sábado, 11 de abril de 2026

SOBRE A ANTIGA CAPELA DA GUARITA parte III


         Alem das missas semanais a vida religiosa da antiga na capelinha da de São  José na Guarita estava atrelada aos festejos do orago da capela.

         Das realizações das festas de São  José na Guarita tem-se o que se segue.

Em 19/03/1936 o jornal A Ordem registrou “terá lugar no próximo domingo, 22, a festa em honra do glorioso S., no bairro do Alecrim”.[1]

Constaria a festa  de um tríduo que teria inicio no dia 19/03/1936 e seria celebrado ás 18h30.

No sábado á noite teria uma barraquinha cujo resultado reverteria-se em beneficio da capela. No domingo haveria missa ás 9h, havendo ás 15h00 da tarde a fundação da Pia União do Trânsito de S. José e após, ás 16h00, a procissão, á qual seguir-se-ia o leilão.

Uma devota de São José, interessada pelo zelo da capelinha solicitava aos devotos a esmola de qualquer donativo para o leilão ou barraca. Aos que se dignassem atender a tão justa solicitação pedia-se o obséquio de levar a dádiva á residência dos vigários do Alecrim ou do sr. Celso Amaro na Guarita.

Celso Amaro aparece como um dos organizadores da festa de São José de Guarita.Ele era comerciante e residente a rua Sátiro Dias, nas proximidades da capela.

Em 20/03/1938 encerrando os festejos dedicados a São José na Guarita, houve missa cantada, ás 9,30. À tarde, ás 16h, realizou-se uma procissão percorrendo o bairro da Guarita.[2]

Antes da procissão, houve, ás 15h, a entrega das fitas da Pia União de São José aos novos associados.

Em 16/03/1939 havia começado o tríduo preparativo para a Festa de São José na Guarita daquele ano.[3]

No dia19/03/1939  houve missa ás 09h oficiada pelo o pe. Carlos Franik. Às 16h realizou-se a benção do novo Estandarte de São José.Em seguida houve a procissão, em que participaram inúmeras associações, que percorreu as principais ruas daquele bairro. Ao recolher-se a procissão foi dada a benção do S. S. Sacramento.

À noite de 18 e 19/03/1939 funcionou uma barraca em beneficio da Festa.

Na Capela de S. José da Guarita, iniciou-se em 28/03/1940, o tríduo em honra de São José, cuja festa seria realizada no dia 31.

O tríduo teve inicio ás 19h sendo presidido por um padre da Sagrada Família. No dia da festa, houve missa ás 6h30, com comunhão geral e procissão á tarde.[4]

Em virtude dos trabalhos realizados na Capela da Guarita, somente no dia 14/09/1941 realizar-se-ia a festa de São José naquela capela, promovida pela Pia União de São José. Essa festa seria precedida de um novenário, o qual se inicia ás 19h.

No domingo, 1ª noite de novena, haveria, ás 17h, o hasteamento da bandeira, com a benção do Altar e do Sino, sendo oficiante das cerimônias o Mons. João da Mata, Vigário Geral da Diocese. Após os exercícios diários haveria quermesse e outros divertimentos populares, tocando a banda de musica dos Escoteiros do Alecrim.[5]

No dia da festa haveria missa cantada ás 8h, com comunhão geral das associadas e devotos de São José. Às 16h sairia a procissão pelas ruas daquele bairro, conduzindo a imagem do glorioso Santo, sendo dada ao recolher a benção do SS. Sacramento. Após, haveria, além dos divertimentos populares, um animado leilão.

Iniciou-se ás 19 horas do dia 18/03/1943 na Capela de São José, na Guarita, o triduo preparatorio á festa do Santo Patrono, que se realizará no proximo domingo.

Celebrada pelo revmo. pe. José Biesinger, coadjutor da Matriz do Alecrim, haverá amanhã, ás 7 horas, missa com comunhão geral dos fieis.

Todas ás noites, depois do triduo, funcionará uma barraca, cujo rendimento será para as obras da Capela.[6]

Ás 19h do dia 09/03/1944 na capela da Guarita, teve inicio o novenario em honra do glorioso São José.

A festa esteve sob o patrocinio da Pia União de São José e fazendo as pregações o revmo. frei Antonio, do Convento dos capuchinhos da Cidade Alta.

No dia da festa houve missa cantada ás 8 horas, realizando-se á tarde uma procissão com a imagem do glorioso São José, que ao recolher, foi dada a benção do SS. Sacramento.[7]

Desde o dia 10/03/1944 vinha se realizando, na Capela da Guarita, um novenário, promovido pela Pia União de São José, em honra do seu glorioso patrono.[8]

Grande era o comparecimento de fiéis as celebrações ali realizadas, fazendo as pregações o frei Antonio, do Convento dos Capuchinhos na capital.

No domingo, houve missa cantada ás 8h, realizando-se á tarde, imponente procissão. Ao recolher, foi dada a benção do SS. Sacramento.

Promovida pela Pia União de São José da capela da Guarita, realizou-se, 19/03/1944, a festa do Glorioso Patriarca. Houve missa cantada ás 8 horas, pelo  Frei Antonio, que pregou ao Evangelho. Avultado foi o número de pessoas que participou do Banquete Eucaristico.[9]

À tarde saiu em procissão a imagem do Glorioso Santo, sendo ao recolher dada a benção do Santissimo.

Em 19/03/1947 na capela de São José, na Guarita, no bairro do Alecrim, o dia  estava  sendo festivamente comemorado. Precedida de um novenario, encerra-se a festa de S. José, tendo havido ás 6 horas missa de comunhão geral, com grande assistencia de fieis.[10]

De acordo com o padre Luis, pároco da Capela de São José, da Guarita, bairro do Alecrim, foram iniciados hoje os festejos em honra do glorioso São José. Os aludidos festejos tiveram caráter simples, constando do seguinte programa:

 

Dia 10 — ás 18.30 horas — Levantamento da Bandeira da festa.

 

De 11 a 18 — ás 6.00 horas — Missa em ação de graça e ás 19.30 horas — Novenas patrocinadas por D. D. Noitarios.

 

Dia 19 — ás 7.30 horas — Missa cantada acompanhada por orgãos, ás 16 horas — Procissão e ás 17,00 horas — Benção e encerramento.[11]

Antiga capelinha de São  José, na Guarita, no bairro do Alecrim, construida na rua Satiro Dias.

Queixas do povo

As famílias residentes na Guarita, reclamavam, por intermédio do jornal A Ordem, providências da Prefeitura de Natal no sentido de mandar remover o grande montão de lixo que estava sendo formado em frente á capela dali, causando má impressão a todos que por ali transitavam.[12]

“A reclamação é justa, e esperamos que a nossa edilidade tome as medidas necessárias”, registrou o referido jornal.

O recorte do texto do jornal demonstra que o local onde estava situada a capela já começava a da sinais de decadência.

O Padroeiro da Guarita

 São José foi proclamado por Pio IX o Patrono da Igreja Universal, o santo é tambem o Patrono da boa morte.

Mas outros muitos titulos podem lhe ser dados, com toda justiça. Ele é modelo dos chefes de familia, pela sua dedicação sem par, pelo zelo incessante, pelos excepcionais cuidados que prestou á sua esposa e ao filho adotivo, de que legalmente aparecia como o pai.

É  tambem o exemplo vivo do bom operario, cumprindo com exatidão os deveres profissionais, entregue a um labor de simples marceneiro.

Aparece-nos, ainda, como um modelo de cidadão, cumprindo as determinações legais que não contrariem sua consciencia, embora dificeis, como aquela do recenseamento, que o obrigou a tão longa viagem, de Nazaré, a Belém.

Como isto é diferente dos tempos de hoje em que de tudo se reclama, em que se prega a revolta, em que os comunistas procuram, mais uma vez, agitar o mundo, destruindo a unidade da familia, a segurança do Estado, a santidade da Igreja!

Nestes tempos atribulados precisamos recorrer constantemente a São José. Na sua enciclica contra o comunismo, o saudoso Pio XI declarou que para apressar a paz de Cristo no reino de Cristo, colocava a ingente ação da Igreja contra o comunismo.

Outras festas

         Alem das festas do padroeiro na capela da  Guarita se realizavam outras celebrações religiosas que eram parte da vida pastoral da antiga capelinha.

Celebrando a entrada do ano de 1936 houve, na Guarita, ás 3 horas da manhã de 1º de janeiro, uma missa celebrada na capela de S. José, pelo padre Theodoro Schuster, sendo convidados, por intermédio do jornal A Ordem, todos os moradores daquele arrabalde.[13]

A festa dos Reis Magos foi celebrada festivamente na Guarita em 1937, houve missa na capela de São José, na Guarita, ás 8h. A missa foi celebrada a pedido da Confraria do Transito de São José.[14]

Sob os auspícios da Juventude Feminina Católica, os operários do Cortume São Francisco fizeram 17/061945 sua páscoa, na missa que foi celebrada pelo  padre Henrique Kleffner, vigário cooperador da paróquia do Alecrim.[15]

A tocante cerimônia realizou-se ás 7h na capela da Guarita, situada naquele populoso bairro. A seguir foi servido um café a todos os comungantes.



[1] A ordem,19/03/1936,p.1

 

[2] A ordem, 20/03/1938,p.1

[3] A Ordem ,18/03/1939,p.4

[4] A Ordem ,28/03/1940,p.1

[5] A Ordem ,02/09/1941,p.1

[6] A Ordem,18/03/1943,p.1.

[7] A Ordem,09/03/1944,p.1.

[8] A Ordem,17/03/1944,p.1

[9] Aordem, 20/03/1944,p.1

[10] A ordem, 19/03/1947, p.4.

[11] A Ordem, 10/03/1947, P.1.

[12] A Ordem, 18/06/1948 ,p.5.

[13] A Ordem 29/12/1936,p.1

[14] A Ordem,05/01/1937,p.4

[15] A ordem,16/06/1945,p.6

 

SOBRE A NOVA IGREJA DA GUARITA

 

A comparação entre as duas imagens revela uma transformação profunda na Capela de São José, na Guarita, refletindo diferentes momentos da sua história e da sua relação com a comunidade.

A nova igreja de São Jose foi construída na Rua vereador Pereira Pinto, na Guarita.

Eis uma análise detalhada da evolução do prédio:

         Como se percebe pela analise das duas igrejas, a nova foi uma transformação arquitetônica e estética em relação a primeira.

A capela original apresentava uma arquitetura vernacular simplificada. Tinha um frontão triangular clássico, uma única porta em arco de volta inteira e pilastras simples nas laterais da fachada. Era um prédio de nave única, baixo e integrado à escala do bairro ferroviário.

 O prédio atual da igreja de São Jose e  uma construção de grande porte que  tornou muito mais eclético e monumental a igreja da Guarita.

A nova fachada é mais alta e possui dois pavimentos aparentes.Foram adicionadas volutas (elementos curvos nas laterais superiores), pequenas torres (cupulinos) nas extremidades e uma janela tripla central com arcos que remetem ao estilo neorromânico ou neogótico.

O uso de tons de amarelo com detalhes em branco realça os elementos decorativos, conferindo uma presença visual muito mais forte no cenário urbano atual.

         A primeira capela registra o período de decadência extrema, quando o local servia de esconderijo e marcenaria improvisada. A igreja atual mostra uma igreja plenamente ativa, bem cuidada e revitalizada.

Igreja atual da Guarita, construída na Rua vereador Pereira Pinto.

A primeira igreja da Guarita situada na rua Satiro Dias.

Enquanto na primeira foto a cruz no topo era quase imperceptível ou estava em meio a um prédio degradado, a versão atual ostenta três cruzes (uma central e duas nas torres laterais), reforçando sua identidade como templo católico.

 Contexto Urbano

Na imagem antiga, vemos um terreno de terra batida e vegetação rasteira desordenada. Na imagem atual, a igreja está perfeitamente integrada à malha urbana, com calçada pavimentada, portões de ferro para segurança e pintura conservada.

A presença de iluminação externa (projetores na fachada) e o revestimento cerâmico na base das paredes indicam uma preocupação moderna com a durabilidade e a manutenção do patrimônio.

A igreja atual da Guarita é um exemplo notável de resiliência do patrimônio comunitário. Do abandono total e à descaracterização funcional (marcenaria) da primeira capela para se tornar um marco arquitetônico muito mais elaborado do que o original.

 Embora a capelinha das linhas simples da capela primitiva evoquem ao sentimento de nostalgia do passado da Guarita,  a atual igreja, ganhou em imponência e continua sendo um ponto de referência histórico para a região da Guarita e do Alecrim, inclusive com porte de igreja matriz caso no futuro vier a se tornar paroquia.









 

SOBRE A ANTIGA CAPELA DA GUARITA parte II


Capela da Guarita abandonada

A Capela de São José, na Guarita, situada entre duas linhas férreas, estava abandonada há mais de um ano pela Paróquia do Alecrim e, após ter-se transformado em esconderijo de maconheiros, tornou-se uma oficina de marcenaria, segundo informava o jornal Diario de Natal em 1980.[1]

De acordo como refido jornal há quase quatro meses que a capelinha de São José virara refúgio para rapazes viciados em maconha, que, “após algumas baforadas no interior do lugar santo, começavam a praticar atos que atentavam contra a moral e os costumes”. Segundo uma moradora das redondezas, a solução era chamar a Rádio Patrulha, "mas muitos corriam e não adiantava nada".[2]

Para dona Maria do Nascimento, esposa de Francisco Pereira do Nascimento, conhecido por "Chicó", a solução foi transformar a capela numa marcenaria, "pois os maconheiros sujaram a igrejinha toda, acabaram com tudo, só ficou o altar". Como Chicó é exímio marceneiro, segundo os moradores da Guarita, o pároco da Igreja de São Pedro, padre João, resolveu permitir que ele tomasse conta da Capela de São José, o santo carpinteiro.[3]

Seu Chicó mora na Travessa Sátiro Dias, nº 2, distante 200 metros da capela imprestável para atos litúrgicos. Graças ao marceneiro, que trabalha pela manhã e à noite no local, (o altar, virou prateleira para guardar latas de tintas e ferramentas), a população da Guarita tem mais sossego. "Meu filho, a polícia vivia aqui pegando os meninos fumando. Era uma confusão danada, havia tiros, tapas, etc. Quando o marceneiro chegou, os viciados foram embora e a polícia não baixou mais aqui. Agora a gente dorme sossegada", disse dona Francisca da Silva.[4]

O estado atual da antiga capela da Guarita.


A capela da Guarita em estado de abandono ja em 1980.






[1] Diário de natal, 09/04/1980,p.10.

 

[2] Op.Cit.

[3] Op.Cit.

[4] Op.Cit.

SOBRE A CAPELA SÃO JOSÉ DA GUARITA parte I

 

         A capela de São José da Guarita é uma antiga capela pertencente a Paróquia de São Pedro do Alecrim, situada na rua Sátiro Dias, na Guarita.

A capela de São José na Guarita é anterior a 1935, pois naquele ano o jornal A Ordem já a citava como uma das capelas filiais da paróquia de São Pedro do Alecrim.

A doadora do terreno para a sua construção foi Candida Dantas,irmão do Mons.Alfredo Pegado Cortês, dedicada auxiliar das varias associações catolicas da paróquia do Alecrim.

“Foi uma das cooperadoras que ajudaram a construção da capela da Guarita, cujo terreno doou”,registrou o jornal A Ordem.[1]

         As missas eram geralmente ali celebradas aos domingos as 08h00.

         Em 27/03/1943 foi dada autorização pelo bispo diocesano ao Vigário para fazer uma procissão de São José na Capela da Guarita e para benzer as imagens de Nossa Senhora da Glória e de Santo Amaro.[2].

        Em 21/10/1945 houve uma concentração Vicentina na Matriz de São Pedro e visita á Conferência de São José, da Guarita

Concentraram-se, os Vicentinos, da Capital, ás 15h, na Matriz de São Pedro, do Alecrim, saindo, incorporados, deste Templo, em romaria á Capela de São José, da Guarita, onde visitaram a Conferencia local.

O Presidente do Conselho Particular lembrava aos Presidentes das Conferências Vicentinas a necessidade de convidar todos os confrades para se reunirem a hora e local acima mencionados, a fim de tomarem parte na visita coletiva dos vicentinos á Conferencia de São José.[3]

Missões de frei Damião

         A história da capela de São José da Guarita foi marcada também pelas santas missões realizada pelos missionário capuchinho Frei Damião, como as que se realizaram entre os dias 18 e 20/11/1946,[4]

De acordo com o jornal A Ordem os comunistas não estavam satisfeitos com as pregações do frade capuchinho em Natal  e tinham procurado sabotá-las de todas as formas. Na Guarita, levaram um alto-falante para perturbar a audição dos fiéis, “mas felizmente não encontraram nenhuma casa comercial ou familiar que permitisse a ligação do alto-falante”[5]

Entre os dias 10 e 11/02/1949, novas missões de Frei Damião foram realizadas na capela da Guarita. [6]

Análise do prédio da Capela de São José

A análise do prédio da Capela de São José, localizada na Guarita, revela detalhes importantes sobre sua tipologia arquitetônica e o estado de conservação no momento do registro histórico:

Estilo e tipologia arquitetônica

    Arquitetura da capela e estritamente religiosa vernacular. O edifício apresenta linhas simples, características de capelas de pequeno porte do início do século XX no interior e em bairros periféricos de grandes cidades brasileiras.

Possui um frontão triangular clássico, com uma pequena cruz ou adorno no topo. A entrada principal é marcada por um arco de volta inteira (pleno), um elemento comum na arquitetura de influência colonial e neoclássica.

A fachada segue uma composição simétrica, com pilastras laterais que emolduram o corpo principal do edifício.

Fonte Diario de Natal,1980.

         As laterais contam com janelas altas e estreitas, possivelmente para garantir a iluminação natural e ventilação, mantendo a privacidade do ambiente litúrgico.O telhado é de duas águas, utilizando telhas cerâmicas aparentes, típicas da região.

Localização estratégica

 A capela foi construída entre duas linhas férreas, a linha da GWBR que partia de Natal para Nova Cruz e a linha da EFCRGN que partia de Natal para Lajes e Macau, o que sugere que ela atendia à comunidade ferroviária ou aos moradores que se estabeleceram no entorno dos trilhos na Guarita.

A imagem restaurada e o texto do jornal Diário de Natal de 1980 confirmam um estado avançado de deterioração. A pintura externa está descascada, revelando o reboco ou a alvenaria subjacente, e a vegetação cresce desordenadamente à frente do prédio.

O edifício sofreu uma "profanação" funcional ao ser transformado de templo religioso em oficina de marcenaria. O relato menciona que o altar, antes sagrado, passou a servir como prateleira para latas de tintas e ferramentas.

O prédio passou de um centro comunitário religioso para um refúgio de marginalidade antes de ser ocupado pela oficina, refletindo a falta de manutenção institucional por parte da Paróquia na época.

Este prédio é um exemplo do patrimônio histórico-arquitetônico que muitas vezes se perde ou é transformado devido ao crescimento urbano e ao deslocamento das comunidades paroquiais.

Colorizado por Gemini


A antiga capela da Guarita numa possivel retauração e recuperação urbana do seu entorno.

Estado atual da capela da Guarita.










[1] A ordem,09/01/1948,p.4

[2] a ordem,27/03/1943,p.1

[3] A Ordem ,20/10/1945,p.1

[4] a ordem,07/11/1946,p.1

[5] a ordem, 27/1/1946,p.4.

[6] A Ordem,05/02/1949,p.4

sábado, 28 de março de 2026

SOBRE A COLETORIA DE RENDAS DE TAIPU


O prédio onde se situa a prefeitura de Taipu foi inicialmente destinado a Coletoria Federal de Rendas, ou seja, uma repartição pública fedral, responsavel por coletar os impostos de ordem federal, notadamente na Estrada de Ferro Sampaio Correia, entre outros.

A Coletoria de Rendas de Taipu

Em 01/09/1955 o Presidente da República sancionou, a resolução legislativa do Congresso Nacional, que criara coletorias federais em numerosos municípios de todo o País, dentre as quais a da cidade de Taipu.[1]

A criação dessa coletoria estava baseada em exposição de motivos do Ministério da Fazenda, que mencionava a necessidade de ampliar a rede fiscal da União nas unidades federadas.

O  referido decreto previu a criação de 600 funções de auxiliares de coletoria, o que  daria margem à admissão de extranumerários mensalistas.

A administração Pública: a expansão do Estado em Taipu

O documento sobre a criação das Coletorias Federais contextualiza a integração da cidade à rede fiscal e administrativa da União.

Fortalecimento fiscal. A sanção do decreto pelo Presidente da República visava ampliar a "rede fiscal da União", criando 600 novas funções de auxiliares de coletoria em todo o país.

  Impacto local. Para uma cidade como Taipu, a presença de uma Coletoria Federal significava maior relevância administrativa e a formalização das atividades econômicas locais perante o Governo Federal.

 Geografia administrativa: Este tipo de documento é fundamental para entender como o Estado brasileiro se "interiorizou" e como municípios do Rio Grande do Norte foram integrados a essa nova estrutura burocrática no século passado.


Antigo prédio da coletoria de rendas de Taipu já transformado em sede da Prefeitura.
Colorização: Gemini, 2026.

Foto original: Biblioteca IBGE.Data ignorada.

                   

       No inicio da década de 1980 o prédio da coletoria de rendas foi transformado na sede da prefeitura de Taipu, situação que perdura até o presente momento.

Sobre o prédio

O edifício da antiga coletoria de rendas de Taipu que abriga atualmente a prefeitura apresenta uma arquitetura intrigante que reflete um período de transição no Brasil, possivelmente entre as décadas de 1930 e 1950. Embora pareça modesto em comparação com as grandes obras metropolitanas, ele exibe clareza e funcionalidade, com traços claros de dois estilos principais:

Platibanda e simetria (influência Neoclássica/Eclética):

A fachada principal exibe uma forte simetria, com o corpo central elevado onde está a porta principal, ladeado por duas alas laterais com janelas. Essa composição é típica da tradição neoclássica e eclética, que buscava ordem e solenidade para os edifícios públicos.

 O uso da platibanda (o muro que esconde o telhado) é um elemento chave. Ele foi muito popularizado no final do século XIX e início do XX para "modernizar" as fachadas, eliminando a visão dos beirais coloniais e dando uma aparência mais robusta e urbana.

Geometria e despojamento (Influência Art Déco/Protometropolitana):

A influência mais marcante é a do Art Déco, visível na simplificação das formas e na ornamentação geométrica sutil.

A inscrição "PREFEITURA" (à esquerda) e "MUNICIPAL" (à direita) em letras de relevo geometricamente precisas é um traço quintessencial do Art Déco. O letreiro não é um mero apêndice, mas parte integrante da composição da fachada.

Corpo central

O ressalto geométrico sobre a porta principal, que quebra a horizontalidade da platibanda, é um detalhe geométrico simples que adiciona interesse visual e destaca a entrada, comum no Art Déco.

Janelas

As janelas eram simples, com molduras retas, sem a ornamentação rebuscada dos estilos anteriores. Elas serviam a um propósito funcional de iluminação e ventilação, mas mantêm a coerência geométrica.

Contexto e significado

Este prédio não é apenas uma estrutura; é um símbolo de um período de "modernização" das cidades do interior do Brasil. A escolha do Art Déco para um edifício público, mesmo que em uma escala modesta, representava a aspiração ao progresso e à organização burocrática e urbana.

A escadaria frontal

A escadaria de acesso elevado e centralizado acentua a formalidade do prédio, criando uma separação entre a "rua" e a "autoridade" municipal.

A colorização e a interpretação do passado

A colorização foi baseada em estudos de padrões cromáticos históricos comuns para edifícios públicos dessa fase.

Tons de bege ou creme eram comuns para as paredes, com detalhes em branco para molduras e elementos de relevo. O rodapé escuro e a porta em tom de madeira trazem contraste e realçam a base da estrutura.

Esta análise e restauração oferecem uma janela para o passado de Taipu, mostrando como a cidade abraçou a modernidade em sua arquitetura administrativa.

O prédio passou por alterações ao longo do tempo o que descaracterizou sua arquitetura original.



[1] Jornal do Brasil,02/09/1955,p.7.