quinta-feira, 11 de junho de 2026

SOBRE MELHORAMENTOS INAUGURADOS EM JANDAÍRA E PEDRA PRETA EM 1953

  

       Em 21/12/1953 melhoramentos foram inaugurados, pela administração Francisco Cabral, no interior do município de Itaretama (atualmente Lajes),tais como: o cemitério publico, de Jandaira, o açude de Serrinha, e a luz elétrica de Pedra Preta.Da capital, seguiu comitiva dirigida pelo deputado Aluizio Alves, convidado pelo prefeito para presidir ás solenidades.

    Em Pedra Preta, já se encontravam o prefeito Francisco Cabral, vice-prefeito Francisco Amâncio Pereira, padre Vicente Vasconcelos, Isaias Marques, vereadores, autoridades, pessoas gradadas.

    Seguiu, então, a comitiva para Jandaira, onde, recepcionada na residencia do sr. Ibiapino Messias, assistiu á inauguração, na qual falaram, após a bênção da Igreja, os srs. Manoel Procopio de Moura e deputado Aluizio Alves.

    Em Serrinha, foi inaugurado o açude público, iniciado na administração Paulo Teixeira, e agora concluido. Falaram o prefeito Francisco Cabral e o deputado Aluizio Alves, encerrando a cerimonia que começou com a bençam da Igreja.

A luz eletrica de Pedra Preta

      Voltando a Pedra Preta, o prefeito Francisco Cabral fez inaugurar a luz elétrica da vila, com discurso seu e do deputado Aluizio Alves. Seguiu-se jantar na residencia do sr. Manoel Antunes de Souza, figura prestigiosa da política e da economia da região.

      À noite, houve um animado baile, oferecido ao representante federal da UDN, pela palavra do deputado Genesio Cabral. Agradeceu o homenageado.

    Por toda parte onde esteve a comitiva, verificou o regozijo da população com a administração Francisco Cabral, que se revela cada dia mais operosa no trato dos problemas e mais escrupulosa na aplicação dos dinheiros públicos.

Autoridades presentes

     Estiveram tambem presentes ás solenidades o jornalista Djalma Maranhão, diretor do Jornal de Natal,viúva Miguel Teixeira, que for avelho chefe político do município, d. Alzira Soriano, ex-prefeita de Lajes, srs. Manuel Procópio e Olinto Procópio, Isaias Marques e Manoel Cabral, alem de outras figuras de larga irradiação na política local.

      Este evento registrado pelo jornal Tribuna do Norte é uma excelente cápsula do tempo da história política e geopolítica do Rio Grande do Norte, sobretudo para os atuais municípios de Pedra Preta e Jandaíra.

    O texto ilustra o clássico "coronelismo" ou a política de clientelismo da época, onde a inauguração de obras básicas (luz, açude, cemitério) era cercada de grande pompa, banquetes e discursos inflamados para consolidar lideranças locais.

      O atual município de Lajes teve seu nome alterado para Itaretama em 1943 por força de um decreto federal que tentava eliminar nomes duplicados no Brasil. A mudança não agradou a população local e, como o próprio jornal anunciava, a cidade retomou o nome original de Lajes (o que ocorreu oficialmente no final de 1953, passando a vigorar em 1º de janeiro de 1954).

    Pedra Preta e Jandaíra são citadas apenas como "vilas" ou distritos pertencentes ao território de Lajes (Itaretama).

      O texto do jornal Tribuna do Norte destacava a inauguração da sua luz elétrica de Pedra Preta. Décadas depois, em 1963, Pedra Preta se emanciparia de Lajes, tornando-se um município autônomo.

      Jandaíra foi citada pela inauguração de seu cemitério público e benção da igreja. Jandaíra também se emanciparia de Lajes em 1963.

      O texto citava nomes que se tornaram gigantes na história política do Rio Grande do Norte, como Aluizio Alves, citado ainda como deputado federal jovem, acompanhando as bases do interior. Ele viria a ser um dos governadores mais influentes do RN (eleito em 1960), criando a famosa corrente política do "Aluizismo".

       Djalma Maranhão, citado discretamente no final do texto como jornalista presente. Anos mais tarde, tornou-se o lendário prefeito de Natal, famoso por suas posições de esquerda e pelo projeto de alfabetização popular "De Pé no Chão Também se Aprende" (sendo cassado pela Ditadura Militar em 1964).

        O fato de Aluízio Alves e Djalma Maranhão estarem no mesmo evento mostra a dinâmica de alianças da época (ambos faziam oposição ao sistema oligárquico tradicional do RN naquele momento).

      A UDN (União Democrática Nacional), o partido mencionado no baile noturno era a grande força conservadora/moralista da época, que no RN rivalizava intensamente com o PSD.

       Chama a atenção o tom abertamente laudatório (elogioso) do jornal, algo muito comum no interior daquela época, onde os jornais costumavam tomar partido explicitamente. O subtítulo "Alegria da População" e os elogios ao prefeito Francisco Cabral — classificado como "operoso" e "escrupuloso na aplicação dos dinheiros publicos" — funcionavam quase como uma assessoria de imprensa oficial do político.

      O jornal citado ainda citava um nome de gigantesca importância para a história política do Brasil: Alzira Soriano (Luíza Alzira Soriano Teixeira).

    Ela foi a primeira mulher a ser eleita prefeita no Brasil e em toda a América Latina, assumindo a prefeitura de Lajes em 1929, após o Rio Grande do Norte ser o estado pioneiro a permitir o voto feminino em 1927.

     O fato de ela constar como presente nesse evento na década de 1950 mostra que ela continuava sendo uma figura influente e respeitada na política da região ("figura de larga irradiação na política local").

 

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