "K-Ximbinho" tem raízes na sua infância (derivado de "Ximba") e na sua atuação em grupos de jazz e orquestras, onde o uso de iniciais ou nomes estilizados era comum.

 Contexto histórico: revista "A Cena Muda"

    Publicado em 27 de maio de 1947, o texto pertence a uma das revistas de cinema e artes mais influentes do Brasil. A presença de um músico como K-Ximbinho nas páginas da revista mostra como a música instrumental estava integrada ao circuito cultural de prestígio, ao lado das estrelas de cinema e do rádio.

    O trecho é um testemunho da "Era de Ouro" da música brasileira, capturando o momento em que K-Ximbinho era celebrado tanto pela técnica impecável quanto pela sua contribuição composicional, imortalizada pelo choro "Sonoroso".

     A  transcrição do texto escrito à mão na parte superior esquerda da foto a baixo consta do seguinte:

    "Ao Sylvio Cardoso, uma lembrança de K-Ximbinho e sua Constellation Orquestra.Rio, Novembro de 1947."

        Já na legenda da foto na revista (Parte inferior central)

        "CONSTELLATION ORCHESTRA. Mais uma vitória de K-Ximbinho”.

      Esta imagem é um registro histórico de enorme valor para a música brasileira, capturando a Constellation Orquestra sob o comando de K-Ximbinho em novembro de 1947.

 

 


 

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.



                                             A Cena Muda, ed.48, 1949, p.29.

 

 O ambiente: estúdio de rádio ou gravação

A disposição dos músicos e os elementos técnicos indicam que a foto foi tirada em um estúdio profissional, possivelmente em uma grande rádio (como a Rádio Nacional) ou gravadora do Rio de Janeiro.

O grande microfone prateado pendurado em um braço mecânico (girafa) no centro da cena é típico das gravações da "Era de Ouro". Ele está posicionado estrategicamente para captar a mistura acústica de toda a orquestra.

As paredes ao fundo parecem ter tratamento acústico (painéis perfurados), reforçando a ideia de um ambiente controlado para alta qualidade sonora.

 

A Formação da Orquestra

A "Constellation Orquestra" reflete a influência das Big Bands americanas no Brasil, mas com o tempero do choro e do samba instrumental.

Seção de Sopros: vemos uma linha de frente robusta com saxofones (tenor e alto) e trompetes ao fundo. K-Ximbinho era um mestre em arranjar para esses instrumentos, fundindo a precisão do jazz com a malícia brasileira.

Seção rítmica e harmônica: à esquerda, vemos um piano de cauda e, logo atrás, um contrabaixo acústico. A postura dos músicos é de total concentração, típica de uma sessão de leitura de partitura.

O Maestro em ação: no canto direito, vemos um músico (provavelmente o regente ou um solista em destaque) com o braço erguido, marcando o tempo ou orientando uma entrada, o que dá dinamismo e vida à fotografia.

 

A dedicatória: um laço de amizade musical

O texto manuscrito "Ao Sylvio Cardoso, uma lembrança de K-Ximbinho..." é um detalhe crucial. Sylvio Túlio Cardoso foi um dos mais importantes críticos de música e divulgadores de jazz no Brasil. Essa dedicatória prova o respeito mútuo entre os músicos e a crítica especializada da época, mencionada inclusive no texto de Ary Vasconcelos que transcrevemos anteriormente.

 

 Estética e identidade

     Os músicos estão impecavelmente vestidos com camisas claras e gravatas, refletindo o profissionalismo e o prestígio social das grandes orquestras de rádio na década de 40.

    O nome "Constellation" evoca modernidade e progresso (remetendo aos famosos aviões Lockheed Constellation da época), sugerindo uma orquestra que mirava o futuro e o som internacional.

Significado histórico

    Esta foto registra o ápice da carreira de K-Ximbinho como líder de conjunto. Em 1947, ele estava consolidando sua transição de um instrumentista de regional de choro para um arranjador de mão cheia, capaz de conduzir formações complexas e modernas.

    A imagem não é apenas o retrato de um grupo musical; é o registro de um momento em que a música brasileira estava em diálogo direto com o jazz mundial, mantendo sua essência através de músicos geniais que dominavam tanto a técnica erudita quanto a popular.





                                                                      A Cigarra, ed.8, 1956, p.117.



segunda-feira, 27 de abril de 2026

SOBRE A RÁDIO EDUCADORA DE NATAL

     A Radio Educadora de Natal foi a primeira emissora de rádio criada na capital potiguar criada em 21/01/1939 conforme indica o informativo de sua criação registrado no jornal A Ordem.

    De acordo com o referido jornal:

    “Natal, 21 de Janeiro de 1939.Ilmo. Sr.Tenho o prazer de comunicar a V. S. que nesta data foi criada nesta Capital, uma sociedade civil denominada Radio Educadora de Natal, tendo como objetivo principal o estabelecimento de uma Estação de Radio Difusora.Sua diretoria efetiva cujos nomes se encontram abaixo, é de antemão, uma garantia da vitória de seus desígnios.Certo de que V. S. lhe dispensará o concurso do seu apoio e simpatia, sirvo me da oportunidade para lhe apresentar as mais respeitosas saudações.Atenciosamente.Silvio de Souza — 1º Secretário.Conselho administrativo —Presidente, João Galvão Filho; Vice-Presidente, Dr. Januário Cicco; 1º Secretário, Dr. Silvio de Souza; 2º Secretário, Dr. José Gurgel; 1º Tesoureiro, José E. dos Santos; 2º Tesoureiro, Moisés Meireles; Orador, Dr. Paulo Viveiros; Procurador, Dr. Ivo Filho.Comissão fiscal —Davi Cunha, João Meireles, Adalberto Marques, José A. dos Santos, Severino A. Bila.Conselho técnico — Diretor de Radio, Carlos Lamas.

O Ante-projeto do edifício da Radio Educadora

    De acordo com o jornal A Ordem em 09/04/1939, às 16 horas, na Avenida Deodoro da Fonseca, com a presença do Interventor Rafael Fernandes foi lançada a pedra fundamental do edifício da Radio Educadora de Natal.

    “Trata-se de um empreendimento de larga envergadura, na qual cabe considerável parcela de representação estudantil e universitária, que têm dado auxílio monetário e apoio moral” registrou o referido jornal.

     Existia grande número de sócios proprietários que subscreveram ações no total de mais de 650:000$. A estação teria uma capacidade de 1 KW ou seja 1.000 Watts e modulação e levaria por isso um raio de ação que abrangeria a maior parte do território nacional.

    Os trabalhos de registro estavam a cargo do Dr. Alberto Bonoti, no Rio, que vinha empregando grande atividade neste sentido.

    O Governo do Estado havia doado um amplo terreno, onde seria localizada a futura estação da Rádio.

    O ato teve a presença do Interventor Federal, Secretário Geral, Diretores de Departamentos, autoridades religiosas e militares, representantes da imprensa, além dos Conselhos Administrativo e Técnico da Sociedade.

    Em nome da Radio Educadora falou o Dr. Paulo Viveiros, orador da mesma, que terminou pedindo ao interventor Rafael Fernandes para considerar lançada a pedra fundamental.

    O interventor proferiu, então, entusiastas palavras sobre a finalidade da novel sociedade, congratulando-se com os seus promotores pela oportunidade da iniciativa.Discursou também o Dr. Celso Ramalho.Foram batidas várias chapas fotográficas.

    O anteprojeto do edifício da Rádio Educadora de Natal, assinado pelo arquiteto Roberto de Miranda Ramos, é um exemplar fascinante da transição para a modernidade na arquitetura potiguar.

    Abaixo, apresentamos uma análise técnica e estética baseada nos elementos visuais das imagens restauradas por Inteligência Artificial: 

Estilo arquitetônico

    O projeto é fortemente influenciado pelo Art Déco, especificamente na vertente Streamline Moderne (ou Marajoara/Navio), que era tendência nas décadas de 1930 e 1940. Note-se as características marcantes: a horizontalidade é enfatizada pelas longas varandas e pelas platibandas (essas molduras que escondem o telhado), conferindo uma sensação de dinamismo e velocidade e os cantos arredondados.

Reconstituição digital por InteligÊncia Artificial.

    O volume frontal curvo é a assinatura desse estilo, remetendo à estética industrial e aerodinâmica da época.

 Composição volumétrica e funcionalidade

    O edifício se organiza em volumes escalonados, o que cria um jogo de sombras interessante e permite o uso de terraços em diferentes níveis.

    O "Farol" é o volume mais alto, centralizado no topo, assemelha-se a uma torre de controle ou cabine de comando. Em um edifício de rádio, isso simboliza a propagação das ondas e a vigilância técnica.

    Fenestração (Janelas). O uso de janelas em fita e grandes vãos envidraçados indica uma preocupação com a iluminação natural e a ventilação, essenciais para o clima de Natal.

Elementos de Linguagem Moderna

    Embora ainda preserve ornamentos sutis, o projeto já apontava para o Modernismo, como:

    Pilotis e espaços vazados.Há uma integração entre o térreo e a rua, sugerida pelo recuo e pelas colunas finas que sustentam o primeiro pavimento.

    Guarda-corpos metálicos.Os tubos horizontais nas varandas reforçam o aspecto náutico e a leveza da estrutura.

    Ausência de telhado aparente.O uso da laje plana é um rompimento com a arquitetura colonial e neoclássica anterior.

 Importância histórica e simbólica

    Projetar uma sede para uma rádio naquele período não era apenas um desafio de engenharia civil, mas de comunicação visual. O edifício precisava parecer "o futuro".

    O uso de uma tipografia geométrica e imponente no topo (como visto na restauração) reforça a identidade institucional.

    O arquiteto Roberto de Miranda Ramos conseguiu equilibrar a sobriedade necessária a um órgão educativo com a ousadia formal que o progresso tecnológico da rádio exigia.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

    Em resumo, era  um projeto que respirava o otimismo da época. Ele transforma a função técnica de transmitir sinais de rádio em uma declaração arquitetônica de vanguarda, sendo um marco na paisagem urbana e na memória da arquitetura institucional de Rio Grande do Norte.


                                                                         A Ordem, 09/04/1939, p.4.

PS. Permitida a reprodução desde que citado o blog.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

SOBRE A ARQUITETURA DA IGREJA MATRIZ DE CANGUARETAMA

     A análise dessa fotografia de 1936 da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Canguaretama, revela aspectos fascinantes tanto da arquitetura religiosa quanto do contexto social da época.

    A seguir uma decomposição dos elementos principais da imagem:

 Arquitetura e fachada

    A igreja apresenta uma arquitetura típica das matrizes coloniais e do período de transição para o neoclássico no Nordeste.O frontão é elegante, com volutas laterais e um nicho central (onde geralmente se coloca a imagem da padroeira). O desenho sugere uma influência barroca tardia, mas com a sobriedade das linhas retas que ganharam força no século XIX.

     A fachada é rigorosamente simétrica, com uma porta central ladeada por duas janelas (ou portas menores) no pavimento térreo, e janelas correspondentes no nível do coro.

    Estado de Conservação em 1936.A imagem mostra a igreja com um aspecto "vivido". Nota-se que a pintura ou o reboco apresenta manchas de umidade e desgaste, o que era comum em paróquias que dependiam de doações locais para manutenção.

 O Cruzeiro e o Adro

    Um detalhe marcante é o Cruzeiro posicionado à direita (do observador) em primeiro plano:

    O cruzeiro em frente às igrejas servia como marco de fé e, muitas vezes, indicava que ali era um solo sagrado ou um antigo cemitério (comum até meados do século XIX).

    A base do cruzeiro parece ser de alvenaria trabalhada, o que demonstra a importância desse elemento no espaço urbano da cidade.

    O adro (o pátio em frente) aparece como um campo aberto, sem pavimentação sistemática, evidenciando o caráter rural ou de pequena vila que Canguaretama preservava na década de 30.



Reconstituição digital por Inteligência Artificial.



Elementos paisagísticos e entorno

    A presença de palmeiras imperiais ou coqueiros ao fundo reforça a identidade visual das cidades litorâneas e de clima tropical do Rio Grande do Norte.

    À direita, vemos uma casa ou anexo paroquial com platibanda decorada. Esse estilo era o padrão de "modernidade" nas primeiras décadas do século XX no Brasil, substituindo os telhados aparentes coloniais por fachadas mais retas e ornamentadas.

 Contexto histórico de 1936

    Em 1936, o Brasil vivia sob o governo de Getúlio Vargas (período constitucional antes do Estado Novo). Para uma cidade como Canguaretama a Igreja Matriz era o centro absoluto da vida social, política e religiosa.A fotografia capturada nesse ângulo, com o céu límpido e o campo aberto, transmite uma sensação de isolamento e solenidade, típica das fotografias documentais daquela década que buscavam registrar o patrimônio nacional.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.


Matriz de Canguaretama em 1936.


     Esta igreja é um marco importante, pois a paróquia de Canguaretama é uma das mais antigas da região, ligada historicamente aos episódios dos Mártires de Cunhaú (que ocorreram em uma capela próxima, mas cuja administração espiritual sempre gravitou em torno da matriz).

     A  igreja passou por diversas reformas e pinturas, mas a estrutura básica que se vê nessa foto de quase 90 anos atrás permanece como o esqueleto histórico da cidade.