sábado, 26 de junho de 2021

O MERCADO DA AV. PRESIDENTE SARMENTO NO ALECRIM

 

         O mercado da Av. Presidente Sarmento, mais conhecido como “Mercado da 4”, em alusão a citada avenida que era assim denominada, foi construído em substituição ao mercado situado na Praça Gentil Ferreira no mesmo bairro.

         O prefeito Ernani da Silveira confirmou para as 17h00 do dia 04/09/1970 a inauguração do mercado público do Alecrim, em solenidade presidida pelo governador Walfredo Gurgel.

         O novo mercado situado a Av. Presidente Sarmento, foi construído com 262 boxes que seriam explorados por locatários do velho mercado do Alecrim, do antigo mercado da Cidade Alta e ainda por comerciantes da feira de emergência das Rocas, que teriam condições mais humanas e higiênicas para a venda de gêneros alimentícios.

         Somente após a inauguração do prédio, a prefeitura nomearia a administração do novo mercado que entraria em funcionamento dentro de 60 dias.

         O prefeito Ernani da Silveira havia informado ainda que ainda aquele mês a prefeitura iniciaria a construção de 500 boxes em quadra descoberta situada vizinho ao novo mercado em terreno que já havia sido desapropriado.Com a conclusão desta obra seria solucionado o problema dos locatários (DIÁRIO DE NATAL, 03/09/1970, p.8).

O velho mercado do Alecrim com problemas acumulados há anos seria demolido num futuro próximo para dá lugar a uma passagem urbana reclamada pela cidade, já que o prédio tomava o espaço do que poderia ser o trânsito de veículos.

De acordo com documento que servia de planejamento para futuras realizações na gestão de Agnelo Alves, disse o mesmo que era perfeitamente compreensível a impraticabilidade de qualquer serviço de ampliação ou modernização do mercado do Alecrim, uma única solução afigurava-se como viável na sua administração que era a sua erradicação sumária.

Situação atual

         Presentemente o prédio do mercado da Av. Presidente Sarmento no Alecrim havia sido interditado e o condenado pelo Corpo de Bombeiros por falta de segurança e condições de funcionamento, cabendo a prefeitura tomara as devidas medidas para resolver o problema daquele ninho de arapuá que a  própria prefeitura tem medo de por a mão.

Aspectos do mercado da Av. Pres. Sarmento no Alecrim.

O MERCADO DA CIDADE ALTA

 

A Coleção de Leis Provinciais do Rio Grande do Norte cita o aluguel de uma casa que servia de mercado da Cidade Alta já em 1870 (COLEÇÃO DE LEIS PROVÍNCIAS DO RIO GRANDE DO NORTE, 1870, p.40).

Em 1889 foi publicado no jornal A República o edital de concorrência pública para a conclusão das obras do mercado público de Natal (A REPÚBLICA, 31/12/1889, p.4).

Em 16/04/1890 foi aberto um crédito na quantia de 4 contos de réis da verba dos socorros públicos do ministério do interior, para o pagamento da 2ª prestação a que tinha direito o cidadão Antônio Minervino de Moura Soares, como contratante das obras da casa do mercado público da capital (A REPÚBLICA, 16/04/1890, p.4).

No relatório do governador Adolfo Afonso da Silva Gordo o mesmo escreveu que: “mandei continuar as obras do mercado desta capital, em que já se gastaram dezenas de contos de réis, e que se iam deteriorando com as chuvas completamente” (A REPÚBLICA, 01/07/1890, p.1).

Em 26/07/1890 foi nomeada uma  comissão composta por Augusto Carlos de Melo L’Eraistre, procurador fiscal da tesouraria da fazenda e Jonh Morant, engenheiro chefe da Estrada de Ferro Natal a Nova Cruz, para examinar e declarar se as obras do mercado público da capital foram ou não executadas de conformidade com o seu contrato e respectivo orçamento, a fim de ter lugar a entrega do mesmo mercado à referida tesouraria pelo contratante Antônio Minervino de Moura Soares (A REPÚBLICA, 26/07/1890, p.1).

Em 13/10/1890 foi autorizado o recebimento provisoriamente o prédio do mercado público de Natal com as alterações que, em face do contrato, notou nas obras do mesmo a comissão encarregada de examinar (A REPÚBLICA, 13/10/1890, p.1).

Em 23/11/1890 foi nomeada uma comissão composto por Augusto Leopoldo Raposo da Câmara, 1º tenente Afrodizio Fernandes Barros e Angelo Roseli, para se encarregar da conclusão das obras do mercado público da capital potiguar, ficando a referida comissão autorizada a nomear um administrador para dirigir os respectivos trabalhos (A REPÚBLICA, 23/11/1890, p.1).

A 05/02/1891 seriam abertas as propostas a fim de ser contratada a conclusão das obras do mercado público de Natal, de acordo com o orçamento do município (A REPÚBLICA, 01/02/1891, p.4).

Não tendo a comissão encarregada da conclusão das obras do mercado público da capital, encetado os trabalhos da casa do referido mercado dentro do prazo, a intendência resolveu abrir nova concorrência, a fim de que em hasta pública fosse contratada com melhores vantagens oferecesse a conclusão das referidas obras (A REPÚBLICA, 26/02/1891, p.1).

Em 21/01/1892 foi realizado leilão público dos quartos do mercado de Natal por quem mais desse e maior lance oferecesse, sob a base de 10$000 réis mensais por cada um dos quartos (A REPÚBLICA, 16/01/1892, p.4).

A inauguração

         A inauguração do mercado público de Natal ocorreu em 07/02/1892.

    Conforme o jornal A República em presença da Junta Governativa, de representantes de todas as classes sociais e crescida massa popular, o vice-presidente da Intendência declarou aberto ao comércio e concorrência  pública o mercado cuja utilidade e importância salientou concluindo por felicitar o povo riograndense e a Junta Governativa , cujo presidente saudou a Intendência municipal e ao povo natalense, lavrando-se de tudo uma ata que foi assinada pelos membros da Intendência e da Junta Governativa, pelo major comandante do 34º Batalhão de Infantaria e oficiais, médicos, militares, oficiais de marinha, representantes da magistratura federal e local, comandante da policia, inspetores da tesouraria e do Tesouro e os demais cidadãos presentes( A REPÚBLICA, 13/02/1892, p.2).

        Seguiu-se um copo d’água, durante o qual trocaram-se diversos brindes, cada um dos quais solenizado pela banda de música do 34º Batalhão de Infantaria, que estava postada no salão do edifício.

      Boa e aprazível foi aquela festa que terminou por volta das 14h00.A noite houve música e iluminação no edifício e grande concorrência de famílias das mais distintas da capital.

      Até que enfim desencantou-se o mercado que felizmente estava aberto a concorrência da população natalense e dotado o município de um melhoramento transcendental, de há muito reclamado e longamente esperado por todos que se interessavam pelo bem comum, escreveu ainda o referido jornal ( A REPÚBLICA, 13/02/1892, p.2).

    O edifício tinha proporções adaptadas a comportar as mercadorias que ofereciam diariamente ao mercado.


Aspecto da primeira arquitetura do mercado da Cidade Alta, início do séc. XX.


Nesta imagem o mercado aparece já com as feições diferentes após reformas.



Aspectos do mercado da Cidade Alta.

Nesta foto aparecem os prédios do antigo Atheneu e o mercado da Cidade Alta, ambos com arquiteturas bem parecidas, sendo o Atheneu o prédio em destaque na foto a direita, já o mercado aparece atrás dos soldados em formação.

         Mesmo tendo sido inaugurado o mercado se ressentia de alguns defeitos de condições higiênicas que poderiam facilmente ser remediados abrindo-se válvulas a entrada de maior quantidade de ar “feito isto, estará muito bom” escreveu o citado jornal ( A REPÚBLICA, 13/02/1892, p.2).

O primeiro incêndio 

Na noite de 5 para 6 de março de 1893 houve no mercado público de Natal um começo de incêndio, que danificou completamente um dos quartos do estabelecimento. O fogo só foi descoberto depois de fechado o mercado (A REPÚBLICA, 11/03/1893, p.3).Seria um presságio do triste final que viria a ter o mercado público da Cidade Alta anos depois?

Na mensagem enviada ao Congresso Estadual em 1900 escreveu o governador  Alberto Maranhão que a reconstrução do mercado estava também tornando-se cada dia mais urgente, atentas às más condições daquele edifício, que, pela completa ausência  de higiene, era considerado um iminente perigo para a salubridade pública, podendo torna-se um foco deletério da maior gravidade caso tivesse o infortúnio de visitar a Capital potiguar a peste (MENSAGEM..., 1900, p.9).

Foi então que levar a efeito essa medida, cuja realização requeria um dispêndio superior às forças atuais do erário da Intendência, que segundo o governador Alberto Maranhão, ele foi forçado a autorizar que as obras fossem custeadas pelo Tesouro,  obrigando-se a Intendência a indenizar o Estado (quando pudesse).

   Na mensagem a Assembleia Legislativa em 25/03/1904 o governador Alberto Maranhão escreveu que durante os  4 anos do seu mandato foi reedificado em ótimas condições higiênicas o mercado público de Natal (MENSAGEM..., 1904, p.12).

Consta nos relatórios do governador Alberto Maranhão que o mesmo reconstruiu o mercado público da capital em condições de torná-lo digno de uma capital adiantada (A REPÚBLICA, 24/03/1902, p.1).

A ampliação do mercado da Cidade Alta

Até meados da década de 1930 a cidade de Natal ressentia-se de mercados públicos condignos, o mercado da Cidade Alta seria o único e suficiente mercado público de Natal.

 Tendo sido em 1937 iniciados pelo prefeito Gentil Ferreira a ampliação do mercado da Cidade Alta e a construção do mercado da Ribeira.

O novo e grande mercado da Cidade Alta à Av. Rio Branco, foi construído com uma área de 4.200 m², obra que recomendava qualquer cidade a época.

A inauguração

         O prefeito Gentil Ferreira marcou a inauguração do novo mercado da Cidade Alta para 01/05/1937,  que de acordo com o Diário de Pernambuco: “há mais de seis anos que não se realiza neste Estado, inauguração de prédio público, nas condições do atual edifício, cujo ato vai ser revestido de grande solenidade” (DIÁRIO DE PERNAMBUCO,14/04/1937,p.12).

         O novo mercado abrangia uma área de 4.200m² compreendidos entre a Av. rio Branco, rua Auta de Souza e praça João Tibúrcio e do Mercado.Na área interna seriam alocados cerca de 250 comerciantes permanentes, existindo uma área para feira diária e instalações de frigorifico

         A inauguração contou com  a presença do governado do Estado, do prefeito da Capital, outras autoridades, representantes da imprensa e grande número de pessoas.

Sobre a inauguração do novo mercado da Cidade Alta escreveu o jornal A Ordem que o prédio recém-inaugurado era verdadeiramente uma obra notável que se construía em Natal, com as próprias rendas municipais, sem auxílios estranhos nem apelo a empréstimos (A ORDEM, 01/06/1937, p.1).Poucas eram as capitais que se podiam orgulhar de possuir um mercado como o da Cidade Alta em Natal dizia ainda o mesmo jornal.

A frente das obras de construção do novo mercado da Cidade Alta estava o engenheiro Otávio Tavares, diretor de obras da prefeitura.

O prédio foi construído com 54 metros de frente por 81 metros de fundo.A parte concluída e a ser posta à disposição do público abrangia uma área de 2.185 m², ou seja, 2 1/5 vezes maior que o antigo mercado.

A área interna estava dividida em ruas e avenidas, sendo 28 locais para carne verde, 22 para carnes secas, queijos e vísceras, 10 para cafés e pequenos restaurantes, 6 para aves, 70 para cereais, 12 para miudezas, 37 para frutas e verduras e 2 grandes locais para feiras livres.

O serviço de saneamento era subterrâneo, onde se achavam instalados  9 aparelhos, 2 mictórios e 2 pias para asseio.

O edifício era coberto com telhas belgas, de amianto. O piso era de paralelépidos, reajuntado e sobre base de concreto. Nos locais de peixe e carne o piso era de mosaico branco e os balcões e colunas de marmorito. Os portões era de ferro, de enrolar, e davam passagem a automóveis e caminhões.

Todas as seções eram providas de instalações de água, sendo que nos locais para a venda de peixe foram postas 18 torneiras.

         Foram instaladas 24 lâmpadas para a iluminação interna. O custo total da parte inaugurada custou a prefeitura 393.660$000 (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 08/06/1937, p.3).



Aspectos do mercado da Cidade Alta após a ampliação de 1937.

Aspectos internos do mercado da Cidade Alta no dia da sua inauguração. Foto: diário de noticias,12/06/1937,p.18.

Aspectos internos do mercado da Cidade Alta no dia da sua inauguração. Foto: diário de noticias,12/06/1937,p.18.

Aspectos do bairro da Cidade Alta onde é possível ver o mercado público.

Aspectos internos do mercado da Cidade Alta no dia da sua inauguração. Foto: diário de noticias,12/06/1937,p.18.

Aspectos internos do mercado da Cidade Alta no dia da sua inauguração. Foto: diário de noticias,12/06/1937,p.18.

Aspectos internos do mercado da Cidade Alta no dia da sua inauguração. Foto: diário de noticias,12/06/1937,p.18.


O fim

    O mercado da Cidade Alta teve um final trágico em 1967 quando foi devorado tal qual a hecatombe que se abateu sou a cidade de Roma mandada ser incendiada pelo doido do imperador Nero. As lendas urbanas e a boas línguas de Natal juram de pé junto com  a mão na bíblia e pelo sangue vertido da Cruz que o incêndio foi criminoso e proposital. Mas isso é assunto para outra postagem, por hora a imagem a baixo mostra o estado em que ficou o mercado da Cidade Alta após o fatídico sinistro que reduziu ao pó aquele que era um dos maiores prédios públicos da Capital potiguar.




 

O MERCADO DE PETRÓPOLIS


         Depois do hecatômbico incêndio do mercado da Cidade alta em 1967 (cujas lendas urbanas de Natal rezam ter sido proposital e criminoso) o prefeito Agnelo Alves pretendeu construir até ao término do seu mandato uma rede, de no mínimo três, de  mercados públicos, espalhados pelos mais diferentes bairros da cidade  e esperava contar para este empreendimento as verbas da finada SUDENE que já havia aprovado e liberado uma verba de 100.000,000 de cruzeiros novos para esta finalidade.

O mercado de Petrópolis

         De acordo com o Diário de Natal a partir de 01/07/1968 seria iniciada a construção do primeiro mercado em Tirol, onde ficava localizada a sede da Associação Feminina de Atletismo numa área coberta de 14.000m² com 115 boxes e deveria ser concluído dentro de 150 dias. Após a conclusão seria iniciado a construção de outro, que ficaria localizado na rua Padre Pinto, que também deveria ser construído no mesmo prazo estabelecido para o primeiro (DIÁRIO DE NATAL, 26/06/1968, p.8).

         A AMPLA (autarquia da prefeitura que não sei o que se significava) iniciou de fato a construção do primeiro mercado da rede de mercados públicos do prefeito Agnelo Alves, debaixo de chuva.

         O incêndio do mercado da Cidade Alta deixou Natal praticamente sem mercado com feiras livres nos bairros suburbanos.

         A inauguração do mercado modelo de Tirol-Petrópolis ocorreu em 31/01/1969, tendo sua construção ficado a cargo do engenheiro Hemult de Souza Hackradt. O prefeito Agnelo Alves havia declarado na inauguração que o novo mercado seria entregue à população natalense na primeira quinzena de março ou antes disso, caso o Departamento de Saneamento do Estado concluísse os trabalhos de ligação externa do prédio com a rede de abastecimento d’água da cidade, porque não havia material (tubos de ferro de 6 polegadas) e a ligação elétrica da parte externa do prédio ( a instalação interna estava concluída).

         Como é tradição em Natal, a obra foi inaugurada inacabada, pois de acordo com o que havia dito o engenheiro Helmut Hackadt o mercado modelo de Tirol-Petrópolis estava praticamente concluído faltando apenas o acabamento externo de sanitários e a colocação de pedras de mármore nos boxes localizados na parte térrea do mercado.

 Em 05/02/1969 a Comissão de Construção de Mercados, presidida pelo vice-prefeito Ernani Alves da Silveira, havia iniciado a seleção de locatários do novo mercado modelo de Tirol-Petrópolis, dando prioridade aos ocupantes do antigo mercado da Av. Rio Branco, que estava aquela época instalado no pátio da feira das Rocas em barracas armadas pela Prefeitura de Natal.

O mercado modelo dispunha de 114 boxes localizados na parte térrea para a venda de carne, legumes, peixes, aves, etc., e na sobreloja ficava localizada a administração do mercado, além de boxes  para lanches e serviço de bar e restaurante. Dispunha ainda de um moderno dispositivo contra incêndio, instalado por técnicos especializados.

O segundo mercado da rede de mercados de Agnelo Alves seria construído no bairro do Alecrim cuja a construção foi posta sob a responsabilidade do Batalhão de Engenharia e Construção do Exército.

Possivelmente o terceiro mercado da rede seria construído no bairro das Rocas, que abasteceria os bairros da Ribeira, Rocas, Santos Reis etc (DIÁRIO DE NATAL, 05/02/1969, p.8).

De acordo com o levantamento dos técnicos da Assessoria Municipal de Planejamento o mercado do Tirol-Petrópolis atendia a uma população superior a 70 mil habitantes espalhados pelos bairros do Tirol, Petrópolis, Ribeira, Cidade Alta e Rocas.

        O velho mercado da Cidade Alta, quando de sua construção em 1935, atendia a um número inferior a 20 mil habitantes espalhados pelos mesmos bairros, de acordo com levantamentos feitos a época.

         Já o mercado do Alecrim por seu turno, servia a quase 130 mil pessoas espalhados pelo Alecrim, Lagoa Seca, Quintas, Dix-Sept Rosado, Lagoa Nova  e outros subúrbios.

         O novo mercado do Tirol-Petrópolis tinha um número inferior ao relação ao do mercado sinistrado, que tinha 488, além de um grande número de vendedores ambulantes em seu interior, vendendo artigos caseiros e verduras. Porém em seus 126 boxes o mercado do Tirol-Petrópolis teria capacidade de atender a população na compra de todos os artigos desde carne e o feijão até aos calçados e confecções (DIÁRIO DE NATAL, 26/02/1969, p.3).



Mercado de Petrópolis.


O MERCADO DO ALECRIM

        A história do mercado do Alecrim tem inicio em 10/03/1938 quando a prefeitura de Natal iniciou as providências a fim de construir o mercado do Alecrim, na Praça da Mangueira, onde seriam desapropriadas diversas casas entre as ruas Amaro Barreto e a Av. 11 (A ORDEM, 10/03/1938, p.4).

         Em 01/05/1938 foi realizada a cerimônia (solene) do lançamento da pedra fundamental do mercado do Alecrim, que seria construído pelo prefeito Gentil Ferreira, prefeito da capital potiguar. Segundo o jornal A Ordem: “É inegavelmente um grande melhoramento para o populoso bairro da nossa capital que já se ressentia desta falta” (A ORDEM, 01/05/1938, p.1).

O mercado do Alecrim foi construído com uma área de 1.250m² tendo a prefeitura despendido nessa obra 1.000 contos de réis.

A inauguração

As 09h00 do dia 12/11/1938 realizou-se a inauguração do novo e imponente mercado do Alecrim,          que segundo o jornal A Ordem era “mais uma obra que enaltece e recomenda a administração do prefeito Gentil Ferreira” (A ORDEM, 12/11/1938, p.4).

       Foi notada a presença de grande número de pessoas no vasto edifício inaugurado. Esteve presente a cerimônia o Interventor Rafael Fernandes, o bispo diocesano, Dom Marcolino Dantas, Aldo Fernandes, Dioclécio Duarte, Oscar Siqueira, os professores Antonio Fagundes e Luis Soares, outras autoridades, famílias e representantes da imprensa.

       Após a benção do prédio dada pelo bispo, o mesmo dirigiu algumas palavras aos presentes, felicitando o povo do Alecrim e o prefeito da Capital e o Interventor pela inauguração de tão importante obra.

         A seguir o prefeito Gentil Ferreira falou sobre o melhoramento que acabara de construir e no qual gastara 200 contos de réis, descrevendo cada uma das suas partes, o material empregado, etc. Terminou declarando que o Alecrim ainda tinha muito que esperar do seu governo e estava certo de que as suas novas aspirações seriam atendidas.

         Coube ao Interventor Rafael Fernandes considerar inaugurado o imponente edifício, o que fez com elogiosas referências ao prefeito Gentil Ferreira que escolhera com aquela inauguração uma excelente forma de homenagear o Estado Novo, na pessoa do Chefe da Nação, Getúlio Vargas.

Na inauguração do mercado do Alecrim o professor Luis Soares, cujo nome estava (e está) vinculado aquele bairro por uma série de benemerências, falou, interpretando os sentimentos da população alecrinense para  agradecer ao prefeito Gentil Ferreira o grande beneficio prestado ao bairro do Alecrim com a construção daquele imponente edifício.Todos os discursos foram proferidos ao microfone (novidade a época) e batidas várias chapas fotográficas da solenidade.

Sobre o bairro do Alecrim

No inicio da década de 1940 o Alecrim era o maior bairro da capital potiguar, constituído de densa população, alongava-se por muitas avenidas, ruas e beco, perdendo-se em infindáveis casinhas que pontilhavam por todos os cantos.

         O movimento comercial do Alecrim era intenso, e desde a madrugada até altas horas da noite, o trânsito de veículos e pedestres afirma que ali se trabalhava a procura de maior progresso.

         Era dotado de mercado moderno, idêntico aos demais existentes na cidade, o Alecrim estava a reclamar maior atenção na parte de limpeza pública, no tocante a imundice que campeava por trás do mercado no trecho onde existiam pequenos locais, tendas e barracas.

         Com as chuvas aquelas dependências do mercado que ficavam separadas deste por uma estreita passagem, tornava-se um deposito diário de sujeira, pois a lama ali existente, vinha juntar-se as cascas de frutas, palhas de milho e outros, emprestando àquele trecho um aspecto nada agradável.Além do perigo que apresentava à saúde pública, de vez que com a falta de limpeza o lixo exalava terrível fedentina.

         Esse verdadeiro atentado ao asseio da Capital era visto diariamente não somente pelos que residiam no Alecrim, mas também pelos que viajavam par ao interior, em virtude de nas imediações daquele antro de imundície pararem  os ônibus e caminhões que se destinavam as cidades vizinhas.

         Assim , ficava a observação da reportagem do jornal A Ordem, esperando-se que as autoridades competentes tomassem as medidas necessárias (A ORDEM, 30/07/1943, p.3).

         Em 1946 foi concluída a ampliação do mercado do Alecrim pela prefeitura de Natal na gestão do prefeito Silvio Pedrosa.

         Em 1950 o prefeito da Capital, Claudinor de Andrade, mandou estudar as possibilidades para ampliar o mercado do Alecrim, que já se mostrava insuficiente para atender às necessidades dos inúmeros habitantes do bairro (A ORDEM, 27/03/1950, p.4).

No Diário Oficial do Município de 05/03/1951 foi registrado que o prefeito Olavo Galvão em visita ao mercado do Alecrim inteirou-se da precária situação de grande número de barracas situadas na parte posterior daquele prédio, e cujo estado sanitário reclamava providências ao seu deslocamento ou extinção.

         De acordo com o jornal A Ordem àquela situação era uma coisa muito pouco limpa, onde a sujeira, a fedentina, a falta de higiene nas portas de entrada da cidade mereciam mesmo essas providências que certamente seriam tomadas em conjunto pela Prefeitura e pela Saúde Pública (A ORDEM, 05/03/1951, p.1).

         Em 1971 dentro das propostas da prefeitura de Natal para obras na capital estava o remanejamento do mercado do Alecrim da Praça Gentil Ferreira para  a Avenida Presidente Sarmento, com a transferência para o novo local de todos os permissionários do antigo mercado e mais alguns locatários e feirantes das Rocas, bem como assim do antigo mercado da Cidade Alta.

         Não encontramos nenhuma imagem do primeiro mercado público do Alecrim apesar de na inauguração terem sido batidas muitas chapas fotográficas da solenidade. Ilustramos a postagem com as imagens da Rua Amaro Barreto e da Av. Presidente Bandeira no Alecrim, possivelmente na década de 1950, locais onde nas proximidades se localizava o referido mercado.



sexta-feira, 25 de junho de 2021

O MERCADO DO TIROL

         Pelo decreto nº 98 de 20 de abril de 1944 a prefeitura de Natal desapropriou três terrenos situados no Tirol na avenida Rodrigues Alves a fim de ser construído o mercado da Cidade Nova. Esse seria o quarto mercado a ser construído em Natal.

Em 19/11/1944 as 10h00 ocorreu a solenidade de inauguração do edifício do mercado público, localizado na Av. Rodrigues Alves.

Ao ato compareceram altas autoridades civis, militares e eclesiásticas, além  de jornalistas e pessoas gradas.

De acordo com o jornal A Ordem: “esse é outro importante melhoramento que a progressista administração da Prefeitura Municipal  de Natal, vem de introduzir em nossa cidade, a qual ficará, assim, dotada de quatro excelentes mercados distribuídos pelos bairros da Cidade Alta, Alecrim, Tirol e Ribeira” (A ORDEM,18/11/1944,p.6) era prefeito a época  José Augusto Varela.

A benção do edifício foi dada pelo Mons. João da Mata tendo o mesmo pronunciado algumas palavras. Em seguida falou o prefeito José Augusto Varela: “o qual não tem poupado esforços no sentido de dotar a nossa capital de novos e importantes melhoramentos públicos, como agora acontece com  a inauguração desse novo mercado, além da pavimentação em diversas ruas da cidade” (A ORDEM,20/11/1944,p.1).

Por fim usou a palavra o interventor Federal General Fernandes Dantas. Às autoridades presentes foi servido champagne.

Ainda de acordo com o jornal A Ordem estava de parabéns os moradores do progressista bairro do Tirol, pela inauguração do seu mercado, o qual também muito beneficiaria as pessoas residentes em Petrópolis (A ORDEM, 20/11/1944, p.1).

Como parece ser uma tradição onde na maioria das capitais brasileiras há um mercado denominado São José, o do Tirol em Natal também recebeu o patrocínio desse santo.

As imagens a seguir mostram o mercado São José do Tirol em Natal.

Foto: A Manhã, 1944.



Foto: Diário de Natal, 16/10/1952, p.1.

Em 03/02/1948 o prédio do mercado de Tirol passou a abrigar o posto de subsistência do Serviço de Alimentação e Previdência Social-SAPS destinado a venda de gêneros de primeira necessidade à população pelo preço do custo.

A agência do SAPS  foi instalada no mercado do Tirol até a construção de sua sede própria.

 Sobre o bairro do Tirol

 Em 1951 não era desconhecido de ninguém que a população de Natal vinha aumentando consideravelmente nos últimos anos e que entre as zonas de maior desenvolvimento figurava a de Tirol.

         O maior número de edificações residenciais vinha sendo justamente construídos naquele bairro, onde podia-se observar o acréscimo vertiginoso de moradias isoladas e grupos construídos por instituições de previdências social.

         Era lá que estavam sendo ultimadas os grandes edifícios da Policia Militar, Casa de Saúde São Lucas, Instituto de Puericultura e Escola Doméstica, Escola do SENAI e com obras iniciadas o Hospital de Alienados e a Escola Industrial estava ainda inacabada.

         A maior parte da tropa do Exército estava ali aquartelada, sendo que a  maioria de oficiais e graduados residia nas proximidades de seus quartéis.

         Segundo um cronista do jornal Diário de Natal não se entendia como era que toda essa população tinha de ficar sujeita a um único centro público de abastecimento que era o mercado da Cidade Alta, quando a prefeitura dispunha de um edifício especialmente construído para tal finalidade na Av. Rodrigues Alves, ponto central do bairro.

         De acordo com o citado jornal o mercado do Tirol havia sido fechado havia alguns anos em vista do pequeno movimento de frequentadores.

         Porém, em 1951 a coisa estava diferente, pois milhares de pessoas já haviam fixado moradia no Tirol, e certamente aproveitariam as vantagens do tempo e da distância. E isso era o desejo da população manifestado por um grupo de pessoas em conversas com a reportagem do dito jornal.

         Aguardava, pois, o Diário de Natal que a prefeitura de Natal tomasse as providências desejadas ou explicasse o contrário (DIÁRIO DE NATAL, 12/09/1951, p.1).

Em 10/04/1951 deu entrada na Câmara de Vereadores de Natal um projeto de autoria do vereador Manoel Oliveira Paula criando a Diretoria de Saúde e Assistência Hospitalar, sendo a referida diretoria instalada no prédio do antigo mercado do Tirol o qual estava sendo adaptado para tal finalidade (A ORDEM, 10/04/1951, p.4).

      Segundo o jornal A Ordem o prefeito Mário Lira havia entrado em entendimento com a administração do SAPS, a fim de que o mercado do Tirol onde funcionava já aquele ano um posto de subsistência daquela autarquia voltasse a ficar aberta ao público (A ORDEM23, 10/1951, p.1).

Fechamento e reabertura do mercado São José no Tirol

O Diário de Natal publicou em 24/10/1952 que o mercado São José do bairro do Tirol seria fechado por alguns dias em vista de os habitantes dos bairros de Petrópolis e Tirol não comparecerem no referido mercado.

O motivo do afastamento dos moradores daqueles bairros do mercado do Tirol foi que estava faltando carne verde havia mais de 3 dias, prejudicando os consumidores, as bancas de frutas e verduras, assim como as mercadorias ali existentes. Os moradores estavam procurando o mercado da Cidade Alta (DIÁRIO DE NATAL, 24/10/1952, p.3).

         Em 23/0/1952 prefeito de Natal havia informado que havia tomado as providências em relação a reabertura do mercado São José no bairro do Tirol, que se encontrava fechado em prejuízo da população ali localizada (DIÁRIO DE NATAL, 23/07/1952, p.6).

Fonte: A Ordem,22/09/1952,p.3.

        Conforme o aviso mostrado a cima a reabertura do mercado do Tirol foi marcada para o dia 01/10/1952.

O mercado público São José no bairro do Tirol, construído na administração do então prefeito José Augusto Varela, em atenção a constantes pedidos da população daquele bairro esteve de portas fechadas por algum tempo.

Apesar de localizado no ponto mais central da Av. Rodrigues Alves, de modo a servir aos habitantes do Tirol e Petrópolis, serviu de abrigo de morcegos, esconderijo de malandros e finalmente deposito do SAPS.

Finalmente o prefeito Creso Bezerra resolveu determinar a sua reabertura, atendendo ainda uma vez a outros apelos de numerosas famílias. Foi feita completa limpeza interna e externa, abatatados os locais e bancadas para os diferentes produtos e designados os servidores encarregados do funcionamento do referido mercado.

Já estavam abertos os locais de venda de carne verde, verduras, legumes, frutas e artigos de mercearia.Outros gêneros iriam chegar aos poucos, na medida da procura.

Mesmo depois da reabertura o jornal Diário de Natal lamentava que não estava havendo maior interesse por parte das famílias residentes naquela parte da capital. Os ocupantes dos postos de venda já estavam desanimados ante a falta de movimento.

No dia 15/10/1952 o jornal Diário de Natal esteve  em visita ao mercado São José e verificou o cuidado com que a prefeitura havia preparado o seu interior para bem servir a coletividade. Poucas pessoas ali se encontravam comprando frutas, aliás por preços compensadores, escreveu o referido jornal.

Ainda de acordo como o mesmo jornal caso não houvesse  a melhora na situação do mercado, isto é, se o povo continuasse desinteressado no mesmo, a prefeitura iria fechá-lo novamente no que apenas o povo seria o responsável.

O jornal apelava ao povo de Tirol e Petrópolis que ao menos visitassem o mercado São José  caso contrário o jornal teria que noticiar o fechamento do mesmo novamente (DIÁRIO DE NATAL, 16/10/1952, p.1).

         Segundo o jornal A Ordem o prefeito Mário Lira havia entrado em entendimento com a administração do SAPS, a fim de que o mercado do Tirol onde funcionava já aquele ano um posto de subsistência daquela autarquia voltasse a ficar aberta ao público (A ORDEM, 23/10/1951, p.1).

         Em 1969 um anúncio dos classificados do Diário de Natal exibia a venda do prédio onde funcionou o mercado do Tirol: “vende-se. Ótimo para repartição pública, indústria, supermercado ou grande empresa, o prédio onde funcionou o Tesouro do Estado e o antigo Mercado do Tirol, à Avenida Rodrigues Alves, com aproximadamente 1.000m² de área. Tratar com Garibalde pelo telefone 1175” (DIÁRIO DE NATAL, 22/07/1969, p.4).

         Não conseguimos identificar na av Rodrigues Alves atualmente onde estava o prédio do mercado do Tirol.