O mapa a baixo foi extraído da Enciclopédia do Municípios Brasileiros, publicado pelo IBGE em 1960 e mostra como estava configurado o território de Taipu no final da década de 1950, precisamente em 1958 quando foi realizado o estudo para a publicação citada.O mapa tem um valor histórico e simbólico muito grande para Taipu pois por meio dele se pode ter luzes sobre a formação territorial do município.
Taipu é uma terra pequena, onde, dos devaneios de nossos avós, amores dos nossos pais e sonhos enluarados da infância, fazem dela o relicário da nossa meninice, tão longe e tão perto do coração. Dir-se-ia que naquele rincão descansava a felicidade no meio da carência de tudo. Luís Viana, poeta taipuense.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2014
SOBRE ARQUEOLOGIA DO RN
O excelente trabalho do historiador Tarcisio Medeiros Proto
História do Rio Grande do Norte é a base
de que nos valemos para tratar desse tema que ora nos dispomos a fazer.
Os animais da megafauna no Rio Grande do Norte são datados
do final da era Cenozóica no período Quartanário e época Pleistocena indo até o
final helocena ( Cf. Medeiros, 1885, p.67), esse período corresponde ao ultimo
milhão de anos dentro da escala ...
Para Medeiros (op. Cit, p.67) essa fase dos animais da
megafauna antecede as primeiras civilizações megalíticas os quais foram
encontradas e caracterizadas no término do século XV.
A pesquisa arqueológica no RN recomeçou a partir de 1960 pelo setor de paleontologia
do Museu Nacional e da UFRN, no entanto os primeiros achados arqueológicos no
estado do RN datam de 1838.Trata-se de um envio ao museu Nacional no Rio de
Janeiro de uma ossada de mastodonte pelo 2º vice presidente da província o Dr.
Pinangé, entretanto essa mostra não foi identificada de modo que não referencia
ao município, distrito , vila ou cidade em que foi encontrado tal amostra.
Os depósitos da era Cenozoica encontrados no RN apresentam
variada representação de mamíferos, podendo ser citadas as seguintes:
Toxodon platenis OWEN ( lembra vagamente um hipopótamo,
rinoceronte),
Haplomastodon ( um tipo de elefante),
Eremotherium ( preguiça
gigante),
Glyptodon ( tatu Gigante),
Panocthus ( outra espécie de tatu),
Smilodon
populator ( tigre dente-de- sabre)
( op. Cit, p.72).
Locais em que foram achados fosseis no RN
Foram identificadas segundo Medeiros ( 1985, p.72) jazidas
de fosseis em vários municípios de estado dentre os quais: Nova Cruz, lagoa do
Cruz, e no município de Taipu.Na Lagoa do Cruz foi achada um molar de
mastodonte enquanto que na fazenda Gameleira, em Taipu foi encontrado molar e
vértebras de mastodonte.
Os depósitos
Quartenarios do RN são geralmente encontrados em cacimbas, tanques,
grutas calcárias, olho d’água etc.
Assim, Medeiros é da opinião que sem duvidas no solo do
espaço ocupado atualmente pelo Rio Grande do Norte que existiram, viveram e
morreram animais do porte da megafauna
na era Cenozoica, período do Quaertenario, época do Pleistoceno ( op.
Cit, p.73) Diante do exposto afirma ele ainda que a conclusão que se chega é de
que a presença do homem em comum com esses animais da megafauna no mesmo território é mais antiga do que se
considerava habitualmente. ( op. Cit, p. 73).
A presença humana no período da megafauna. O caçador e
coletor no RN
No período da megafauna há evidencias da existência de
grupos humanos habitando a região do nordeste brasileiro e em particular no Rio
Grande do Norte no período do Pleistoceno e inicio do Holoceno, esses grupos
humanos viviam em comum com os animais de grande porte ( cf. Medeiros, 1985,
p.74)
Segundo a geologia nessa região da terra houve nessa fase
uma grande baixa de temperatura acompanhada de enorme recuo do mar em cerca de
80 metros abaixo do atual nível do mar.A esse fenômeno dá-se o nome de
glaciário, que é parte da época pleistocênica caracterizada pela extensão das geleiras polares ( op, cit, p. 74).
Nessa abertura de caminhos e trilhas das águas o caçador e
coletor nômade ingressou no continente
sul-americano através dos Andes em busca de clima mais ameno chegando até ao
Planalto Central do Brasil e daí ao Nordeste e ao RN (op. Cit, p74) assim, tanto pelo norte como pelo sul a
America do Sul já se achava povoada há cerca de 11.000 anos.Por esses indícios confirma-se a presença de grupos que
habitavam o nordeste brasileiro cujos povos se caracterizavam por serem
caçadores e coletores e onde a base de sobrevivência era a a caça, a pesca e a coleta de frutos e raízes
selvagens ( idem).No Rio Grande do Norte essa fase da presença do homem da megafauna foi achada
em vestígios nos sítios dos municípios de Angicos e Assu (op. Cit, p. 75).
O material colhido nesses lugares foram classificados em 6
grupos, a saber: raspadores, furadores,goivas,pontas, facas, plainas.Esse
matérias foram encontrados juntamente com ossos de animais de grande porte
fossilizados (idem).
Esse material segundo Medeiros ( 1985, p. 75) é fabricado
rusticamente, trabalhados em lascas
espessas direcionada ao processo funcional de caráter unifacial fabricado sobre quartzo e quartizito usando técnicas de
espatifamento sendo raros os retoques.
Características dos humanos da megafauna potiguar
Segundo Medeiros ( 1985, p.76) o macho da megafauna potiguar
tinha 1,60m e a fêmea 1,50m. Possuíam osso robustos com inserções musculares
muito marcadas, braquicefalos ( cabeça chata e larga), rosto de malar [molar?]
saliente e dentes fortes.(o grifo é nosso).
Para se proteger do frio
da fase glacial usavam roupagem bastante afogada, cabeça recoberta por
peles de animais e moravam em cavernas, abrigos ou em campos a céu aberto, em
locais elevados com possibilidade de defesa e perto de um curso d’água.
No RN possuíam como economia básica a caça predatória de
animais da megafauna complementada pela caça geral, pesca, coleta de frutas
silvestres, sementes e raízes, conheciam o fogo, pois em suas cavernas foram
encontradas lareiras e cavidades em formato de leques aberta na rocha ( op.
Cit, p.76)
A época megalítica no RN
Na America e no Brasil conforme Medeiros ( 1985,p.77) o
homem nômade da megafauna foi substituído pelo homem sedentário megalítico (
que da fases mesolítica ou neolítica). Chegando ao nordeste e ao RN foram então
responsáveis pela miscigenação dos chamados grupos paleoameridios na formação
das nações paleo-indias brasileiras, entre as quais os potiguares ( Tupis) e
Cariris que passaram a habitar o atual estado do Rio Grande do Norte.
Eremotherium ( preguiça gigante),
Eremotherium ( preguiça gigante),
Smilodon populator ( tigre dente-de- sabre)
Artefatos megalíticos no interior do RN
A maior concentração de material lítico, cerâmica outros objetos da megafauna é procedente da
zona oeste do RN sobretudo Mossoró e Apodi, no agreste , em São Paulo do
Potengi e em Taipu nas imediações de Barreto[1],
Riachuelo e Caiçara do Rio dos ventos.
Sobre os achados em Taipu
Sobre s achados arqueológicos encontrados na região que compreendia o município de
Taipu na época em que foram achados se encontra a presença de machados.Segundo
Medeiros ( 1985,p.79) foi achado em
Barreto (atual Bento Fernandes) um machados sem saliências ou sucos em forma de
crescente e não parecem que seja de finalidade de guerra mas representativo ou
simbólico.Ainda no distrito de Barreto ( Taipu) foram achadas pontas de flechas
fabricadas em sílex (pedra fígado de galinha) (op. Cit. P.80).
Referencia: Medeiros, Tarcisio .Proto História do Rio Grande do Norte .Natal: EDUFURN, 1985.
[1] Na
época dos achados arqueológicos o distrito de Barreto integrava o município de
Taipu atualmente é o município de Bento Fernandes.
Sobre a destruição parcial da ponte do Umari em Taipu
A enchente de 1964 que destruiu a barragem de Poço Branco, ainda em construção deixou seu rastro de destruição em Taipu nas duas pontes que cruzam o municipio.A ponte ferroviária do distrito do Umari e a ponte rodoviária da BR-406.Em relação a ponte ferroviária o jornal O Estado de S.Paulo (08/07/1964, p.36) noticiou que: "A RFN informa que os trilhos estão totalmente cobertos de
água [...] acrescentando que a ponte de
Taipu sobre o rio Ceara Mirim, no Rio Grande do Norte, ruiu interrompendo o
trafego ferroviário".O distrito do Umari fica a 4 km da sede municipal, ou seja, da cidade de Taipu é cortado pelo rio Ceará Mirim possui férteis terras ao longo das margens desse rio.
As imagens a baixo nos dão uma nítida ideia do desastre ocorrido na ponte ferroviária de Taipu.As imagens foram cedidas pela Superintendência da CBTU de Natal pela qual somos gratos.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Um olhar sobre Taipu na dácada de 1970
Cabe a memória recriar o passado trazendo para o presente as lembranças que foram vivenciadas, registradas e sentidas por uma pessoa, um lugar ou comunidade. O trabalho que nos propomos a fazer é trazer para o presente um pouco da história de Taipu-RN por meio dos registros fotográficos a qual pode nos ajudar a compreender o passado vivido nesse município potiguar.
As imagens que compõem este trabalho é fruto da doação da irmã Natalina Rossetti, da Congregação do Imaculado Coração de Maria em 2003 quando foi realizada uma exposição fotográfica para celebrar os 90 anos de criação da paróquia Nossa Senhora do Livramento.
As imagens estavam em positivos de slides e na época foi apresentada com o auxilio do aparelho projetor. Ao final da exposição elas foram doadas ao coordenador da exposição que ora é o autor deste trabalho á época exercia a função de coordenador do grupo de jovens Renascer. Essas imagens revelam os aspectos do município, sobretudo da cidade, de Taipu no final da década de 1960 e inicio da década de 1970. Foram registradas pelas irmãs do Imaculado Coração de Maria que faziam parte da comunidade homônima e pela qual eram responsáveis pela administração da paróquia de Taipu desde 1964 quando vieram da cidade de Porto Alegre-RS para essa finalidade. A partir de então as atividades das irmãs passaram a serem registradas para serem enviadas em relatórios a província da congregação em Teresina-PI e posteriormente a Sede Geral em Porto Alegre-RS.
As experiências aqui descritas foram vividas num lugar. Lugar chamado Taipu, parte integrante do território do Rio Grande do Norte. Emancipado politicamente de Ceará Mirim em 10 de março de 1891. Desde então se começou a fazer uma experiência significativa de pertencimento a este lugar habitado desde o inicio do século XVII, mas que só agora com sua autonomia lhe são atribuídas novos significados políticos e sociais.
O lugar vivido é o lugar onde ocorre a vida, é o lugar de existência e das experiências. É um pedaço do mundo que diz quem, somos como somos, como vivemos, como nos inter-relacionamos com a terra e seus seres.
Agradeço imensamente a irmã Natalina Rossetti de saudosa memória pela sua confiança depositada em mim desse valioso registro iconográfico de Taipu
procissão na rua em frente a Matriz, 1972.
Espaço em frente ao mercado onde mais tarde seria construída a praça 10 de março 1972
Procissão da festa da padroeira de Taipu.Novembro de 1972.
Missa de encerramento da festa da padroeira. 1972
Vaquejada em Taipu no largo do mercado.1972.
Vaquejada em Taipu no largo do mercado.1972.
A falta de água potável sempre foi um problema em Taipu. Na foto pessoas aguardando a chegada da água em frente ao prédio da antiga TELERN. 1978.
Desfile cívico descendo a rua principal de Taipu ( rua Antonio Alves da Rocha), 1977.
espaço onde atualmente se localiza a escola estadual Clotilde de Moura Lima.1977. Nesse periodo o local foi utilizado para se fazer um horta comunitária projeto das irmãs do ICM.
Desfile de inauguração do estadio de futebol o Geraldão, salvo engano em 1979, na foto pode-se se vê a entrada da cidade e a BR-406.
Desfile cívico descendo a rua principal de Taipu logo depois da estação ferroviária, 1977.
Desfile cívico descendo a rua principal de Taipu logo depois da estação ferroviária, 1977.
Pessoa aguardando a chegada de água potável em Taipu, ao fundo a direita se vê o predio da antiga TELERN, 1978.
Rua principal de Taipu ( rua Antonio Alves da Rocha), 1978.
Procissão chagando no patamar da igreja matriz. 1972.
Duas mulheres posando no largo da estação ferroviária.A estação de Taipu sempre foi um simbolo de identidade cultural da cidade. 1977.
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