quinta-feira, 11 de junho de 2026

SOBRE A RESIDÊNCIA EPISCOPAL DE NATAL EM 1966

        Foi marcada para o dia 05/11/1966, às 17h30, a inauguração da residência episcopal, situada à rua Mipibu, n.º 441, vizinho à Escola de Engenharia.

    O Administrador Apostólico de Natal, dom Nivaldo Monte passaria a habitar, a partir daquele dia, essa nova residência, ofertada pelo Governo do Estado à Arquidiocese, por iniciativa do ex-Governador Aluísio Alves, que contou com unânime aprovação da Assembleia Legislativa.

    O programa de inauguração da residência episcopal foi o seguinte: bênção da casa pelo Administrador Apostólico Dom Nivaldo Monte; entrega oficial, pelo Governador Walfredo Gurgel; Missa e homilia na capela episcopal; e, por último, seria oferecido um coquetel aos presentes.

      Na imagem abaixo a residência episcopal da rua Mipibu.

Google Maps,2026.

    Este texto é um registro histórico valioso, provavelmente extraído de um jornal da época, que documenta um momento específico da vida pública e religiosa em Natal.

    A informação do jornal Tribuna do Norte ilustra uma interação institucional comum entre o Estado e a Igreja Católica naquela época. O fato de a residência ter sido ofertada pelo Governo do Estado, com a iniciativa de um ex-governador (Aluísio Alves) e a ratificação pela Assembleia Legislativa, reflete a relevância que a figura do Administrador Apostólico possuía no cenário social e político de Natal.

    O referido jornal cita personagens centrais na história do Rio Grande do Norte, como Dom Nivaldo Monte, uma figura marcante da Igreja no estado, que foi o segundo Arcebispo de Natal (1965-1988); Aluísio Alves, um dos nomes mais influentes da política potiguar no século XX.Foi governador do Estado entre 1961 e 1965 e o monsenhor Walfredo Gurgel, que foi governador do Estado que realizou a entrega oficial do imóvel.Seu mandato ocorreu de 1966 a 1969.

    A localização mencionada na Rua Mipibu, nº 441, vizinho à Escola de Engenharia situa o evento no bairro de Petrópolis. A Escola de Engenharia da UFRN, na época, era um marco educacional importante da cidade, o que reforça a centralidade e o prestígio da nova residência episcopal na infraestrutura urbana da capital.

    Seria os alunos da Escola de Engenharia que elaborariam o primeiro projeto moderno para a nova catedral de Natal.

     A descrição do programa (bênção, entrega oficial, missa e coquetel) revela o rigor cerimonial e o caráter festivo que eventos dessa natureza possuíam, tratando a inauguração como um compromisso oficial de agenda pública.

    O acontecimento em tela demonstra como a residência de um líder religioso era tratada como um bem de interesse público, evidenciando as alianças e o protocolo entre as autoridades civis e eclesiásticas daquele momento histórico.

O antigo palácio episcopal

    A residência de Dom Marcolino Dantas, ex-arcebispo de Natal, falecido em 1966, foi transformada num Centro de Evangelização, segundo ficou resolvido na reunião do Conselho Presbiteral realizada em maio de 1967.

      Diversos serviços de melhoramento seriam feitos no antigo Palácio Episcopal de Natal e no Centro de Evangelização seriam instalados cursos para pais (normas de batismo), para jovens (preparação para o casamento), etc.

      A experiência pastoral com a união das paróquias da Catedral e de Santa Terezinha teria além das suas reuniões no Centro de Evangelização, onde os cinco padres responsáveis pela administração da experiência também fariam refeições, podendo também residir um dos vigários.

      Na imagem abaixo o antigo palácio episcopal da rua Santo Antonio na Cidade Alta.



      Após o regresso de Dom Nivaldo Monte de Aparecida do Norte-SP seriam determinadas as obras de adaptação do antigo Palácio Episcopal da Arquidiocese de Natal.

   Se antes o imóvel era a residência oficial do arcebispo (denominada como "Palácio Episcopal"), o imovel sofreu uma  transição para uma função mais comunitária e pastoral: o Centro de Evangelização.

   Isso é significativo, pois documenta o esforço da Igreja em ressignificar espaços que pertenceram a figuras históricas, transformando locais de moradia privada em centros de serviço pastoral para a comunidade.

     A  Igreja de Natal se organizava na época, com a criação de cursos de formação (batismo, casamento) e a integração entre paróquias (Catedral e Santa Terezinha). A menção aos "cinco padres" que dividiriam o espaço para refeições e residência mostra uma gestão centralizada e um esforço de "experiência pastoral" conjunta.

     Também reforça a importância de Dom Nivaldo Monte, mostrando que ele continuava a ser a figura central nas decisões sobre o patrimônio e a estruturação da Arquidiocese, aguardando o seu regresso de Aparecida do Norte para autorizar as obras de adaptação.

     Temos  aqui a história da residencia episcopal contada em duas etapas: a sua inauguração como a residência moderna (na Rua Mipibu) em Petrópolis) e a posterior destinação do "antigo Palácio Episcopal" (na rua Santo Antonio, na Cidade Alta), para fins educativos e administrativos de apoio às paróquias.

     No final da década de 1970 o antigo palácio episcopal da rua Santo Antonio passou a ser a residência episcopal de dom Antonio Soares Costa, bispo auxiliar de Natal.

     Já a residência episcopal da rua Mipibu foi transformada em seminário menor na década de 1980 devido o fechamento do Seminário São Pedro na av. Rodrigues Alves devido a crise de vocações daquele periodo.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário