domingo, 27 de junho de 2021

O MERCADO DE NOVA DESCOBERTA


E encerramos nossa série de postagens sobre os mercados públicos de Natal com essa a cerca do mercado do bairro de Nova Descoberta.

Em 11/01/1960 o jornal Diário de Natal publicou que finalmente seria construído o Mercado Modelo do bairro Nova Descoberta, o qual viria a sanar velho problema dos seus habitantes.

Em entendimento com o proprietário do terreno naquele subúrbio da capital potiguar, o prefeito José Pinto Freire conseguiu adquiri-lo sendo que o mesmo estava localizado na rua principal de Nova Descoberta.

O Mercado Modelo que obedeceria as novas linhas arquitetônicas, deveria ser construído ainda no primeiro semestre daquele ano de 1960 (DIÁRIO DE NATAL, 11/01/1960, p.6).

De acordo com o jornal Diário de Natal em 01/04/1960 seria realizada a cerimônia solene de lançamento da pedra fundamental do Mercado Modelo de Nova Descoberta, o qual seria, segundo o mesmo jornal, um dos mais modernos do Nordeste, querendo o prefeito inaugurá-lo ainda em sua administração.

Conforme havia anunciado a prefeitura o prédio desse mercado seria construído dentro dos mais modernos requisitos constituindo-se um dos melhores do Nordeste depois de concluído.

A sua construção deveria ter andamento por todo aquele ano de 1960, esperando o prefeito José Pinto Freire inaugurá-lo antes do término do seu mandato.

O jornal Diário de Natal recordava que o bairro de Nova Descoberta era um dos mais novos da capital potiguar e até bem pouco tempo era apenas um abrigo de refugiados das secas, que ali se instalaram em virtude de não terem onde pousar.

Nos últimos 3 anos a fisionomia do bairro havia se transformado de tal modo que exigiu as atenções dos poderes públicos, o que vinha se verificando de maneira progressiva aquela época (DIÁRIO DE NATAL, 18/03/1960, p.8).

A solenidade de lançamento da pedra fundamental do Mercado Modelo de Nova Descoberta foi antecipada para 20/03/1960 as 09h00, o prefeito José Pinto Freire resolveu antecipar a solenidade a fim de providenciar o inicio dos serviços o mais breve possível.

Tendo o ato contado com a presença de autoridades e moradores do bairro. Inicialmente lançou as bênçãos da igreja católica sobre o local do futuro mercado, o monsenhor Alair Vilar, capelão do bairro, que em seguida proferiu palavras enaltecendo o acontecimento.Falaram sem eguida o prefeito, José Pinto Freire, os vereadores Severino Galvão e Raimundo Barreto, e representando o povo do bairro, o Sr. Claudionor de Figueiredo.

Na ocasião foi instalado o curso primário a ser mantido pela Secretaria de Educação naquele bairro (DIÁRIO DE NATAL, 21/03/1960, p.8).

Francisco Horácio Pereira Pinto fez um relato das obras de responsabilidade da prefeitura no bairro de Nova Descoberta, elogiando o prefeito José Pinto Freire principalmente o seu trabalho em prol da construção do mercado daquele bairro (DIÁRIO DE NATAL, 03/04/1960, p.6).

Não encontramos informações a cerca da inauguração do Mercado Modelo de Nova Descoberta, porém, em entrevista 13 anos depois, o ex-prefeito de Natal, José Pinto Freire disse em entrevista ao jornal O Poti que uma das suas realizações a frente da administração da prefeitura de Natal foi a construção do referido mercado (O POTI, 12/08/1973, p.9), de onde se presume que tenha sido inaugurado, e se chegou a funcionar como tal é por nós desconhecido, assim como a sua localização naquele bairro.



sábado, 26 de junho de 2021

O MATADOURO DE NATAL

 

         O matadouro público de Natal é citado em 1878 como um dos locais onde não se tinha asseio na capital potiguar: “no matadouro público não há também o escrúpulo que era para desejar, e assim é tudo mais” (CORREIO DO NATAL, 26/10/1878, 3).

        Foi destinado a quantia de 4:500$000 a comissão formada pelo Capitão do porto Lisboa, o tenente-coronel José Domingues de Oliveira e o presidente da Intendência Odilon Garcia para as obras do matadouro público da capital (GAZETA DO NATAL, 15/11/1890, p.2).

         Em 1891 havia um terreno já destinado a construção do matadouro público de Natal e suas dependências, porém o mesmo terreno foi alvo de reclamações por está situado próximo a casas residenciais, sendo recomendado que a Intendência escolhesse outro local (RIO GRANDE DO NORTE 20/08/1891, p.1).

         De acordo com o jornal Rio Grande do Norte foi marcado para o dia 27/08/1891 o recebimento de propostas em cartas fechadas, a fim de serem contratadas as obras necessárias ao matadouro público da capital potiguar de acordo com o respectivo orçamento (RIO GRANDE DO NORTE, 26/08/1891, p.3).

         Em 05/09/1891 um artigo do jornal A República criticava  a atitude do Sr. Gurgel que havia mandado construir o matadouro público na Cidade Alta, o qual não havia consultado os interesses da população, nem atendeu as exigências da saúde pública.

De acordo com o referido jornal: “o matadouro, dizem as regras mais comesinhas da higiene, dizem todas as conveniências da população, não pode ser no meio da cidade, antes se deve procurar um lugar a distância, a beira do rio onde haja água em abundância para as lavagens necessárias a um estabelecimento de semelhante natureza.O contrário disto, é de todo injustificável[...] (A REPÚBLICA, 05/09/1891, p.2).

Mesmo diante da escolha inadequada do matadouro a Intendência manteve a construção dentro do orçamento da municipalidade e acrescentou ainda a construção de um curral para o mesmo em 1892.

         Em 1894 o jornal O Estado publicou nova critica a localização e situação do matadouro da capital potiguar: “também merece a vista  e a atenção do digno Inspetor de higiene – o  matadouro publico da capital, que está situado, por assim dizer, dentro da cidade, e onde não há o devido asseio.É o caso de representar-se imediatamente ao governo municipal sobre a necessidade urgente da escolha de outro local para matadouro público”. (O ESTADO, 16/12/1894, p.3).

         De acordo com o relatório do governo do Estado de 1895 o estado sanitário da capital era o mais agradável, achando-se a mesma asseada e os estabelecimentos públicos nas melhores condições higiênicas, a exceção do matadouro e o mercado, cujos reparos e melhoramentos já havia feito sentir a autoridade competente (RELATORIOS DOS PRESIDENTES DOS ESTADOS BRASILEIROS, 1895, p.109).

         Já o relatório do Governo de 1896 apontava que dentro dos quatro melhoramentos julgados de grande alcance sanitário e indispensáveis à capital potiguar o primeiro dizia respeito a remoção do matadouro público para ponto mais compatível com as conveniências da higiene (RELATÓRIO...,1896, p.220).

         Entretanto, mesmo as autoridades sabendo da inadequação que era a localização do matadouro na Cidade Alta o mesmo permaneceu no mesmo estado de coisas e falta de higiene por longos anos, até ser ventilada a possibilidade de sua remoção para outro lugar.

O prefeito Gentil Ferreira havia determinado em 1936 à Diretoria de Obras da Prefeitura de Natal, o levantamento da planta para a construção d e um edifício para o matadouro público da Capital potiguar, pois o que já havia não satisfazia as exigências de higiene tão necessário a departamento dessa natureza.

         A cerimônia de lançamento da pedra fundamental do novo matadouro público de Natal ocorreu em maio de 1938.

         A prefeitura de Natal adquiriu um terreno a margem do rio Potengi no bairro das Quintas. O novo equipamento público de Natal teria capacidade de abatimento de mais de 200 animais por dia.

De acordo com o jornal A Ordem na segunda semana de março de 1938 seriam iniciadas as obras de construção do novo matadouro público de Natal nas Quintas, em terrenos que foram desapropriados e pertenceram a Alfredo Edeltrudes de Souza (A ORDEM, 10/03/1938, p.4).

         A obra foi orçada em mais de 300 contos de réis, sendo a planta confeccionada pelo engenheiro George Munier. Os trabalhos foram confiados a Diretoria de Obras da Prefeitura.


Matadouro de Natal.

       Somente em 1947 foi adotada pela prefeitura de Natal a providência de transferir a matança de gado para o novo matadouro público construído na administração de Gentil Ferreira, nas Quintas, e foi medida que se fazia necessária desde o término daquele prédio.

      Havia mais de 50 anos que se abatia o gado e o fornecimento de carne verde à população natalense num prédio antiquado construído na rua da Salgadeira perto da linha férrea no Passo da Pátria, cujo local não se prestava mais para atender as necessidades do corte de gado, além do péssimo estado em que se encontrava o velho matadouro.

          Mesmo com a transferência da atividade de corte do gado para o novo matadouro das Quintas o prédio ainda precisava de algumas  adaptações a fim de ser definitivamente instalado o matadouro modelo de Natal.

A Ampliação do matadouro de Natal

         Por decreto de 15/02/1948 o prefeito da capital potiguar desapropriou, por ter sido considerado de utilidade pública, uma faixa de terreno no bairro das Quintas, de propriedade de Alfredo Edeltrudes de Souza com 3 metros de largura e 305 de comprimento, a fim de no mesmo ser construído o coletor do matadouro público ali existente (A ORDEM, 26/09/1947, p.2).

         De acordo com o jornal A Ordem seriam inauguradas em 21/02/1948 as novas instalações do matadouro público de Natal.Para assistir as solenidades foram convidadas autoridades civis e militares e o povo em geral (A ORDEM, 21/02/1948, p.6).

         Em 08/07/1948 uma comissão de vereadores esteve no matadouro público, além do prefeito e um representante do Diário de Natal.A finalidade da visita foi em decorrência de um requerimento apresentado a Câmara de Vereadores, de autoria do vereador Antonio Gouveia de que o matadouro necessitava melhorias urgentes da parte do prefeito, tendo citado entre outras coisas, que  o fornecimento de água ali era insuficiente, sua iluminação precária, que uma de suas dependências se encontrava ocupada por inflamáveis e outros materiais considerados perigosos.

         Segundo o repórter do Diário de Natal realmente foram feitas pelo prefeito Silvio Pedrosa as melhorias sugeridas pela Câmara Municipal comoo fornecimento de água de forma abundante que provinha de um poço tubular ali perfurado com capacidade para 75.000 litros cúbicos de água e movido  por um motor a gasolina, com o auxilio de um moinho de vento.

         A sala onde eram abatidas as rezes estava completamente higienizada, notando porém a reportagem, nuvens de moscas sabido mais tarde que eram comuns em todos os matadouros a estes insetos.

         Todas as dependências do moderno matadouro da capital foram percorridas pela comissão de vereadores acompanhados do prefeito Silvio Pedrosa, que dava as informações solicitadas. Na parte que foi apontada como deposito de inflamáveis  constatou o repórter do Diário de Natal pilhas de pneumáticos, tambores de óleo lubrificantes, graxas e outros acessórios.Esta dependência era alugada a uma empresa, o local não tinha piso, as paredes em parte eram rebocadas, não tendo porém, comunicação com as salas de operação do matadouro propriamente ditos, funcionando ali um pequeno escritório daquela empresa.

         As águas servidas corriam em sentido contrário, indo desaguar em pequeno esgoto interno daí tomando a direção de um grande deposito instalado em um dos lados, indo ter o seu fim no Potengi através de canalizações (DIÁRIO DE NATAL, 09/07/1948, p.6).

Em 27/02/1958 a situação do matadouro público da capital potiguar voltava a ser matéria do jornal Diário de Natal, cujo estado de higiene, que vinha sendo constantemente reclamadas pelo povo ao referido jornal, não eram das melhores.Segundo o jornal citado efetivamente o mau cheiro exalado dos resíduos que escapavam daquele local para a via pública não nada agradável.

         Ainda de acordo com o mesmo jornal já ia longe o tempo em que se precisava de um matadouro moderno, dentro dos foros de uma cidade que crescia a cada dia como era Natal (DIÁRIO DE NATAL, 27/02/1958, p.2).

       Já em 1964 foi incluído no plano administrativo do prefeito de Natal o matadouro público. De acordo com o Diário de Natal naquele ano: “em matéria de matadouro somos uns criminosos. Aquele próprio municipal, legalmente não existe” (DIÁRIO DE NATAL, 04/05/1964, p.8).O povo seguia o velho ditado que dizia que “o que os olhos não veem o coração não sente”, tal era a situação de falta de higiene do matadouro público de Natal nas Quintas.

Em 1965 a solução do problema da falta de condições de higiene do matadouro de Natal continuavam sem solução por parte da prefeitura.

A situação seria posta ao fim com a construção do FRIGONORTE, que é matéria para próximas postagens.

Presentemente o prédio do antigo matadouro de Natal é a sede da Urbana, autarquia que cuida da limpeza pública da capital potiguar.

Sede da Urbana, antigo matadouro de Natal.



O MERCADO DAS QUINTAS

 

O mercado do bairro das Quintas foi inaugurado em 22/061957 pelo prefeito Djalma Maranhão. O mercado viria a abastecer todo aquele subúrbio da capital potiguar e durante algum tempo o funcionamento foi bem, principalmente no que se referia a higiene.


Aspectos do mercado das Quintas


Passados 10 anos e o mercado e a medida que o mercado ia envelhecendo, o abastecimento ali era considerado razoável já em decadência.

A maioria da população que ali residia preferia se abastecer no mercado do Alecrim. Vários fatores concorreram para essa mudança, como por exemplo, houve um dia em que os locatários não puderam adentrar o recinto do mercado porque as portas não abriam devido a ferrugem e ao abandono em que se encontrava o prédio.

Em 1975 o abandono do mercado das Quintas pela prefeitura de Natal era total, segundo o jornal Diário de Natal. Foi comentado pelo vereador João Lucena que apelou ao prefeito no sentido de determinar a recuperação do prédio e instalações sanitárias. Disse ainda que os moradores das proximidades muito reclamavam com a sujeira do local e os comerciantes do mercado pediam maior segurança para o prédio (DIÁRIO DE NATAL, 14/11/1975, p.5).


Aspecto interno do mercado das Quintas em 1975.Foto: Diário de Natal.


Até o final do mês de novembro de 1975 seria restaurado o mercado das Quintas com mudanças nas instalações elétricas e hidráulicas, além de uma limpeza geral no teto (DIÁRIO DE NATAL, 18/11/1975, p.5).

O mercado das Quintas está situado na rua Pedro Nóvoa naquele bairro da capital potiguar.





Aspectos do mercado das Quintas.


O MERCADO DA AV 6 NO ALECRIM


O mercado construído entre a rua dos Canindés e a Av. Mário Câmara (av. 6) no Alecrim foi um da série de 3 mercados modelo construídos na administração do prefeito Agnelo Alves.

Construído para facilitar o acesso aos centros de gêneros alimentícios daquela região da capital potiguar, este mercado foi construído em estrutura metálica. Enquanto não se concluía a sua construção a população vinha se valendo do mercado do Alecrim na av. Presidente Sarmento, onde o lixo e as moscas eram um desafio a saúde pública ( O POTI, 29/09/1968, p.8).

Esse mercado foi construído com boxes variados, estacionamento para veículos e com instalações modernas, oferecendo conforto aos consumidores tendo suas obras iniciadas em 1969 a cargo do Batalhão de Engenharia do Exército.

         O edital de concorrência aberto em 22/04/1969 definia a obra como um prédio de alvenaria em estrutura principal metálica, abrangendo uma área de 3.000m² com único pavimento e tipo de acabamento médio (DIÁRIO DE NATAL, 24/03/1969, p.8).



Aspectos do mercado da av. 6

Interior do mercado da Av. 6 em 1971.Foto: Diário de Natal, 19/01/1971,p.1.


O MERCADO DE LAGOA SECA

 

A mais antiga menção a um mercado público no bairro de Lagoa Seca por nós encontrado data de 1948 registrado pelo jornal A Ordem onde se dizia que a prefeitura estava construindo um prédio para o açougue em Lagoa Seca, evitando assim que a população daquele bairro viesse até o mercado do Alecrim para comprar carne verde (A ORDEM, 28/05/1948, p.6).

Em 02/02/1958 as 10h00 foi solenizada a cerimônia da pedra fundamental do mercado de Lagoa Seca (O POTI, 02/02/1958, p.6).

Para a construção do mercado de Lagoa Seca foi despendido a quantia de Cr$ 200.000,00.

O mercado de Lagoa Seca foi construído entre a rua São José e a Av. Presidente Bandeira naquele bairro.

A construção do mercado de Lagoa Seca não foi pacifica entre a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, visto que o vereador Manoel Sátiro disse em discurso na sessão da Câmara de 09/07/1959 que o local onde a prefeitura estava construindo o referido mercado era impróprio (O POTI, 09/07/1959, p.3).

O mercado de Lagoa Seca teve vida curta, tanto que em 09/05/1974 a prefeitura abriu concorrência pública para serviços de adaptação do prédio que passaria a abrigar definitivamente a sede da Secretaria Municipal de Obras e Viação-SUMOV, levando, segundo a prefeitura a sede da SUMOV para o centro de área de expansão urbana de Natal. Em 09/01/1976 aquela secretaria já estava definitivamente instalada no antigo prédio do mercado de Lago Seca.





Prédio onde funcionou o mercado de Lagoa Seca transformado depois em secretaria da prefeitura de Natal.