terça-feira, 17 de agosto de 2021

SOBRE A CAPELA DE PONTA NEGRA


No centro da praça da vila de Ponta Negra tem uma igreja simples, porém bela gosto estético, artístico e em estilo arquitetônico, coisa rara em si tratando de igrejas na capital potiguar. Trata-se da atual igreja matriz de São João Batista.

Em 24/06/1940 foi realizada a cerimônia de benção da nova capela de Ponta Negra, que há meses vinha sendo construída. Foi oficiante da cerimônia o Pe. agostinho Hannekenn , que benzeu também o altar e as imagens que possuía a capela, celebrando logo depois a santa missa com distribuição da comunhão a uma elevado numero de pessoas.

As 09h00 o bispo diocesano, dom Marcolino Dantas,  celebrou missa festiva, com cânticos, pregação ao Evangelho e dando por inaugurada aquela nova capela. A tarde foi realizada a procissão do padroeiro de Ponta Negra, encerrando a festa com a benção do Santíssimo. 

De acordo com o jornal A Ordem a primitiva capela de Ponta Negra foi edificada pelo Pe. João Maria. O Pe. João Maria Cavalcanti de Brito foi pároco de Natal entre 1881 e 1905 quando veio a falecer. A construção da primitiva capela de Ponta Negra portanto, deve se situar nesse recorte temporal. Não conseguimos dadas as nossas limitações encontrar a data exata e maiores informações sobre esta primeira capela.

    Em 1938 a capela estava ameaçando ruir quando Dom Marcolino Dantas autorizou sua demolição e iniciou, no mesmo local, o novo templo.

A nova capela da então vila de Ponta Negra foi construída com 23 metros de  comprimento por 6,20 metros de largura, sendo de estilo gótico, possuindo 9 portas e 100 janelas, uma única nave de 16 metros de comprimento por 3 de largura, tendo 2 quartos nos fundos, um para o vigário quando lá estivesse e outro para depósito.

A planta do altar foi do Dr. Homero  Auler e foi construído pelo mestre Manoel André tendo a cobra custado 42:785$500.

De acordo com o jornal A Ordem foram estes os donativos arrecadados para a construção da nova capela de Ponta Negra.

D. Chiquinha Freire:  15:000$000.

Dom Marcolino Dantas : 11: 200$000.

Auxílios pedidos por Dom Marcolino Dantas na cidade de São Paulo: 10:474$000.

Auxílios arrecadados em Natal : 3:797$000.

Conde Dias Garcia : 2:000$000.

Auxílios arrecadados em Ponta Negra:  314$500.

Os paramentos e alfaias para a celebração da missa na nova capela foram doados pelas Irmãs de Santana do Orfanato e do Hospital, Irmãs de Caridade, Irmãs do Amor Divino, Irmãs Dorotéia, padres da Sagrada Família, d. Rosinha Viveiros, família Navarro, d. Susana Guilherme e famílias de Ponta Negra.

O padroeiro da capela de Ponta Negra é São João Batista. Além da imagem do padroeiro que media 1,20m havia na capela as imagens do Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora da Penha, com 0,80cm, e as de São José, São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição, com 0,60 cm.

Como encarregado da capela e do patrimônio estava o sr. Camilo Inácio Correia e como zeladores da capela estavam d. Senhorinha do Nascimento e Augusto de Souza.

Era encarregados da praça da capela, João Velho.

Foram encarregados da hospedagem dos padres, José Bragança, Luiz de França e José Hermínio de Lima.

Foi encarregado da festa do padroeiro o sr. João Pedro da Silva, além deste tinha ainda os encarregados ainda das festas dos outros santos, que ali eram venerados.

Segundo o jornal A Ordem  a festa de inauguração da nova capela de Ponta Negra "foi uma consoladora vitória para o esforçado Exmo. Sr. Bispo e para a devoção e piedade dos habitantes daquela praia histórica e acolhedora" (A ORDEM, 25/06/1940, p.1).

A capela de Ponta Negra fazia parte do território da paróquia do Alecrim sob a direção dos padres da Sagrada Família. A paróquia só veio a ser criada em 29/08/2011, data em que a igreja católica celebra a Solenidade do martírio de São João Batista, orago da matriz. A paróquia abrange a vila de Ponta Negra e o conjunto Alagamar.

Igreja matriz São João Batista em Ponta Negra.

Detalhes da igreja matriz da vila de Ponta Negra.

Detalhes da fachada.

Aspectos interno da igreja São João Batista em Ponta Negra onde é possível vê
os ligeiro traços da arquitetura gótica presente nos arcos da nave e do altar mor.

NOTAS SOBRE O MUNICÍPIO DE PUREZA




Aspectos da cidade de Pureza
re

A povoação de Pureza era uma das várias povoações do município de Touros e já era citada com essa denominação em 1896 nos relatórios do governo do Estado (MENSAGEM DO GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO NORTE PARA A ASSEMBLEIA, 1896, p.86).

Em 1896 o distrito policial de Pureza estava composto por Guilherme José do Nascimento, subdelegado, Ricardo da Costa Torres, Guilherme da Rocha e Silva e José Francisco do Nascimento, respectivamente 1º, 2º e 3º suplentes ( MENSAGEM DO GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO NORTE PARA A ASSEMBLEIA, 1896, p.200).

O cartório de registro civil

Em 26/11/1938 o interventor federal assinou o decreto o qual criava o cartório nascimento e óbitos no distrito administrativo e judiciário de Pureza ( A ORDEM, 26/11/1938, p.1).

Ideia da construção do grupo escolar

Em 03/05/1943 o proprietário Manoel Montenegro Soares em discurso realizado na inauguração da Cooperativa Agropecuária de Pureza levantou a ideia da construção de um Grupo Escolar na sede daquele distrito, ideia essa que mereceu aplausos gerais. 

A nova capela

Usando a palavra na inauguração da Cooperativa Agropecuária de Pureza o  professor Ulisses de Góes lembrou que ao lado do crédito que a cooperativa viria solucionar e da educação que o Grupo Escolar remediaria em futuro breve deveria aparecer, como coroamento destas iniciativas, a majestosa capela de Nossa Senhora da Pureza, em substituição ao templo pequeno que ali existia, a qual já não condizia como espirito progressista daquela gente.

Para iniciar a coleta, disse aquele orador que abria naquele instante, uma caderneta na Cooperativa com Cr$ 200,00.A ideia teve ótima acolhida, tendo o vigário Pe. Chacon com agradecido tão espontânea iniciativa que viria ao encontro do seu pensamento e da sua vontade.

Outras pessoas fizeram também seus donativos, para esse fim atingindo a subscrição cerca de Cr$3.000,00 (A ORDEM, 03/05/1943, p.4).

Mudança toponímica

Em 1943 o distrito de Pureza teve seu nome alterado para Vila de Maxaranguape em razão de ser ali a nascente do rio desse nome. A mudança, no entanto, a alteração toponímica só veio a causar confusão pois já existia a povoação de Maxaranguape, que naquele mesmo ano passou a se chamar Barra de Maxaranguape, para diferenciar-se daquela outra. Ambas estavam localizadas no mesmo município de Touros.

Professoras

Em 08/02/1936 foi nomeada efetivamente Maria Barreto Ramalho como professora da Escola Isolada de Pureza, no município de Touros (A ORDEM, 08/02/1936, p.2).

Já em 26/06/1940 foi promovida a 3ª classe do magistério primário a professora de 4ª classe Maria da Conceição Costa, da Escola Isolada da vila de Pureza ( A ORDEM, 26/06/1940, p.2).

Pelo decreto nº 1.193 de 29 de novembro de 1942  assinado pelo Interventor Federal foi dada a denominação de Escola Dr. Barros a Escola Isolada de Pureza  ( A ORDEM, 03/11/1942, p.2).

Em 12/02/1944 foi contratada pelo governo do Estado a professora Ana Maria da Costa para reger interinamente, como substituta, a Escola Isolada Dr. Barros, da Vila de Maxaranguape, no município de Touros, durante o impedimento da professora titular Maria da Conceição Costa que se achava em licença ( A ORDEM, 12/02/1944, p.5).

Melhoramentos públicos

Em 08/05/1949 com a presença do governador José Augusto Varela, do professor Severino Bezerra, Dr. Roberto Freire, capitão José Reinaldo, João Damasceno, Gabriel Varela, Gabriel Moura, Antônio Coelho Malta, João Bezerra e outros foram inaugurados melhoramentos públicos na Vila de Maxaranguape.

Recebidos naquela localidade pelas autoridades locais, o governador e comitiva inaugurou a ponte sobre o rio Maxaranguape e a Escola Rural daquela localidade (A ORDEM,12/05/1949, p.4).

Sobre a capela São João de Pureza

Na capela de São João de Pureza houve 1ª comunhão de 37 crianças preparadas pelas catequistas, dirigindo a cerimônia a senhorita Carmelina Miranda de Souza. Houve a renovação das promessas do batismo, cânticos sacros e missa solene. O festeiro João Rodrigues manifestou grande dedicação correndo tudo em magnifica ordem (A ORDEM, 17/10/1941,p.2).


domingo, 15 de agosto de 2021

NOTAS SOBRE O MUNICÍPIO DE RIO DO FOGO


Continuando a série de postagens sobre os municípios da região do Mato Grande eis algumas notas sobre Rio do Fogo, que apesar de ser um dos mais recentes municípios criados no Estado tem uma vasta história a ser contada.

Aspecto da praça central de Rio do Fogo.


A povoação de Rio do Fogo era uma das povoações marítimas do município de Touros e citada já com esse adjetivo em 1896 nos relatórios do governo do Estado.(MESAGEM DO GOVERNADOR PARA ASSEMBLEIA, 1896, p.86).

A colônia Z-3

A Colônia de Pescadores Z-3 denominada Comandante Frederico Vilar estava situada em Rio do Fogo, sendo uma organização que cuidava dos interesses dos pescadores daquela localidade. Abrangia toda a costa desde a ponta da Gameleira até a margem esquerda do Rio do Fogo.

Em 1922 a Colônia Z-3 possuía elevado número de colonos e mantinha duas escolas primárias, sendo uma em Rio do Fogo, sede da colônia e outra em Zumbi  (A VOZ DO MAR, 1922, p.8).

Em 01/10/1924 foram criadas as escolas com a denominação de Comandante Gumercindo Loretti e Dr. José Augusto, sendo uma na sede e outra na praia de Perobas ( A VOZ DO MAR, 1924, p.17).

Em 1929 a Colônia Z-3 já é citada com a denominação de Comandante Nereu Correa ( A VOZ DO MAR, 1929, p.31).

Na área de abrangência da Colônia Z-3 haviam riquíssimas lagoas que eram verdadeiros viveiros de espécies das mais variadas e apreciadas, entretanto, não eram exploradas de forma proveitosa por falta de aparelhos aperfeiçoados que pudessem melhorar a pesca e a renda vinda dela.

Os pescadores eram geralmente muito pobres e não contavam com qualquer especie de apoio para adquirir material necessário a pesca praticando assim uma pesca rudimentar, incapaz de produzir uma melhora na situação em que se encontravam.

A grande lagoa do Fogo estava povoada de peixes dos mais valiosos, porém, sem ser explorada convenientemente por causa de sua grande profundidade e falta de aparelhamento por parte dos pescadores.

A sua safra de pescado consistia em garajuba, ariacó, carauna e pescaria de peixe de alo mar.

A Colônia Z-3 era uma das que possuía curral de apanhar peixes que fazia boa safra de xeréu e outros peixes.

Segundo a revista A Voz do Mar em 1937 Mantinha 3 escolas para os filhos de pescadores e a sede dessa colônia estava em construção e era uma das melhores que existia no litoral do Estado, sendo constituída por 220 pescadores ( A VOZ DO MAR, 1937, p.16).

Em 1940 foi reaberta a escola noturna Joaquim Terra da Costa mantida pela Colônia Z-3 sob a regência da professora Joana de Souza Ribeiro (A VOZ DO MAR, 1940, p.18).

Em 1941 a Colônia Z-3 Frederico Vilar passou por uma reorganização em assembleia presidida pelo presidente da Federação Estadual de Pescadores foi eleita a seguinte diretoria: Luiz Joaquim do Nascimento, presidente, Juvenal Gabriel, secretário e  Manoel Monteiro, tesoureiro ( A VOZ DO MAR, 1941, p.15).

Não tenho conhecimento se a referida colônia de pescadores ainda existe e com a mesma finalidade, no entanto, o fato de sua existência evidência a organização da classe dos pescadores assim como a assistência social aos filhos dos pescadores sobretudo pela existência das escolas que mantinha que foram uma das escolas mais antigas do povoado de Rio do Fogo.

Subdelegado

Em 22/02/1936 Miguel Gomes Ribeiro assumiu as funções de subdelegado do distrito policial de Rio do Fogo (A ORDEM, 22/02/1936, p.3).

       Em 07/06/1950 foi nomeado Eliseu Gomes Ribeiro como subdelegado de Rio do Fogo ( DIÁRIO DE NATAL, 07/061950, p.6).

O cartório de registro civil

Em 1934, de acordo com a lei de organização judiciária do Estado foi criado o oficio de registro civil de nascimentos e óbitos na povoação de  Rio do Fogo ( DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 16/09/1934, p.2).

Em 26/11/1938 foi suprimido o cartório de registro civil  de nascimento e óbitos na povoação de Rio do Fogo tendo sido o mesmo transferido para a povoação de Pureza  ( A ORDEM, 26/11/1938, p.1).

Professoras

Em 22/01/1939 a professora Raquel Fatalia de Paiva foi nomeada para a Escola Isolada de Rio do Fogo ( A ORDEM, 22/01/1939, p.4) a mesma pediu exoneração em 21/03/1939 tendo sido nomeada para substituí-la a professora diplomada Zilda Barbosa Lima ( A ORDEM, 25/03/1939, p.1).

Em 1940 exercia a professora Franscisquinha Ribeiro exercia a função na escola Rudimentar de Rio do Fogo ( A ORDEM, 03/08/1940, p.4).

No mesmo ano foi nomeada efetivamente a professora diplomada de 4ª classe Noemi Barbosa Lima para exercer a função na Escola Isolada de Rio do Fogo (A ORDEM, 09/02/1940, p.4) tendo sido removida a pedido para a escola do Campo de Sementes de Sacramento em Santana do Matos em 18/03/1940.

Sobre a capela

Em 1941 o Pe. Bianor Aranha, vigário de Touros, esteve em visita a capela de Rio do Fogo onde na oportunidade presidiu cerimônia da 1ª comunhão para 30 crianças que foram instruída pela senhorinha Francisquinha Ribeiro, "alma cheia de fé e de virtudes cristãs" (A ORDEM, 07/08/1941, p.2).

A comissão das festas e conservação da capela era composto por Eliseu Ribeiro, José Monteiro de Souza, Antônio Sótero Galvão, José Gaspar de Oliveira, Miguel Gomes de Oliveira, Miguel Gomes Ribeiro, Luís Ciriaco da Cunha, Francisco Alves da Costa, José Celestino de Andrade e Severino Eugenio.

Era a catequista da comunidade Ester Ciriaco da Cunha.

As missões de Frei Damião

Entre 20 e 22/06/1947 o missionário capuchinho Frei Damião esteve realizando santas missões em Rio do Fogo e de acordo com o jornal A Ordem a povoação em peso acorreu pressurosa ao encontro do frade que estava sendo esperado para chegar ali em 20/06/1947.

As ruas apresentaram festivo aspecto de ornamentação com bandeirinhas, e arcadas. Na arcada principal, onde deveria entrar o missionário lia-se a inscrição " SALVE FREI DAMIÃO - mensageiro de Deus junto ao povo católico".

As 15h00 , ao espocar de foguetões e sobre o delírio dos fiéis, deu entrada na povoação o capuchinho que veio acompanhado do Pe. Antônio Antas, vigário de Touros.

Ao penetrar Frei Damião a primeira arcada recebeu em nome do povo de Rio do Fogo, o sr. José Porto Filho que falou da satisfação de todos desde quando fora anunciado a visita do missionário à aquela localidade. Durante os três dias em que permaneceu em Rio do Fogo, Frei Damião ministrou confissões, crismas, batizados e casamentos, tendo sido de acordo com o jornal A Ordem uma festa espiritual, notando-se o enorme desejo do povo conhecer de perto o frade capuchinho, cujas mãos eram avidamente beijadas.

Para a recepção do missionário em apreço foi criada uma comissão composta por Eliseu Gomes Ribeiro, José Teixeira e José Monteiro, fiando Frei Damião hospedado na casa deste último.

Segundo o relato publicado no jornal A Ordem o povo em massa, num verdadeiro sentimento de fé religiosa cercou o o frade de indesejável carinho, ouvindo-o contritamente com muita obediência.

Foi assim até o último dia das missões quando depois da procissão  e benção teve que partir Frei Damião para Maracajaú onde estava sendo esperado também ali.

Nessa ocasião a grande massa de povo cercou o frade como que impedindo de sair confundindo-se o delírio com tristeza. Os fieis atropelavam-se uns aos outros ao beijarem a mão de Frei Damião, que aos poucos pode atravessar a multidão até tomar a charrete que o conduziu a Maracajaú.

Ainda de acordo com o o citado jornal foi um espetáculo comovente visto nesse momento onde todos ficaram agrupados na praia seguiram com o olhar uns e ouros saíram correndo atrás da charrete que conduzia o frade para ficando mudos e estáticos quem momento antes exteriorizava alegria e satisfação.

Ao retornar de Touros em 27/06/1947 Frei Damião passou por Rio do Fogo onde recebeu grande manifestação dos habitantes da povoação, tendo parte do povo acompanhado o povo em que seguia o missionário capuchinho "restando uma pungente saudade de tudo quanto assistimos durante os dias das Santas Missões em Rio do Fogo" ( A ORDEM, 03/07/1947, p.2).

A estrada de Santa Luzia a Rio do Fogo

      Em 18/04/1959 foi inaugurada a estrada que liga Santa Luzia a Rio do Fogo, o ato foi realizado com o simples corte da fita inaugural e vários discursos, entre estes o de Dinarte Mariz que recordou o instante em que prometera a construção daquela estrada de acesso ao litoral norte do estado.
A estrada fazia parte de um plano que uniria todas as pequenas localidades litorâneas que viviam da pesca, nos centros abastecedores, para maior facilidade do transporte do pescado ( DIÁRIO DE NATAL, 22/04/1959, p1).

Poço tubular
     Em 17/07/1962 foi concluído pelo governo do estado a construção do poço tubular de Rio do Fogo em cooperação com o Serviço Especial de Saúde Pública-SESP (DIÁRIO DE NATAL, 17/07/1962, p.2).
Foto: O Poti,23/09/1962, p.2.

     Na imagem a cima a caixa d'água, cata-vento e poço tubular público de Rio do Fogo.

Formação Administrativa
Rio do Fogo esteve sob a jurisdição de Touros até 29/01/1959 quando foi instalado o município de Maxaranguape passando a figurar como distrito deste novo município, condição vigente até sua emancipação politica em 1997.

Emancipação politica
  Rio do Fogo alcançou sua emancipação política, tendo como ponto de partida o plebiscito realizado no dia 17/09/1995 e através da Lei nº 6.842, de 21 de dezembro de 1995, Rio do Fogo foi desmembrado de Maxaranguape e elevado à condição de município do Rio Grande do Norte instalado em 01/01/1997.








NOTAS SOBRE O MUNICÍPIO DE MAXARANGUAPE


O município de Maxaranguape é um dos que integra a região do Mato Grande. Eis a seguir algumas notas que contribuem para a memória do lugar.

Igreja matriz de Maxaranguape. Foto: Francisco Ferreira.

Primórdios

Dos primórdios de sua origem consta que as terras da sesmaria, existente às margens do rio Moxurungoapé, foram concedidas, em 14/09/1666 ao Governador João Fernandes Vieira; representado, no ato, pelo Vigário de Natal, Padre Leonardo Tavares de Melo.

Em 1832, já existia a pequena povoação habitada por pescadores, possuindo uma capela, em honra a Nossa Senhora da Conceição; escolas e casas de veraneio dos senhores de engenho de Ceará-Mirim.

Com a grande estiagem, ocorrida nos anos de 1877 a 1879, recebeu grande número de sertanejo, que aí chegaram à procura de trabalho, atraídos pelo vale fértil, conhecido, inicialmente, por Boixununguape, banhado pelo rio Perene, que desemboca no Atlântico, no lugar chamado Barra de Maxaranguape, primeiro nome do município.

Em 1891 o jornal A República registrou que o governador havia assinado a nomeação de Félix José de Oliveira para exercer o cargo de subdelegado do distrito policial de Maxaranguape (A REPÚBLICA, 03/03/1891, p.1).

A povoação de Maxaranguape era uma das várias povoações marítimas do município de Touros e já era citada com essa denominação em 1896 nos relatórios do governo do Estado ( MENSAGEM DO GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO NORTE PARA A ASSEMBLEIA, 1896, p.86).

Em 1896 o distrito policial de Maxaranguape estava constituído por José Antônio de Paiva Câmara, subdelegado, Joaquim Teixeira da Costa Barbosa, Martinho Teixeira da Silva e Manoel de Goés de Vasconcelos Borba, 1º, 2ºe 3º suplentes, respectivamente (MENSAGEM DO GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO NORTE PARA A ASSEMBLEIA, 1896, p.200).

Em 1907 o jornal A República já mencionava Maxaranguape com o qualificativo de povoação (A REPÚBLICA, 17/08/1907, p1).Em 1913 o Almanaque Laemmert cita a povoação de Barra de Maxaranguape (ALMANAQUE LAEMMERT , 1913, p.91).

        A escola primária de Maxaranguape foi criada em 1922.

A colônia de pescadores de Maxaranguape

A Colônia Z-15 com sede em Maxaranguape compreendia toda a costa desde a margem direita do Rio do Fogo até as duas margens do rio Maxaranguape.

Em 1924 havia em Maxaranguape a Colônia de Pescadores Z-15 denominada Almirante Thedim, nela funcionava a Escola Mista Tenente Eugênio Possolo tendo como professor Gregório da Silva Neto (A VOZ DO MAR, 1924, p.18).A escola contava com a frequência de 40 alunos dos quais  26 meninos e 18 meninas.

Já em 1937 a Colônia Z-15 situada em Maxaranguape mantinha duas escolas para filhos de pescadores, sendo constituída pelo número de 189 pescadores matriculados, essa colônia não estava completamente desorganizada, mas os pescadores não tinham pago as mensalidades à federação estadual de pescadores, em virtude de ter sido uma das colônias mais assoladas pela febre palustre ( A VOZ DO MAR, 1937, p.).

Em 1938 foi solicitada da Confederação Geral à Federação do Estado, informações urgentes sobre a desorganização em qe se encontrava a Colônia de Pescadores Z-15, de Barra de Maxaranguape, e determinando que fosse tomadas as providências necessárias para a normalização da situação da citada Colônia ,de acordo com os estatutos ( AVOZ DO MAR, 1938, p.21).

O grupo de escoteiros do mar

Em 1935 a Associação de Escoteiros do Mar em Natal estava em preparação para instalar um grupo de escoteiros em Barra de Maxaranguape, iniciando assim um vasto programa de propaganda e educação ao longo do litoral do Estado (A ORDEM, 15/10/1935, p.2).

A fixação da dunas

Em 1939 o Departamento de Portos e Canais iniciou os trabalhos de fixação das dunas em Barra de Maxaranguape que era um dos grandes problemas que atingia a vila. Nas dunas que chegavam até 38 metros foram colocadas plantas rasteiras para conter o avanço pelo vento, também foi aberto o canal que ia até o mar dando vazão as águas estagnadas (DIÁRIO CARIOCA, 31/05/1939, p.5).

Fotos: Diário Carioca,  31/05/1939, p.5.

        As imagens a cima publicadas no jornal Diário Carioca mostram os trabalho de fixação das dunas em Maxaranguape.

Festa da padroeira

A padroeira da vila de Maxaranguape é Nossa Senhora da Conceição e como a data é uma solenidade fixa na Igreja Católica seu dia é celebrada em 08 de dezembro.

Sobre a festa da padroeira em Maxaranguape há o registro de sua realização em 1936 pelo jornal A Ordem.

De acordo com o referido o jornal a festa em Maxaranguape foi foi precedida de um novenário rezado com piedade pelos fiéis, na véspera da festa chegou a vila o cônego Luís Adolfo acompanhado do seminarista Paulo Bezerra onde rezou solenemente a última novena, falando por esta ocasião ao povo sobre seus deveres para com Deus.

Foi preparado grande número de pessoas para receber a comunhão, no dia 08/12, as 07h00 foi celebrada a primeira missa com cânticos e comunhão e a segunda as 09h00, cantada, prática (sermão) comunhão, ainda, uma vez, ficando a capelinha cheia e nas suas adjacências.

A tarde foi realizada a procissão com cânticos, ladainha, prática e beija da imagem da Virgem da Conceição.

O cônego Luís Adolfo foi acolhido pelo casal Chandú Câmara e sua esposa Mermezilda Câmara.

No dia seguinte houve ainda missa pela manhã, com numerosa assistência, sendo ainda distribuída a comunhão a diversas pessoas.

Os cânticos esteve a cargo do professor local  Germano, que esteve a cima da expectativa, sendo o mesmo auxiliado por várias moças da comunidade.

Concluindo o relato sobre a festa da padroeira de Maxaranguape escreveu o citado jornal " nossos parabéns ao povo de Maxaranguape pela sua piedade e grande devoção a S.S Virgem da Conceição" ( A ORDEM, 13/12/1936, p.2).

       A comissão permanente das festas e conservação da capela era composta por Manoel Custódio de Jesus, José Francisco do Nascimento, Elpidio Pedro de Alcântara, João Custódio de Jesus, Joaquim Henrique Borges, Manoel Ezequiel Ferreira ( A ORDEM, 17/10/1941, p.2).

Professores

Em 14/06/1943 foi nomeada a professora diplomada Ceci de França Varela para exercer o cargo de professora de 4ª classe, vago em virtude da promoção do professor Manoel Leonardo Nogueira, ficando a  mesma lotada na Escola Isolada de Barra de Maxaranguape ( A ORDEM, 14/06/1943, p.2).

Em 1950 é citado o professor Germando Gregório da Silva Neto como professor primário da Escola Isolada de Barra de Maxaranguape (DIÁRIO DE NATAL, 07/02/1950, p.4).

Subdelegado

Em 04/08/1948 foi nomeado Francisco Balbino como subdelegado de Barra de Maxaranguape (A ORDEM, 04/08/1948, p.4).

Formação Administrativa

Em 1943 passa a ser denominada Barra de Maxaranguape para diferenciar-se de Vila de Maxaranguape, ex Pureza, no mesmo município de Touros. A alteração toponímica distrital de Barra de Maxaranguape para simplesmente Maxaranguape ocorreu pela lei estadual nº 2329, de 17/12/1958.

O Distrito foi criado com a denominação de Barra de Maxaranguape ex-povoado, pela lei estadual nº 884, de 12/11/1953, subordinado ao município de Touros.

A elevação à categoria de município com a denominação de Maxaranguape ocorreu pela lei estadual nº 2329, de 17/12/1958, desmembrado de Touros com sede no  distrito de Maxaranguape, ex-povoado de Barra de Maxaranguape.

Em divisão territorial datada de 01/07/1960, o município de Maxaranguape estava constituído do distrito sede, assim permanecendo em divisão territorial presentemente

Primeiro prefeito

O primeiro prefeito de Maxaranguape foi João Cândido Rodrigues, nomeado pelo governador no ato de criação do município, o qual tomou posse em 29/01/1959 no cargo após a instalação do município pelo juiz de direito da 14ª zona eleitoral de Touros ( DIÁRIO DE NATAL, 08/02/1959, p.6).

Demografia

Em 1962 o município contava com 6.311 habitantes e 1.298 eleitores (DIÁRIO DE NATAL, 05/10/1962, p.5).Esse é o primeiro levantamento oficial da população de Maxaranguape após a criação do município.

Poço tubular

      Em 17/07/1962 foi concluído pelo governo do estado a construção do poço tubular de Barra de Maxaranguape em cooperação com o Serviço Especial de Saúde Pública-SESP(DIÁRIO DE NATAL, 17/07/1962, p.2).

Prefeito cassado 

Em 14/04/1964 o prefeito de Maxaranguape João Francisco Gregório teve seu mandato cassado pela Câmara de Vereadores sob a acusação de ter sido comunista (DIÁRIO DE NATAL, 14/04/1964, p.4).

Eleição de 1965

Em 1965 contando 1.863 eleitores concorreram a eleição em Maxaranguape Brígido Ferreira Pinto (PSD) e Luís Gonzaga Varela Cavalcanti (UDN) para prefeito e Severino Guedes (PSD) e Manoel Francisco Filho (UDN)para o cargo de vice-prefeito, tendo sido eleitos Brígido Ferreira Pinto e Severino Guedes, prefeito e vice, respectivamente ( DIÁRIO DE NATAL, 06/02/1965, p.4).


sábado, 14 de agosto de 2021

NOTAS SOBRE O MUNICÍPIO DE JANDAÍRA

            Jandaíra é um dos municípios da Região do Mato Grande. Eis a seguir notas que contribuem para a memória histórica do referido município.

Aspectos de Jandaíra.


O povoado de Jandaíra teria nascido como fazenda de criação e posteriormente se transformado em área de produção algodoeira, ao redor da serra da serra do Lombo ou serra Verde, à margem esquerda do rio Ceará Mirim. O poço do local, com o nome de Jandaíra, evidencia a influência das chamadas aguadas permanentes na formação de núcleos comunitários.

O Campo de Semente de Serra Verde

O Campo de Sementes de Serra Verde foi criado em 1935 pelo governo federal por meio da transferência legal de terras do governo do estado situadas na chapada da Serra Verde entre os municípios de Baixa Verde e Angicos, cujo governo da União construiu ali um estabelecimento de sementes de plantas têxteis, posteriormente, em 1938 esse campo de sementes foi transformado na Estação Experimental Valbert Pereira.

Tanto o Campo de Sementes como a Estação Experimental foram essenciais para o surgimento urbano e demográfico do que viria a ser mais tarde o distrito de Jandaíra.

O registro de Anfilóquio Câmara

Anfilóquio Câmara foi o diretor do IBGE no Rio Grande do Norte estando ativamente empenhado na elaboração do Censo de 1940 donde das informações recolhidas nos municípios resultou em sua obra Aspectos Norteriograndense publicado em 1943.

É dele que vem o primeiro ( ou o mais antigo) registro oficial a respeito de Jandaíra, que em 1941, já dava por certo a existência de um lugar com um distrito policial e um certo nível econômico conhecido por Poço Jandaíra. Antes disso, Nestor Lima teria feito um balanço da região, pelo qual foram encontrados 103 pontos de concentração populacional: povoados, arruados, fazendas e vilas, sem contudo citar Jandaíra.

A capela

O registro mais antigo por nós encontrado a cerca da realização de atos religiosos católicos em Jandaíra data de 16/07/1942 quando o bispo diocesano, Dom Marcolino Dantas, concedeu licença ao vigário de Lajes para celebrar missa em oratório privado, sob o titulo de desobriga, no lugar Jandaíra (A ORDEM, 16/07/1942, p.1).

Já em 17/05/1943 o bispo diocesano deu licença ao Pe. Ramiro Varela, vigário da freguesia de Lajes, para celebrar uma missa no povoado Jandaíra a titulo de desobriga contanto que o mesmo vigário cuidasse da construção de uma capela no dito povoado (A ORDEM,17/05/1943, p.1) a informação supra citada revela dois aspectos importantes para a história de Jandaíra. 

     Primeiro que em 1942 já se conhecia o local como um povoado, ou seja, um pequeno aglomerado urbano segundo a hierarquia urbana (arruado, povoado, povoação, vila, cidade).Segundo que o bispo diocesano já percebia a necessidade de se construir a capela para a realização dos atos litúrgicos, coisa que só se justificava se houvesse população suficiente para tanto.

Igreja matriz de Jandaíra.

    Jandaíra tem como padroeiro São José Operário. A paróquia foi criada em 1988 por Dom Alair Vilar, arcebispo metropolitano. A igreja matriz foi restaurada e ampliada em 2002. 

Formação Administrativa

Em divisão territorial datada de 01/07/1950, o distrito de Jandaíra figurava no município de Lajes.

O povoado apresentava um ritmo de crescimento razoável ao longo do tempo, e, 31/12/1958, foi elevado à condição de vila. O Distrito fora criado com a denominação de Jandaíra ex-povoado, com terras desmembra do distrito de Pedra Preta, pela lei estadual nº 2343, de 31-12-1958, subordinado ao município de Lajes.

De Jandaíra como distrito  têm-se as seguintes informações. 

Em 1950 o inspetor de ensino do estado realizou uma demorada visita a Escola Isolada de Jandaíra (DIÁRIO DE NATAL, 04/06/1950, p.4).

Em 1953 o jornal Diário de Natal relatou que em virtude da estiagem prolongada a população de Jandaíra havia abandonado suas residências, encontrando-se todas as casas fechadas, tanto pela fome como pela falta de água (DIÁRIO DE NATAL, 21/02/1953, p.8).

Em 29/03/1958 foi nomeado  para o distrito policial daquela localidade o cabo Paulo de Souza Revoredo ( O POTI, 29/03/1958, p.5).

A criação do distrito administrativo

Em 08/01/1959 o governador Dinarte Mariz assinou  o decreto que criava o distrito administrativo e judiciário de Jandaíra, no município de Lajes. ( DIÁRIO DE NATAL, 08/01/1959,p.3).

Já em 1961 deu-se inicio a construção pelo DER do primeiro trecho de 42 km da estrada de rodagem ligando o município de João Câmara ao distrito de Jandaíra, em Lajes, tendo sido esse trecho inaugurado no primeiro ano da administração do governador.

Em 14/11/1962 foi nomeado o cabo José Argemiro Pedro como subdelegado de Poço de Jandaíra, no município de Lajes ( DIÁRIO DE NATAL, 14/11/1962, p.2).

A emancipação politica e administrativa

Em 27/12/1963, através da Lei nº 3.036, Jandaíra conquistou sua emancipação política, desmembrando-se de Lajes e tornando-se um novo município do Rio Grande do Norte.

Elevado à categoria de município com a denominação de Jandaíra, pela lei estadual nº 3036, de 27/12/1963, desmembrado de Lajes. Sede no antigo distrito de Jandaíra ex-povoado. Constituído do distrito sede. Instalado em 26/01/1964.

Jandaíra foi um dos inúmeros municípios criados no Rio Grande do Norte no inicio da década de 1960 pulverizando o território do estado com municípios sem a mínima estrutura para tanto, inclusive o básico que era o número necessários de habitantes e eleitores para a criação de um município, requisitos que obviamente Jandaíra não preenchia ao ser criado por meio da imposição da vontade do deputado estadual que propôs o projeto no plenário da Assembleia Legislativa.

Jandaíra foi um dos 4 municípios criados por desmembramento do munícipios de Lajes, sendo o demais Pedra Preta, Jardim de Angicos e Caiçara do Rio do Vento, todos em 1962.

Ao ser criado o município de Jandaíra foi delimitado seu  território em 353 km².

Foi aberto um crédito de 599 mil cruzeiro pelo governador Aluízio Alves destinado a atender a instalação dos novos municípios de Serrinha, Passagem e Jandaíra, (DIÁRIO DE NATAL, 20/01/1964, p.8), todos criados no ano anterior.

Em 1965 constava que havia apenas 302 eleitores no município de Jandaíra (DIÁRIO DE NATAL,11/01/1965, p.6).

Prefeitos

No pleito eleitoral ocorrido em 196 foi eleito José Maria dos Santos (PDC) como prefeito de Jandaíra, sendo o seu vice Francisco de Assis Fernandes, tendo vencido o candidato Ramiro Pereira da Silva (PTB). foi portanto, aquele o primeiro prefeito eleito de Jandaíra.

Em 1969 foi eleito Jonas Secundo Lopes como prefeito em Jandaíra, sendo o vice Agripino Baracho da Costa, ambos da ARENA.

Em 1972 Jonas Secundo Lopes foi reeleito para o mesmo cargo com 467 votos.

Em 1977 José Assunção da Costa foi eleito prefeito da ARENA.


José Assunção da Costa.

Panorama em 1974

    O município de Jandaíra está encravado numa região onde a natureza nem sempre beneficiava com chuvas, apesar disso, ia vencendo todos os obstáculos e se firmando com um dos municípios que apresentavam quadros progressistas em pouco mais de 10 anos de criado, segundo o jornal Diário de Natal.

No ano de 1974 o prefeito Jonas Secundo apresentou no citado jornal um relatório de sua administração a frente daquele município.

Educação

Na administração do prefeito Jonas Secundo foram construídas as seguintes escolas:

1. Escola Municipal José Maria dos Santos, no povoado de Tubibau.

2.Escola Municipal Santos Dumont, na Fazenda Jandaíra.

3.Escola Municipal Monsenhor Walfredo Gurgel, instalada no povoado de Aroeira.

4.Escola Municipal Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, no povoado Olho d'Água.

5.Escola Municipal Ricardo Fernandes Rocha, na sede municipal.

6.Escola Municipal 26 de Janeiro, na sede municipal.

Além do aumento da rede escolar, o prefeito criou o serviço de alto falante que mantinha programas esportivos, musicais, educacionais, informações, etc. (DIÁRIO DE NATAL, 31/01/1974, p.19).

Estava em construção em 1974 três salas de aula em Olho d'Água, Baixa do Feijão e Santa Teresinha, em convênio com o Ministério da Educação.

Havia além destas já citadas as seguintes escolas no município:

A) Escola Municipal São Geraldo, a fazenda homônima.

b) Escola  Municipal Baixa do Feijão, na fazenda homônima.

c) Escola municipal Santa Teresinha, na fazenda de mesmo nome.

d) Escola Municipal de Trincheiras, na fazenda de mesmo nome.

De acordo como relatório apresentado pelo prefeito Jonas Secundo haviam naquele ano de 194 em Jandaíra 10 escolas municipais, com média de 35 alun0s por escola totalizando 350 alunos, além de salas de aula espalhadas pelos povoados.

Uma escola municipal de Jandaíra.
Foto: Diário de Natal, 31/01/1974, p.19.

Havia ainda, "prestando valioso serviço no campo da educação, a Escola do Mobral, lutando lado a lado com a administração municipal pela erradicação  do analfabetismo em Jandaíra" (DIÁRIO DE NATAL, 31/01/1974, p.19).

Esporte

Naquele ano de 1974 o município ostentava o título de campeão estadual do campeonato interiorano (Matutão) após disputas com fortes times adversários como Nova Cruz, Goianinha, Macaíba, Ceará-Mirim, Parnamirim entre outros.A final aconteceu no estádio Castelão com Jandaíra ganhando de Areia Branca, ficando de posse do troféu do campeonato daquele ano.

De fato os jornais Diário de Natal e  O Poti, promotores do Matutão, exibiam grandes reportagens de páginas inteiras sobre a equipe de futebol de Jandaíra e sua qualidade técnica, eis ai um grande campo de estudos a ser investigado por historiadores locais.

Saúde

Havia em Jandaíra um posto de saúde em funcionamento, além de convênios com APAMI com médico e dentista a disposição da população mais humilde. Nos casos mais graves havia o encaminhamento para a cidade de Lajes em ambulância própria da municipalidade. A assistência a gestante era dada antes, durante e após o parto.

Posto de saúde de Jandaíra, 1974.
Foto: Diário de Natal, 31/01/1974, p.19.

Água

Havia em funcionamento dois poços tubulares que mantinham abastecida a população da cidade.

Um dos poços tubulares que abastecia a cidade de Jandaíra.
Foto: Diário de Natal, 31/01/1974, p.19.


Eletrificação

Naquele ano de 1974 estavam prontos os serviçs de eletrificação de Jandaíra em convênio firmado com a COSERN. Dentro em breve dias a população seria beneficiada com a energia da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso-BA. A energia elétrica em Jandaíra foi inaugurada em 10/11/1974 com a  governador Cortez Pereira em grande solenidade.

Demografia

De acordo com o jornal Diário de Natal em 1974 havia em Jandaíra 3.100 habitantes (DIÁRIO DE NATAL, 31/01/1974, p.19).Em 1975 a população foi estimada em 3.749 habitantes (  O POTI, 22/06/1975, p10).

Sistema de abastecimento da CAERN

Em 1974 a CAERN abriu edital para implantação do sistema de abastecimento de água em Jandaíra.

A primeira feira livre em Jandaíra

De acordo com o jornal Diário de Natal a primeira feira livre realizada na cidade de Jandaíra ocorreu em 1977: "A primeira feir livre do município foi realizada domingo passado com a participação dos feirantes e povo da cidade, distritos e cidades vizinhas".

Ainda segundo o referido jornal o maior incentivo para a realização da feira na cidade foi dado pelos proprietários de imóveis rurais que preferiram deixar o pagamento do pessoal para a aquela ocasião (DIÁRIO DE NATAL, 07/10/1977, p.15).A inciativa de feira foi do prefeito José Assunção Costa com a colaboração de todos os fazendeiros do município.

      Sobre a feira de Jandaíra escreveu o jornalista e ex padre José Luís da Silva " sabe-se agora que Jandaíra mantém uma das mais movimentadas feiras da região, sendo esta sua última referência. Trata-se de um acontecimento recente, iniciativa do atual prefeito e de sua assessoria administrativa. A feira acontece sempre aos domingos, tendo o volume de transações aumentado visivelmente, inclusive decorrendo daí outra movimentação, qual seja a instalação de parque de diversão, ajuntamentos motivados pela feira, etc" (DIÁRIO DE NATAL, 08/11/1977, p.14).

As outras referências a que se referia o citado jornalista eram Jandaíra ter o epiteto de "terra do mel', além disso eram conhecidos o sisal, o algodão e a cal virgem que eram ali produzidos.

Panorama em 1977

Constava como prefeito do município José Assunção Costa, o vice era Manoel Germano de Freitas. A Câmara de Vereadores esta composta pelos seguintes membros: Vivaldo Damasceno, Severino Mendes da Silva, Francisco Martins de Melo, Silvano Pinheiro da Câmara, Francisco Pinheiro da Silva, todos da ARENA e Gilvanir de Souza Martins, Alfredo Félix da Costa, do MDB.

      Exercia o cargo de delegado o 3º sargento Lourival Florêncio da Silva.

      O município estava incluído na Microrregião da Serra Verde contando com uma população estimada em 3.867 habitantes, tendo como atividades econômicas a cultura agrícola, extração vegetal, pecuária e indústria de extração mineral, exportando algodão, sisal e cal virgem, importando gêneros alimentícios, tecidos, medicamentos, artigos domésticos, etc.

O município esta ligado por rodovia com  Galinhos (BR 406 e estrada carroçável municipal e RN 221) a 50 km de distância, Guamaré  Galinhos (BR 406 e estrada carroçável municipal e RN 221), a 50 km, Jardim de Angicos ( RN 129, RN 263 e estrada carroçável municipal) a 45 km,  João Câmara (BR 406) a 43 km de distância, Lajes (RN 129 e estrada carroçável) a 48 km, Pedra Preta ( RN 129) a 25 km de distância, Pedro Avelino ( BR 406 e estrada carroçável) a 41 km, São Bento do Norte ( BR 406 e RN 129) a 37 km de distância, Natal ( BR 406 via João Câmara) 118 km de distância, percurso este realizado em 3 horas.

Toponímia

      O vocábulo Jandaíra deriva do idioma indígena "iandi-eira" que significa abelha de mel ou abelha de muito mel.

     A produção de mel de abelha Jandaíra foi outro motivo para que a localidade tivesse essa denominação, considerando que além disso, todos os anos aquela área tem elevada quantidade desse produto, sem exploração organizada ou sistemática, enquanto os caçadores é que fazem a coleta artesanal dentro dos matos, ainda de modo bastante impróprio, ou sem a tecnologia moderna.

Abelhas Jandaíras.

Inicialmente fora denominado Poço Jandaíra. A presença humana na região está explicada e justificada pela existência do "Poço" com suas águas permanentes determinando assim a fixação.

 Abastecimento de água

Em 1979  a CAERN estava perfurando poços artesianos no município de Jandaíra, eliminando um dos grandes problemas do povo daquele município. No mesmo ano o prefeito José Assunção da Costa estava pleiteando recursos financeiros junto ao Banco do Nordeste para a eletrificação da localidade de Aroeira (O POTI, 04/11/1979, p.22).

Turismo 
          Há em Jandaíra a presença de inúmeras cavernas que em muito contribuem para o turismo arqueológico, de aventura e pedagógico.

Caverna em Jandaíra.