sábado, 14 de agosto de 2021

NOTAS SOBRE O MUNICÍPIO DE PEDRA PRETA


Pedra Preta é um do municípios da Região Central do Estado e também um dos que foram beneficiados pela passagem dos trilhos da EFCRGN, que aliás tem sua história determinada justamente pela chegada dos trilhos daquela ferrovia tendo sido colocado literalmente no mapa do Brasil e do Rio Grande do Norte.

Eis a seguir algumas notas que contribuem para a memória histórica desse pedaço de chão potiguar.

Dos primórdios históricos de Pedra Preta consta que já em outubro de 1736 Rodrigo Alves Carneiro recebeu terras no rio da Pedra Preta. Foi nessa segunda metade do século XVIII que decorre a movimentação povoadora na região onde atualmente se encontra o município de Lajes por meio da atividade pastoril e durante o século XIX a região de Pedra Preta possuía atividade rural pacata e incipiente.

Os trabalhos de construção da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte determinaram a fixação populacional na área adjacente ao trajeto da ferrovia, facilitando o escoamento da produção agrícola tanto para as cidades intermediárias como para o litoral 

A chegada da ferrovia no território de Pedra Preta ocorreu em 13/11/1913 quando foi ali inaugurada a estação ferroviária. A época a localidade pertencia ao municio de Jardim de Angicos que no ano seguinte passou a Lajes por transferência de sede municipal daquela para esta vila.

Aspectos da cidade de Pedra Preta com destaque para a estação e armazém ferroviário.


Localidade tipicamente agrícola como a maior parte dos municípios do estado a época, Pedra Preta começou a se desenvolver após a inauguração da estação ferroviária a qual figurava como uma espécie de janela aberta para o restante do estado por meio do transporte de passageiros e escoamento da produção agrícola ali cultivados sobretudo na cultura do algodão.

Uma grande tempestade

Ainda de acordo com o Jornal do Comércio de Manaus em 17/03/1919  desabou sobre o lugar Pedra Preta, no município de Lajes, uma chuva torrencialíssima, acompanhada de fortes lufadas de vento, que destelharam casas e abateram diversas árvores (JORNAL DO COMÉRCIO, AM, 17/03/1919, p.1).

Citada como povoado

Em 1921 Pedra Preta é citada como povoado do município de Lajes ( ALMANAQUE LAEMMERT, 1921, p.832) e naquele mesmo ano foi criada primária de Pedra Preta do município de Lajes ( RELATÓRIO DO PRESIDENTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, 1921, p.22).

Uma parada de trem

Em 1924 atendendo ao que requereram os proprietários nas povoações de São Vicente e Baixa de Angicos situadas nas proximidades do km 118 da EFCRGN entre as estações de Jardim e Pedra Preta, o ministro da viação autorizou a construção do abrigo para mercadorias no referido local ficando a cargo dos requerentes a construção do abrigo para mercadorias e passageiros (O BRASIL, 27/12/1924, p.4).

Em 1927 foi proposta pela superintendência dos correios a criação de diversas agências de 4ª classe no interior do estado, dentre estas a de Pedra Preta (Mensagens do Governador do Rio Grande do Norte para Assembléia,1927, p.140).

O distrito policial

De acordo com o Jornal do Comércio de Manaus-AM em 22/10/1917 no município de Lajes foi criado mais um distrito policial  com a denominação de Pedra Preta (JORNAL DO COMÈRCIO,AM, 22/10/1917,p.1).Trata-se evidentemente da povoação de Pedra Preta.

Em 01/01/1935 foi nomeado o subdelegado do distrito de Pedra Preta, do município de Lajes, o sargento Severo Francisco da Rocha (A ORDEM, 01/11/1935,p.1), já em 04/09/1938 foi nomeado Mahir Varela para o cargo de subdelegado de Pedra Preta (A ORDEM, 04/09/1938, p.2).

Comerciantes

Como toda localidade pequena do interior do estado o distrito de Pedra Preta tinha o seu comércio pouco desenvolvido, porém, o jornal A Ordem cita alguns comerciantes em suas colunas sociais, demonstrando serem estes de prestigio naquela localidade. Foram eles citados no referido jornal: José Costa Alecrim (A ORDEM,08/01/1936,p.2), Manoel Antunes de Souza (A ORDEM,20/01/1937,p.4), João Bandeira Sobrinho ( A ORDEM, 17/09/1951, p.2).

Aspecto da cidade de Pedra Preta.


O cartório de registro civil

       Em 1934, de acordo com a lei de organização judiciária do Estado foi criado o oficio de registro civil de nascimentos e óbitos na povoação de Pedra Preta (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 16/09/1934, p.2).Em 26/11/1938 o interventor federal assinou o decreto o qual criava o cartório nascimento e óbitos no distrito administrativo e judiciário de Pedra Preta ( A ORDEM, 26/11/1938, p.1).

O distrito administrativo e judiciário de Pedra Preta foi criado em 1938.Em 03/01/1939 foi nomeado interinamente Nair Varela de Souza para o cartório do registro civil de nascimento e óbitos, compreendendo o distrito administrativo e judiciário de Pedra Preta, no município de Lajes (A ORDEM, 03/01/1939, p.4)

A primeira  santas missões de Frei Damião

A primeira visita do frade capuchinho Frei Damião de Bozanno para realizar santas missões em Pedra Preta ocorreu entre 30/01 e 01/02/1937 ( A ORDEM,16/12/1937,p.4).

Educação

Conforme fora publicado no jornal recifense Diário da Manhã em 11/01/1935 ocorreria a cerimônia de inauguração do edifício destinado a Escola Isolada de Pedra Preta, prospero povoado do município de Lajes. (DIÁRIO DA MANHÃ, 10/01/1935, p.3).

Em 14/02/1942 Maria Hadar Nelson foi promovida a professora de 2ª classe na Escola Isolada de Pedra Preta (A ORDEM, 14/02/1941, p.2), tendo sido esta professora promovida  do cargo de 3ª classe para 2ª em virtude da promoção de Maria do Nascimento Trigueiro lotada na mesma escola isolada (A ORDEM, 26/12/1944,p.2).Em 1945 Bilga Barros exercia função de professora primária em pedra Preta (A ORDEM, 07/04/1945, p.2), Maria Bezerra da Cunha foi nomeada para exercer o cargo de professora substituta na Escola Isolada de Pedra Preta durante a licença da titular ( A ORDEM,11/05/1945, p.2).

O decreto nº 1.304 de 18 de outubro de 1948 deu a denominação de Escola Professora Gercina Diniz à Escola Isolada de Pedra Preta (A ORDEM,18/10/1948,p.2).

Em 19/02/1958 Aurea Cândida da Costa foi nomeada como diretora da Escola Isolada de Pedra Preta, no município de Lajes ( DIÁRIO DE NATAL, 19/12/1958, p.3).

Juiz distrital

Em 20/07/1945 foi nomeado Rivaldo Varela de Souza para exercer o cargo de 2º juiz distrital do distrito judiciário de Pedra Preta durante o triênio 1944-1946 ( A ORDEM, 20/07/1945, p.2).

Em 08/05/1949 foi nomeada Isabel Dias de Melo para exercer interinamente o cargo de escrivã compreendendo os processos de habilitação de casamentos e o tabelionato do Cartório do Distrito Judiciário de Pedra Preta, do Termo de Itaretama (Lajes) ( DIÁRIO DE NATAL, 08/05/1949, p.6).

O Itaúna Esporte Clube

Em 02/05/1936 foi criado o Itaúna Esporte Clube de Pedra Preta, salvo engano a primeira agremiação de futebol daquele distrito. Sua primeira diretoria foi assim constituída: Vicente Teixeira Alecrim, presidente, Abdenago Juruá Gomes, vice-presidente, Ari Alecrim, secretário, Severino Sérvulo, 2º secretário, Virgilio Benfica, orador, Luiz Oscar, tesoureiro, Rivaldo Varela, 2º tesoureiro e Olímpio Procópio, diretor de esportes (A ORDEM, 02/05/1936, p.4).

A queda do avião

Em 15/12/1947 ocorreu um acidente de avião do Aeroclube de Natal caindo o mesmo nas matas do município de Pedra Preta, distrito do município de Itaretama (Lajes), vindo a morrer o piloto José Pereira Lima.

No avião procedente de Mossoró viajavam o deputado estadual pela UDN, Dix Huit Rosado e o jornalista e então vereador carioca Carlos Lacerda do mesmo partido, aquele ficou ferido e este escapou ileso ao acidente ( A MANHÃ,16/12/1947, p.8).

Festa cívica em Pedra Preta

Uma da festa cívicas mais antigas registradas em Pedra Preta consta a que foi realizada como parte das comemorações da Semana da Pátria no dia 07/09/1955, sendo comemorada a data solene com festividades cívicas, atividades esportivas e artísticas, havendo preleção na escola local seguida de formação e desfile de alunos do principal estabelecimento de ensino daquela localidade. Na parte da tarde houve uma vaquejada e a noite um drama realizado pelas alunas da escola local (O POTI, 04/09/1955, p.6).

 A emancipação politica e administrativa

A campanha pela emancipação politica e administrativa do distrito de Pedra Preta tem inicio em 1962.Pedra Preta seria um dos tantos municípios criados no inicio da década de 1960, todos sem condições para serem criados, sobretudo pela insuficiência de número de habitantes exigidos pelas leis vigentes para criação de municípios, no entanto, a criação destes municípios tiveram lugar devido a interesses políticos de deputados estaduais que tinham nesses lugares os seus redutos eleitorais.

Em 17/08/1962 foi criado assim o município de Pedra Preta, que segundo o jornal Diário de Natal não tinha condições nem para ser distrito administrativo (DIÁRIO DE NATAL, 17/08/1962, p.4).Pedra Preta foi o quarto município criado por desmembramento do território de Lajes, tendo sido os outros dois Jardim de Angicos e Caiçara do Rio dos Ventos no mesmo ano, além de Jandaíra em anos anteriores.

De acordo com o Diário de Natal a onda de criação de municípios atingiu seu clímax na sessão de 16/01/1963, quando o presidente da Assembleia Legislativa que já havia encerrado a reunião e encontrava já no seu carro por insistência de alguns deputados voltou ao plenário para presidir uma nova sessão a qual aprovou a criação de dois municípios desmembrados de Lajes, sendo estes Caiçara do Rio dos Ventos e Pedra Preta, ambos de autoria do deputado Ramiro Pereira ( DIÁRIO DE NATAL, 17/01/1963, p.6).

Ao ser criado o município delimitou-se seu território em  213 km².

Aspecto aéreo da cidade de Pedra Preta.


A primeira eleição

A primeira eleição para prefeito realizada no novo município de Pedra Preta foi disputada por dois parentes sendo ambos pertencentes as fileira da Cruzada da Esperança. Mair Varela foi o candidato apoiado pelo deputado Ramiro Pereira e Francisco Cabral da Silva foi apoiado por Osmar Varela.

Dos 870 eleitores cadastrados em Pedra Preta em 1963 compareceram  eleição realizada naquele ano 671 eleitores.

O primeiro prefeito eleito de Pedra Preta foi Osman de Souza Teixeira da coligação PDC/PSD que obteve maioria de voto de 182 sobre o candidato do PTB apoiado pela UDN, Mair Varela de Souza.

Prefeitos

Em 1965 o município contava 864 eleitores.

Em 1968 João Batista Bandeira venceu a eleição municipal em Pedra Preta com maioria de 368 votos.

Em 1972 venceu a eleição em Pedra Preta Osman de Souza Teixeira da ARENA com 579 votos.

Em 1977 Saturnino Teixeira foi eleito prefeito derrotando o ex-prefeito João Batista Bandeira.

Fechamento da agência postal

Em 1969 a agência postal isolada de Pedra Preta foi uma das 28 que foram fechadas pela Diretoria Central dos Correios no interior do estado em virtude do decreto do presidente Costa e Silva.

Demografia

De acordo com o Censo de 1970 a população do município de Pedra Preta era de 2.662 habitantes, dos quais 1.353 homens e 1.287 mulheres, Na sede municipal habitavam apenas 392 pessoas. Este foi o primeiro levantamento oficial da população após a criação do município de Pedra Preta, criado havia 8 anos.



Aspecto da cidade de Pedra Preta.


Energia de Paulo Afonso

A energia da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso-BA pela COSERN em Pedra Preta foi inaugurada em 03/04/1974.De acordo dom o jornal O Poti para  o prefeito de Pedra Preta Osmar Teixeira "o atual Governo estadual foi o primeiro a se lembrar da cidade, trazendo o beneficio da energia elétrica" e finalizando seu discurso disse que:  "saímos agora de uma cegueira de mais de 50 anos".

Representando o fundador da cidade Manoel Antunes de Souza, a época com 90 anos, o seu neto Bóris Tupinambá declarou ao governador Cortez Pereira que a cidade de Pedra Preta contava com um motor a óleo diesel que funcionava precariamente desde 1924 (O POTI, 03/04/1974, p.7).

O governador Cortez Pereira terminou o seu discurso de inauguração da energia elétrica em Pedra Preta prometendo voltar a cidade para inaugurar a instalação de um telefone público: "voltarei a Pedra Preta e digo que virei acabar com a mudez da cidade, com a instalação de um telefone público.  Aí Pedra Preta falará com Natal e o resto do Brasil ainda este mês", afirmou Cortez Pereira (O POTI, 03/04/1974, p.7).

Panorama em 1977

Em 1977 exercia o cargo de prefeito em Pedra Preta Saturnino Teixeira, sendo o vice-prefeito Clóvis Alves da Cruz.

A Câmara de Vereadores estava composta pelos seguintes vereadores: Francisco Bezerra Bandeira, Manoel Teixeira de Souza, José Joaquim Câmara, Vicente Daniel de Souza, Francisco Canindé Bandeira, Francisco Porfirio Xavier e Francisco Lopes Netos, todos da ARENA.

Exercia o cargo de juiz de direito Carlos Roberto Coelho, o de promotor Paulo Coelho da Nóbrega, titular, José Wilson Arnaldo da Câmara Gomes Neto, substituto.

A população estimada era de 3.181 habitantes, tinha por atividades econômicas a cultura agrícola, pecuária, extração mineral de cal, exportava algodão em caroço e importava os gêneros de alimentação em geral (DIÁRIO DE NATAL, 18/10/1977, p.14).

O município tinha ligação por rodovia com Jandaíra (RN-129) com 36 km de distância, João Câmara (RN-263) com 40km de distância, Jardim de Angicos (RN-263 e RN-1290) com 45 km de distância, Caiçara do Rio do Vento (RN-263 e RN 129) com 33 km de distância, Lajes (RN-263) com 27 km de distância, Natal (RN-263, RN-129 e BR 304 e RN-263 e BR 406) com 141 e 106 km de distância respectivamente.

Estava servido pela Estrada de Ferro RFFSA ligando-se a João Câmara com 36 km de distância, Jardim de Angicos, 18 km, Lajes, 25 km e Natal, 124 km.

O prédio da Câmara de Vereadores, biblioteca e cartório de Pedra Preta

         Em 17/11/1980 seria inaugurada pelo governador Lavoisier Maia o prédio de dois pavimentos onde funcionaria a Câmara de Vereadores, a biblioteca e o cartório de Pedra Preta. De acordo com o jornal O Poti, o prefeito Saturnino Teixeira promoveria uma verdadeira concentração pública que contaria além do povo com a participação de todos os prefeitos da Região Centro Norte do Estado. (O POTI, 16/11/1980, p.24).

Praça e igreja de Pedra Preta.


Estação ferroviária de Pedra Preta marco histórico da cidade.



Câmara Municipal de Pedra Preta.



Fotos: prefeitura de Pedra Preta.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

A CAPELA DA PRAIA DE AREIA PRETA

      
     Quem passa pela avenida Silvio Pedrosa em Areia Preta deve ter se deparado com uma capelinha ali existente encrustada entre dois grandes arranha-céus defronte para aquela aprazível praia urbana da capital potiguar. Alguém, assim como eu deve ter em algum momento se perguntado qual a origem daquele templo católico naquele pitoresco lugar. Eis pois, a seguir sua história.
     Em 1937 o jornal A Ordem registrava que estava em exposição na casa Gondim uma imagem de Nossa Senhora do Bom Parto encomendada para a capela da Praia do Meio (A ORDEM,14/09/1937, p.4). Essa é a notícia mais antiga que aparece no referido jornal a respeito da capela da Praia do Meio, que na realidade se localiza em Areia Preta. Mas foi somente em 1940 que se iniciou a arrecadação de auxílios para a construção da capela da Praia do Meio. 
     A ideia da construção da capela da Praia do Meio tinha a frente as moças Noelistas e segundo o jornal A Ordem estava despertando grande interesse no meio dos veranistas daquela praia natalense (A ORDEM, 14/12/1940, p.1). De acordo com o citado jornal um dos campos de apostolado preferido pelas noelistas da capital potiguar era o ensino do catecismo as crianças da Praia do Meio, no bom ou mal tempo e mau grado a relativa deficiência de transportes, não falhava o catecismo aos domingos. 
     As noelistas tinham como diretor espiritual e protetor o Mons. Alves Landim. Para ele não havia fadigas, descansando de uma tarefa na execução de outra, por vezes mas que penosa. Para o catecismo da Praia do Meio um dos grandes inconvenientes era a falta de uma capela, pois a aulas funcionavam num alpendre de uma casa residencial, que era cedida para a realização das aulas durante todo o ano letivo, sendo neste terraço também que se realizavam as festas de encerramento de fim de ano quando havia a realização da primeira comunhão das crianças. 
      O jornal A Ordem questionava por que não se construía uma capela ali na Praia do Meio, já que havia naqueles arrabaldes casas construídas com gosto e até se alugavam prédios para temporadas. A população humilde, no entanto, possuíam choupanas e moravam ali o ano todo. Era, assim, um desejo antigo das noelistas dotar aquela praia de uma capelinha, para que os veranistas e moradores não precisassem subir a a ladeira tão fatigante, para assistirem a missa e seria mais um centro de religiosidade para a cidade do Natal. 
    De acordo com o jornal A Ordem, o padroeiro da Praia do Meio era São Francisco e seria igualmente o orago da capelinha que seria ali construída e lançando a ideia para a doação de ajuda dos fieis dando um prognóstico De acordo com o jornal A Ordem, o padroeiro da Praia do Meio era São Francisco e seria igualmente o orago da capelinha que seria ali construída e lançando a ideia para a doação de ajuda dos fieis dava um prognóstico otimista de que no Natal de 1941 a capela já estivesse pronta ( A ORDEM, 20/12/1940, p.1). 
    A ideia da construção da capela da Praia do Meio vinha assim despertando o interesse não só dos veranistas que frequentavam aquela praia urbana, assim como da população católica da capital potiguar. As obras, de acordo com o jornal A Ordem, se iniciariam no dia 31/12/1940 com a benção da pedra fundamental, que seria realizada as 15h00 pelo mons. Alves Landim, prelado protetor do núcleo noelista de Natal. Depois da benção da pedra fundamental se iniciaria a arrecadação de auxílios para o prosseguimento da construção da capela (A ORDEM, 31/12/1940, p.1). 

A Capela-Escola de Areia Preta e Praia do Meio 
     A construção da Capela-Escola de Areia Preta e Praia do Meio era, segundo o jornal A Ordem, de interesse público, não só pelo lado moral e religioso, mas também em face da alfabetização popular. A localização da dita capela favorecia a essa dupla finalidade e por está entre e essas duas praias, onde a população pobre de pescadores que, sem tal recurso, continuava sem instrução, sem conhecimento se quer das primeiras letras. 
     A Capela-Escola aceitaria como alunos todos os analfabetos, sem distinção de classe e de idade. Os descalços e mal vestidos pobremente seriam acolhidos para a escola, como também acolhidos para o catecismo onde se tinham matriculado, todos os anos, mais de uma centena de alunos. 
     As aulas eram realizadas na casa do Sr. Rodrigo Costa que permiti que em sua residência de verão as noelistas realizassem o ensino religioso as crianças pobres daquela praia e até mesmo as missas eram ali realizadas. Essa era a prova, segundo o jornal A Ordem de que a Praia do Meio necessitava de uma Capela-Escola. Acrescia ainda o referido jornal que aos veranistas não seria mais difícil a audição da missa aos domingos e dias santos (A ORDEM, 19/01/1941, p.1).

 A inauguração da Capela-Escola da Praia do Meio e Areia Preta
    A inauguração da Capela-Escola da Praia do Meio e Areia Preta no bairro de Petrópolis ocorreu no dia 16/12/1945 as 07h00. Na ocasião estiveram presentes o Des. Miguel Seabra Fagundes, Interventor Federal, Mário Eugênio Lira, prefeito de Natal, professor Severino Bezerra de Melo, Diretor do Departamento de Educação, noelistas e pessoas ali residentes (A ORDEM, 17/12/1945, p.4). 
   A solenidade foi presidida pelo Mons. Alves Landim, vigário da catedral e representante do Bispo Diocesano, que por motivo superior não pode comparecer. Dada a benção à nova capela foi oficiada a santa missa pelo mons. Landim que falou ao Evangelho, agradecendo a todos pela presença àquela cerimônia e os auxílios prestados para a construção daquele sagrado templo. Após a missa, o professor Severino Bezerra, diretor do Departamento de Educação, proferiu algumas palavras inaugurando a nova Escola que funcionaria na nave da Capela.

As Santas Missões realizadas na capela da Praia do Meio
      Entre 26/12/1945 e  01/01/1946 foram realizadas as Santas Missões realizadas na Capela-Escola da Praia do Meio, na capital potiguar, pregadas pelos mons. Alves Landim, cônego Luís Vanderlei, os padres Benedito Alves e Celestino Barros.
   Durante os dias de missões houveram batizados, casamentos, crismas e confissões, terminando com a missa e comunhão dos fiéis, que em avultado número vinha assistindo às pregações. No dia 30/12/1945 o Bispo Diocesano, dom Marcolino Dantas, esteve presidindo os atos religiosos crismando grande número de crianças. 
     No dia 01/01/1946 houve missa festiva as 07h00 e à noite, as 19h00, após a pregação, realizou-se uma procissão noturna percorrendo o bairro de Petrópolis (A ORDEM, 31/12/1945, p.1). A meia-noite do dia 31/12/1945 teve início, na dita capela, o piedoso exercício da Hora Santa, pregado pelo cônego Luiz Vanderlei que, no final, deu a benção do Santíssimo à grande multidão que transbordava nas calçadas da Capela.
    Durante as missões pregadas Capela-Escola da Praia do Meio houve o seguinte movimento religioso (A ORDEM, 03/01/1946, p.1.)
Pregações : 10. 
Missas:   11.
Batizados:  6.
Casamentos:  5.
Confissões:   212.
Comunhões:  356.
Crismas:   75.
Procissão: 1.   
Comunhão crianças:   85.   
Aulas de catecismo:   8. 
      Esta foi a primeira grande atividade religiosa realizada naquela capela da capital potiguar. 

Concerto em benefício da capela de Areia Preta
A violoncelista Nani Bezerra, que se achava em Natal, filha  do professor Severino Bezerra, iria realizar no dia 15/02/1946 no Teatro Carlos Gomes, um recital cuja a renda resultantes seria revertida em beneficio da capela de Areia Preta e do ambulatório São José, das Roca ( A ORDEM, 11/02/1946, p.4).
Foi organizado um grande repertório de músicas clássicas para este recital.

A pedra fundamental da escola de Areia Peta
Realizou-se em 24/11/1946 a benção da pedra fundamental da Escola Júlia Serive, a ser construída na Praia do Meio, ao lado da Capela São Francisco.
Estiveram presentes o professor Severino Bezerra e todas as pessoas que assistiram a missa no referido templo, e também os docentes e e discentes da Escola Júlia Serive, que funcionava provisoriamente na mesma Capela.
A benção da pedra fundamental foi dada pelo mons. Alves Landim, pároco da Catedral, em seguida discursaram a aluna Maria de Lourdes, que agradeceu ao professor Severino Bezerra a fundação da Escola e o inicio dos trabalhos do futuro prédio e em nome da população da Praia do Meio e sua cercanias, disse palavras de sincera e afetuosa homenagem a bondade do Diretor do Departamento de Educação, cujas medidas no desempenho de seu miser eram sempre acertadas e seguras como a que tomou sobre o aquele bairro praieiro de Natal.
Já o mons. Alves Landim fez votos para que, dentro em pouco tempo, pudesse avultar ao lado da capela o novo prédio escolar (A ORDEM, 27/11/1946, p.4).


O trabalho social da congregação mariana
A Congregação Mariana da Catedral havia assumido um campo de apostolado social na capela de Areia Preta. Na páscoa de 1947, segundo o jornal A Ordem seria uma oportunidade dos congregados marianos entrarem em contato com os adultos matriculados na Escola de Alfabetização que era uma das obras de apostolado social a cargo daqueles congregados ali em Areia Preta ( A ORDEM, 10/04/1947, p.4).

A profanação na capela de Areia Preta e o ato de desagravo
A capela-escola situada entre a Praia do Meio e Areia Preta foi assaltada e depreda por criminosos na noite de 18/08/1947.conforme o jornal A Ordem "os sacrílegos assaltantes não respeitaram a casa do Senhor e danificaram objetos sagrados ali existentes como sacristia, cálices, imagens, livros e paramentos".
O Mons. Alves Landim, vigário da Catedral, convocou toda a população católica de Natal para realizar um ato de desagravo para reparar a grande e criminosa afronta por qual passou a capela de Areia Preta, tendo sido o ato realizado no domingo dia 31/08/19947 com missa as 06h30 celebrada pelo referido vigário da Catedral, seguindo-se uma concentração  das forças católicas de Natal a qual ser faria ouvir o dr. Otto Guerra, presidente da Junta Diocesana da Ação Católica e diretor do jornal A Ordem.
Assim, para este movimento de desagravo foram convidados os católicos em geral, que deveriam "dar um testemunho de sua fé, reprovando publicamente o hediondo atentado à casa de Deus" (A ORDEM, 26/08/1947, p.6).
Ainda de acordo como jornal A Ordem os objetos sagrados foram jogados ao chão, pisados, alguns roubados, por isso tão grande sacrilégio não poderia ficar sem um ato de desagravo, ou seja, uma reparação pública.

A festa do padroeiro de 1949
A festa de São Francisco de Assis, padroeiro da capela de Areia Preta foi realizada em 24/12/ 1949.
De acordo com o jornal A Ordem, além da parte religiosa haveria um festejos populares, com a finalidade de angariar auxílios em benefício daquela capela (A ORDEM, 15/12/1949, p.4).
A comissão organizadora da festa estava composta pelo Mons. Alves Landim, Con. Luis Vanderlei, Pe. Emerson Negreiros, capitão Rolindino Manso Maciel, Eunice Monteiro, Francisco Albertino e Sinval Câmara.
Para as festas externas foi organizado o seguinte programa:
1.Organização de uma festa ao ar livre, a ser realizada no dia 24/12/1949 na Praia de Areia Preta.
2.Coleta no meio comercial e civil de donativos.
3.Pedido de colaboração de autoridades e repartições.
O programa da festa ao ar livre constaria de barracas de prendas, , pescarias, telegramas, etc., serviço de buffet, realização de um sorteio na noite da festa, concurso da "Rainha da Festa", sorteio de um balaio de Natal, leilão de um carneiro oferecido por Luis Barros e outros objetos.
A missa seria celebrada as 02h00 da manhã.

 A festa em benefício da capela da Praia do Meio 
      Por iniciativa das famílias católicas que estavam veraneando nas praias do Meio e Areia Preta foi realizada uma festa em benefício da capela de São Francisco da Praia do Meio que havia sido recentemente inaugurada. 
     A festividade contou com barracas de prendas, serviço de bar e restaurante, além de outras atrações, estando a comissão promotora empenhada pelo bom êxito daquela festa. De acordo com o jornal A Ordem, o serviço de ônibus seria melhorado para atender aqueles que desejassem participar da festa (A ORDEM, 11/01/1946, p.4).
    A festa foi realizada em frente a capela de São Francisco na Praia do Meio. Reforma A Capela-Escola da Praia do Meio passou por reformas em 1949 onde foram realizadas a limpeza externa e limpeza e reparos das portas e janelas ( A ORDEM, 31/12/1949, p.4).

Reforma                  

      A Capela-Escola da Praia do Meio passou por reformas em 1949 onde foram realizadas a limpeza externa e limpeza e reparos das portas e janelas ( A ORDEM, 31/12/1949, p.4). 


Situação atual

      A capela de São Francisco de Assis está situada na Av. Gov. Silvio Pedrosa, 211,na praia de Areia Preta e faz parte da paróquia Nossa Senhora de Lourdes de Petrópolis.







quarta-feira, 30 de junho de 2021

OS IRMÃOS FOTÓGRAFOS MAX E BRUNO BOUGARD


         Os irmãos de origem alemã, Max e Bruno Bourgard, foram os primeiros fotógrafos a fazer imagens da cidade de Natal, sendo considerados os pioneiros neste ramo em terra potiguares.

         De inicio aviso que esta não é uma biografia a respeito dos irmãos Bourgard, não é este o meu foco de trabalho, apenas tento mostrar alguns recortes históricos a respeito dos mesmos.

         Sobre Max Bourgard escreveu o jornal O Estado em 02/202/1894: “Sr. Max Bourgard e inegavelmente um homem dum gênio incansável e trabalhador. E, dias desta semana fizemos-lhe uma visita em seu sitio, a leste da Ribeira, e que fica na bifurcação de dois grandes morros. O Sr. Bourgard mostrou-nos o curtume, há pouco estabelecido ali e dirigido por seu velho pai, um afamado curtidor de peles, ultimamente vindo da Alemanha, onde em exposições regionais foi mais de uma vez condecorado pela excelência dos seus trabalhos. Tivemos, então, de admirar o asseio que se nota na casa do curtume, e a qualidade das peles curtidas, que nada deixam a desejar às que são importadas do estrangeiro, tal é a perfeição do trabalho. Desejamos que o Sr. Bourgard alargue mais as proporções do seu estabelecimento industrial, em seu interesse próprio e a bem do progresso desta terra, onde o distinto artista e intrépido industrial exercem a sua atividade” (O ESTADO, 02/02/1894, p.2).

          Max Bourgard foi proprietário da empresa Fotografia Alemã Bourgard & Cia sucessora de Frederico Ramos.

          Em 12/05/1892 Max Bourgard começou a anunciar nos jornais de Natal que iria se mudar para o Recife, onde instalaria sua loja na rua 15 de Novembro, na capital pernambucana, onde lá iria exercer sua profissão. Ainda de acordo com os anúncios nos jornais Max Bourgard ficaria em natal por mais um mês oferecendo seus préstimos em fotografias garantindo a maior perfeição e nitidez nos seus trabalhos (RIO GRANDE DO NORTE, 02/06/1892, p.4).


Bruno Bourgard

         Em 06/10/1897 um anúncio no jornal A República dizia: “Retirando-me, no costeiro do meado deste mês, de Natal deixo a fotografia sob a direção do meu mano Bruno Bourgard, pedindo aos meus fregueses e amigos dispensar-lhe a mesma confiança e favores, com que me tem honrado e pelo quais me confesso sinceramente grato. B. Max Bourgard. Natal, 5 de outubro de 97” (A REPUBLICA,06/10/1897,p.3).

         Um anúncio do jornal A República demonstrava que a Fotografia Alemã já era uma sociedade dos irmãos Bruno e Max Bourgard, estando a mesma situada na rua 13 de Maio, nº 26, onde: “os seus proprietários garantem perfeição e nitidez nos seus trabalhos, os quais executam das 10 horas da manhã até as três da tarde, seja com tempo bom ou mau nouvado. Preços cômodos”, dizia o citado anúncio (A REPUBLICA,06 /02/1891,p.4).

        Uma das fotos mais antigas de autoria de Bruno Bourgard é esta a baixo de uma procissão no Seridó, possivelmente a de Santaana em Caicó.

Foto: Museu do Seridó

         Em 1902 Bruno Bourgard (que aparece no jornal com a grafia Bruno Burkhardt, possivelmente a grafia original em alemão do sobrenome) chamava a atenção dos seus fregueses e amigos para os trabalhos de ampliação em fotografia até tamanho natural, colorido, entre outros, para os quais se achava bastante habilitado, garantindo toda a perfeição nos mesmos e, além disso, encarregava-se das respectivas molduras. Os preços eram por ajustes (A REPUBLICA, 13/10/1902, p.2). Por esse tempo a loja da Fotografia Alemã estava situada na Rua José Bonifácio, antiga ruas das Virgens.

          Bruno Bourgard registrava os eventos importantes da capital potiguar como o da  foto a baixo de autoria de Bruno Bourgard publicada em 14/02/1902 na Revista da Semana mostra um grupo de pessoas no almoço oferecido aos oficiais do navio a vapor Planeta da Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro por ocasião do inicio das suas entradas no Porto de Natal em 01/10/1902. 

Foto: Revista da Semana, 14/02/1902.Ed. 405, N.135. p.5
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       Esta outra foto mostra a caída ao mar da lancha 16 de Julho ao serviço de praticagem na barra do Porto de Natal

Foto: Revista da Semana,22/02/1903, ed. 490, nº 145.

Registro de um jantar oferecido pelo coronel Joaquim Manuel de Carvalho e Silva a seu irmão, o padre Miguel de Carvalho, por ocasião deste cantar sua primeira missa, em 8 de dezembro 1902.Fotografia Bruno Bourgard..

 


Rua da Conceição em Macaiba em 1898.Foto: Bruno Bourgard.


          Na edição 474, nº 143 da Revista da Semana há uma foto em que Bruno Bourgard é citado com a patente de major (REVISTA DA SEMANA, 22/02/1903, p.8).A foto não tem boa resolução, mas mesmo assim a publicamos.

Foto: Revista da Semana, 22/02/1903,p.8, ed. 474, n.143.

         Em 08/03/1903 a Revista da Semana exibia uma foto de uma missa campal em frente a matriz de Natal cuja a legenda dizia: “ESTADO DO RIOGRANDE DO NORTE. Missa celebrada em honra do 4º Centenário da descoberta do Brasil, na Praça André de Albuquerque em frente da matriz, na cidade do Natal (phot. de Bruno Bourgard)” (REVISTA DA SEMENA, 08/03/1903,p.4 ed. 502, n.147). 


Foto: Revista da Semana,08/03/1903,p.4, ed.502, n.147.



         Ora, se a missa em questão foi em honra do 4º Centenário do descobrimento do Brasil, obviamente ela foi realizada entre 22/04/1900, dia da chegada dos portugueses em terra e 01/05/1900, portanto a foto foi publicada três anos após aquele evento realizado em Natal.

         O atelier fotográfico  a Fotografia Alemã, de Bruno Bourgard, era, ao que tudo indica, o único estabelecimento do gênero em Natal, pois o Almanaque Laemert só cita ele em 1905 ( ALMANAQUE LAEMERT,1905, p.1730)

         Em 1907 o jornal A República exibe anúncio em que Bruno Bourgard (grafado Bruno Burkhardt novamente) em que o mesmo dizia está residindo na Paraiba: “Da Paraíba, onde reside atualmente, é esperado nesta capital o conhecido artista fotografo Bruno Burkhardt, que pretende demorar-se alguns meses” (A REPUBLICA, 03/08/1907, p.1).

         Noutro anúncio do mesmo jornal Bruno Bourgard avisava a seus amigos e fregueses da capital potiguar e do interior do Estado que daria inicio aos trabalhos concernentes a sua arte, no dia 29/11/1907, com duração de apenas um mês e meio, no máximo dois meses, em Natal.


Fonte: a republica,29/08/1907,p.3.


         Foi neste ano também que por meio das verbas eventuais do orçamento do Estado vigente, mandou o governador pagar ao fotografo Bruno Bourgard (Burkhardt) a quantia de 300$000 réis, importância de diversas vistas (fotos panorâmicas e postais) da capital potiguar fornecidas ao gabinete do governo do Estado, para propaganda (A REPÚBLICA, 22/11/1907, p.1).Algumas das imagens que foram pagas a Bruno Bourgard pelo governo do Estado são possivelmente as que se seguem.











        A última noticia a respeito de Bruno Bourgard por nós encontrada data de 1918, quando o jornal O Norte registrou o batizado de Neuza, filha de Bruno Burkhardt e sua esposa Enedina Toscano Burkhardt, tendo sido padrinhos da menina o Cel. Daniel Toscano Coelho e sua esposa Ana Uchoa de Andrade Coelho (O NORTE, 10/08/1918, p.1).

         De 1894, data da primeira menção a Bruno Bourgard em jornal de Natal, até 1918, data em que o jornal O Norte registrou o batizado de sua filha transcorrem 24 anos, considerando que Bruno já era adulto em 1894, presumimos que ele já era um senhor de mais de 40 anos na época do batizado de sua filha.

         Na capital paraibana o atelier da Fotografia Alemã de Bruno Bourgard funcionava na rua Maciel Pinheiro nº 67 e na Viração nº 1 e de acordo com o anúncio publicado no jornal O Norte: “este atelier funciona regularmente, tanto nos dias claros, como nos de chuvosos, desde as 9 horas da manhã, até as 4 da tarde, com entrada pelas ruas M. Pinheiro 67 e Viração n.1” (O NORTE, 04/11/1908, p.3).

         Sobre Max Bourgard os jornais silenciam completamente sobre sua vida, não o citando mais que somente como fotografo em Recife.


terça-feira, 29 de junho de 2021

A CAPELA DAS QUINTAS

 

         A capela do bairro das Quintas em Natal tem seu inicio em 06/06/1947 quando se reuniu a Sociedade Recreativa Progressiva das Quintas para tratar da construção da capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a qual segundo o jornal A Ordem: “ compareceu grande número de sócios, senhoras e senhoritas daquele próspero subúrbio da Capital”.

         A comissão central estava constituída pelo Pe. Luis Klur, assistente eclesiástico, Raimundo de França, presidente e Arthur Vilar, tesoureiro.

         A sessão foi aberta pelo Sr. João Francisco Filho, presidente da SRPQ, que em seguida concedeu a palavra ao Sr. Luis Dutra, orador oficial da solenidade, que pronunciou vibrante discurso concitando todos a trabalharem por aquela velha aspiração dos habitantes das Quintas, de possuírem a sua igreja e que segundo ele, graças aos esforços do Sr. Raimundo de França, grande incentivador do progresso das Quintas, coadjuvado pelos companheiros da comissão central, ia ser concretizada.

         Facultada a palavra, fez uso da mesma o Sr. Sebastião Maaquias, também se externando sobre o assunto.Em seguida o Pe. Luis Klur, coadjutor da paróquia do Alecrim e encarregado pelo Bispo Diocesano, Dom Marcolino Dantas, para dirigir os trabalhos da construção da capela, fez ampla exposição sobre os planos da construção, meios de adquirir donativos em dinheiro e materiais, demorando-se ainda nas vantagens advindas aos habitantes do lugar em possuírem a sua igreja com tão bela e significativa invocação de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que haveria de abençoar os promotores desta tão útil iniciativa.

         Logo depois foram combinadas várias medidas a fim de no menor prazo possível serem iniciados os trabalhos, ficando organizada 10 sub-comissões locais presididas pelas seguintes pessoas: João Francisco Filho, professora Maria das Dores, Luis Dutra, Eugenia Salvador, Valda dos Santos Souza, Amélia Rodrigues, Maria Silva, Maria Pereira, Joaquim Avelino e Alberto Pinheiro.

         Encerrando a sessão usou da palavra  Raimundo de França, que se congratulou com os presentes por mais este grande melhoramento para o povo católico das Quintas, para o que       esperava o concurso de todos, afirmando já haver escolhida uma lista de paraninfos e madrinhas da construção, e que já havia obtido valioso auxilio de Roberto Sinay e Nola Volfson, respectivamente engenheiros chefe e auxiliar do 5º Distrito de Portos, Rios e Canais (A ORDEM, 14/06/1947, p.2).

Sobre as Quintas

Sobre as Quintas escreveu Fernando de Oliveira em artigo para o jornal A Ordem: “As Quintas é um dos bairros mais habitados de Natal. Lá reside toda uma população constituída, em geral, de famílias pobres que ganham a vida vendendo produtos caseiros aqui na cidade ou lavam a roupa dos mais afortunados. As ruas – por ser um bairro muito distante, não tem calçamento e a poeira levantada pelos veículos que vão e que vem tinge a cara das casas de uma cor cinzenta ou amarelo de barro”.

         Ainda de acordo com o citado autor havia muitas deficiências naquele pedaço vivo de Natal.Entretanto, alguma coisa já se fazia para melhorar a habitação daquela gente boa, tanto assim que a prefeitura já estava mandando encostar material para a construção de casas populares naquele bairro.

         Observou Fernando de Oliveira que os habitantes das Quintas não tinham assistência religiosa, tanto que uma comissão de senhoras católicas tendo a frente o Pe. Luis Klur, da paróquia do Alecrim, estava empenhada na construção de uma vistosa capela que teria por padroeira Nossa Senhora do Perpetuo Socorro. ”O local é magnífico! já os alicerces estão prontos.Entretanto, como é doloroso constatar que os trabalhos estejam parados por falta de recursos – mal hajam atingido os alicerces da pequena obra! Tanto dinheiro gasto por ai a fora sem muita necessidade”, escreveu Fernando de Oliveira.

Na noite de Natal daquele ano de 1948, Fernando de Oliveira foi assistir a missa do galo que iria ser celebrada nos alicerces da capela das Quintas, o qual escreveu o mesmo: “meu coração de católico comoveu-se ao observar uma grande multidão, religiosamente em silêncio, ouvindo a pregação do sacerdote. Como aquele povo pobre sentiu-se orgulhoso e satisfeito por aquela primeira missa na futura Capela”. Ainda de acordo com Fernando de Oliveira foram abençoados naquele dia os alicerces da capela, tendo ele ouvido muitos dizerem ao sacerdote: -Ah padre.Se Deus quiser, brevemente teremos a nossa Capela”, ao que constataou Fernando de Oliveira:- Pobre povo das Quintas! Tanta vontade de possuir uma capela! E já se contenta com os alicerces...Aquela pequena construção em começo parece uma vergonta nova brotando nos galhos da grande árvore da Igreja!...”. (A ORDEM, 08/01/1948, p.4).

         Em 17/08/1951 o jornal A Ordem registrou que estava sentada a última porta da capela das Quintas, obra que o Pe. Eimar Monteiro, Arthur Vilar e outros resolveram levar a peito e estavam concluindo.

         De acordo com o referido jornal o terreno para a construção da capela das Quintas foi doado por Alfredo Edeltrudes, onde ali se foi erguendo a capela de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro que muito bem faria aquela região das Quintas e Carrasco (atual Dix Sept Rosado).

         Os empreendedores da construção da capela das Quintas começaram então a levar adiante a campanha do mosaico para o piso da igrejinha que assim começaria brevemente a funcionar em caráter público (A ORDEM, 17/08/1951, p.1).

         Em 1958 já estava listada no rol das igrejas da capital potiguar, sinal de que já havia sido inaugurada anteriormente.

       A paróquia de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, segundo consta no site  da Arquidiocese de Natal, foi criada em 12/09/1969, tendo sido por muitos anos administrada pelo Pe. Thiago Theisen, sacerdote de origem belga, que desenvolveu intensa e duradoura atividade social nos subúrbios de Natal entre os anos de 1960/1980.

         Em 1982 com a criação da paróquia entre o rio Potengi e a lagoa de Estremoz cuja sede seria o Conjunto Santa Catarina, esta passou a ser administrada pelo Pe. Thiago Theisen, a paróquia das Quintas foi nomeado o Pe. Antonio Cassiano para ser administrador.

         A foto a baixo foi publicada originalmente no Diário de Natal em 1971, há exatos 50 anos. Trata-se da igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do bairro das Quintas em Natal, cuja paróquia foi criada em 12/09/1969 onde a antiga capela foi elevada a categoria e dignidade de igreja matriz. Em 1975 a igreja passou por uma grande reforma e ampliação da qual perdeu suas feições originais.


A época havia uma mentalidade vinda do Concilio Vaticano II onde se pretendia “modernizar” a Igreja Católica para que ela se abrisse ao mundo moderno e isso se refletiu nas construções de igrejas que passaram a preferir a concepção de simplicidade nas construções de igrejas ao invés do estético, como espaços celebrativo simples onde se pudesse acolher o maior número de pessoas possíveis no interior das igrejas, as fachadas por sua vez perderam o gosto estético e característico de igrejas, sendo até mesmo o termo ‘templo’ mais usado adequadamente para definir as construções modernas da igreja católica a partir do Concílio Vaticano II.

A igreja das Quintas foi uma das igrejas que sofreram a ação equivocada dessa mentalidade, o qual em sua ampliação perdeu-se a feição da fachada original que possuía gosto e característica típica de igreja com seu frontão triangular encimado por uma cruz, os janelões e portão central arqueados e o esboço das duas torres que seriam erguidas caso fossem num futuro ampliada a igreja. Natal tem uma carência de igreja bonitas e as que pouco tinha foram aos poucos dando espaço a igrejas de gosto duvidoso como esta das Quintas.