sexta-feira, 25 de junho de 2021

O MERCADO DAS ROCAS

 

         A construção do mercado das Rocas foi cogitada em delongadas discussões na Câmara de Vereadores de Natal desde 1952 quando se apresentou um projeto para que a prefeitura vendesse o prédio do mercado da Ribeira e com o dinheiro construísse um novo nas Rocas.

Já em 1959 um projeto do vereador Messias Dionísio Santos autorizava o prefeito da capital potiguar a construir o mercado público das Rocas.

         Segundo a matéria que foi aprovada, o mercado das Rocas seria edificado num terreno existente ao lado do Posto de Puericultura da Legião Brasileira de Assistência-LBA e teria uma área de 2.424,70m².

         Para contar com os recursos necessários o prefeito ficava autorizado a vender mediante concorrência pública o mercado da Ribeira, pela importância de 2 milhões de cruzeiros e juntando-se a quantia de 1 milhão de cruzeiros já constante no orçamento do município, o que permitiria dá inicio as obras.

         Rezava ainda o referido projeto que o dinheiro da venda do mercado da Ribeira seria depositada em conta especial do Banco do Brasil só podendo ser movimentada para a aquisição de material para a construção do mercado das Rocas (DIÁRIO DE NATAL, 02/06/1959, p.8).

       Em 15/09/1960 houve uma reunião com o prefeito José Pinto, Erico Hackradt, presidente da Câmara e diversos outros vereadores e o sr. Moacir Maia para se discutir o problema da construção do mercado das Rocas, melhoramento esse que parecia seria resolvido o impasse.

       A reunião foi realizada  no prédio da Câmara e durou várias horas , e no final , ficou decidido que os dois poderes do Município aceitariam a proposta feita pelo Sr. Moacir Maia, proprietário de uma empresa construtora da capital para a construção do referido mercado.

      A proposta consistia, conforme conseguiu apurar o Diário de Natal, em edificar um moderno prédio na Praça Café Filho, em local já escolhido, devendo concluí-lo em dias do mês de janeiro de 1961, custando a quantia de 16 milhões de cruzeiros pouco mais ou menos.

         Após a construção o mercado das Rocas seria entregue a serventia pública, devendo a sua administração pertencer a prefeitura contra uma lei já existente em que mandava fosse o mesmo arrendado pelo prazo de 25 anos pela empresa construtora.

     Como pagamento pela edificação da obra o município de Natal daria ao referido engenheiro Moacir Maia, o prédio do mercado da Ribeira, avaliado em 30 milhões de cruzeiros, sendo pago Cr$ 2.500.000,00 em parcelas de Cr$ 500.000,00 e ainda todos os terrenos constantes do Plano de edificação do bairro de Mãe Luiza e avaliados em Cr$ 3.500.000,00. O restante, ou seja, 9 milhões de cruzeiros, o município se comprometia a saldar por durante todo o exercício de 1961 devendo para tanto, constar no Orçamento do Município a quantia referida.

       Para a concretização dessa transação o prefeito José Pinto enviaria a Câmara uma mensagem solicitando a devida autorização e ao que tudo indicava seria a mesma  aprovada, conforme disposição dos vereadores, demonstrada da realização da reunião supracitada (DIÁRIO DE NATAL, 15/09/1960, p.8).

       Não é preciso ser entendido em matemática e tão pouco em gestão pública para entender que o Município de Natal seria legalmente lesado por essa transação deliberada e aprovada entre os poderes do município de Natal.

         Em 1963 o prédio ainda estava em construção e em 1968 os jornais já o citam em atividades.

Projeto do mercado das Rocas. Foto: O Poti.

         Em tempos não muito distantes o mercado das Rocas passou por uma longa e quase interminável reforma e ainda assim meio atabalhoada onde a prefeitura aprovou um projeto de arquitetura onde não se previa a ventilação do referido mercado onde o calor daquele bairro rivaliza com o de Mossoró pra ver qual dos dois é o menos quente.

     Não tenho conhecimento se foi resolvido os problemas do mercado das Rocas presentemente, mas o prédio continua no mesmo local onde fora erguido na década de 1960.





Aspectos atuais do mercado das Rocas. Fotos: Google Earth.




quinta-feira, 24 de junho de 2021

O MERCADO DA RIBEIRA

 

         O mercado da Ribeira é citado já em 1882 ainda como uma casa não concluída cuja finalidade era de servir de mercado público daquele bairro de Natal (JORNAL DO RECIFE, 15/12/1882, p.2).

Foi na administração do intendente Romualdo Galvão que foram realizados vários melhoramentos materiais na cidade do Natal, tendo sido o de maior vulto a construção do mercado da Ribeira que conforme o Jornal do Comércio era: “todo ele de ferro com venezianas circulares para o conveniente arejamento” (JORNAL DO COMÉRCIO , AM, 09/02/1917, p.1).

         Em 07/09/1940 foi realizada a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do novo mercado público da Ribeira, que seria construído em substituição ao antigo que não mais atendia as necessidades da numerosa população daquele bairro.

         Segundo o jornal A Ordem o prefeito Gentil Ferreira proferiu um discurso na ocasião, explicando a necessidades daquele melhoramento, já o Interventor Rafael Fernandes, falando também na solenidade, felicitou a população da Ribeira por mais aquele melhoramento e elogiou a ação do operoso prefeito da capital potiguar.

         As obras foram orçadas em 100 contos de réis. Deu a benção do local o Mons. João da Mata.

         Igual cerimônia realizou-se no mesmo dia nas Quintas, onde seria construído em local apropriado, o Matadouro Modelo, “uma das maiores realizações da Prefeitura Municipal” (A ORDEM,09/09/1940,p.1) .A obra em apreço é a atual sede da Urbana em frente ao viaduto das Quintas.

         Não encontramos o relato da inauguração do referido mercado público da Ribeira, mas tudo indica que em 1941 já havia sido concluído, pois de acordo com o jornal A Ordem, foi transferida em 31/03/1941, por determinação da prefeitura de Natal, a feira das Rocas, que vinha sendo realizada todas as segundas-feiras para junto do Mercado da Ribeira.Ainda de acordo com o referido jornal a primeira feira que se realizou a após a transferência nada deixou a desejar (A ORDEM,31/03/1941,p.4), dando a entender que havia sido aprovada a resolução da prefeitura.

         O prédio do Mercado da Ribeira foi construído na Rua Ferreira Chaves nº 151, naquele bairro da Capital potiguar.

         Em 1949 uma denúncia foi feita a redação do jornal A Ordem a cerca da  situação do Mercado da Ribeira que par lá enviou um repórter para a apurar o que disse o informante do jornal.

         De acordo com o que foi apurado pelo citado jornal: “não é só a falta de higiene, não é só a falta de asseio. é, também, a falta de decoro. As instalações sanitárias, imundas e desprovidas de qualquer requisito de higiene, está sem portas. É de se lamentar o espetáculo degradante das dejeções praticadas à vista de todos. Não é possível que isto possa perdurar. Impõe-se o cuidado imediato das autoridades municipais. Fica aí a nossa denúncia, que é também um apelo” (A ORDEM, 23/04/1949, p.4). Não encontramos nas edições posteriores a denúncia se foram solucionados os problemas citados a cima.


Antigo mercado da Ribeira.


A venda do prédio do Mercado da Ribeira

     Em 05/07/1952 deu inicio uma longa discussão na Câmara Municipal de Natal de um projeto de autoria do vereador João Frederico Abbott Galvão que autorizava a venda do mercado da Ribeira, a fim de ser construído outro nas Rocas com o produto da venda daquele.

     Na sessão daquele dia, o vereador Gentil Ferreira (ex-prefeito) achou que o autor do projeto não estava bem informado a cerca do mercado da Ribeira, pois, o mesmo não representava um patrimônio municipal, posto que era uma construção do governo estadual, ao tempo do governador Joaquim Ferreira Chaves, pertencendo a prefeitura apenas a parte em que sofreu ampliação, o que fora feito na sua gestão de prefeito (DIÁRIO DE NATAL, 05/07/1952, p.6).

         Em 10/09/1953 voltou a ser assunto a venda do mercado da Ribeira e a construção de um novo nas Rocas. Alegava-se que o local onde estava o mercado da Ribeira era uma zona perdida, habitada por prostituta, etc., e que o local seria construído o novo mercado nas Rocas era familiar (DIÁRIO DE NATAL, 10/09/1953, p.3) e assim eram as tônicas das discussões em torno do tema, onde uns eram contra e outros a favor da venda do prédio do mercado da Ribeira para ser substituído pelo das Rocas.

         Numa dessas discussões na Câmara de Vereadores, o vereador Felizardo Moura  fez vez que se apenas as prostitutas estavam forçando a retirada do mercado da Ribeira, mais interessante e mais necessários seria a retirada das casas das mulheres de vida livre.

         Foi sugerido pelo próprio Felizardo Moura que a comissão de legislação  e justiça da Câmara fizesse uma visita ao local antes de dá um parecer sobre a matéria.

         Pediu ainda o arquivamento do projeto de alienação do prédio do mercado da Ribeira em vista de não ter conseguido na votação os dois terços necessários (DIÁRIO DE NATAL, 01/12/1953, p.8).

         O assunto voltaria ainda insistentemente a ser discutido e apresentado como projeto.

De acordo com o Diário de Natal, a Câmara de Vereadores de Natal aprovou por maioria simples a venda do prédio do mercado da Ribeira. Apregoava-se que com o dinheiro seria construído o mercado das Rocas (DIÁRIO DE NATAL, 05/12/1953, p.4).

      Ainda segundo o mesmo jornal essas alienações de prédios nunca se apresentaram vantajosas para a União, o Estado ou Município, sabendo-se que as obras do governo sempre saíam mais caras do que as dos particulares. Além disso, vender um mercado que estava sendo útil servindo aos seus fins para construir outro a uns 300 ou 400 metros adiante não parecia muito acertado, sobretudo porque esse outro mercado sairia muito mais caro enquanto o comprador do mercado da Ribeira teria bons lucros.

         Os vereadores contrários ao projeto achavam que a prefeitura de Natal não se achava tão pobre aquela época que precisasse liquidar seus bens patrimoniais e se houvesse a necessidade de um novo mercado nas Rocas que a prefeitura esperasse uma quadra mais folgada para construí-lo.

Situação atual

         Em 1974 o prédio do antigo mercado da Ribeira passou a abrigar a Secretaria de Finanças da Prefeitura de Natal e a partir de 1984 passou a abrigar a STU (atual STTU) como permanece presentemente.


De acordo com o endereço do antigo mercado da Ribeira este era o prédio onde o mesmo estava instalado. Fotos: Google Earth.


E o mercado das Rocas?

         Certamente o curioso leitor se fez essa pergunta. Sobre o mercado das Rocas trataremos noutra postagem.

terça-feira, 22 de junho de 2021

O MERCADO PÚBLICO DA REDINHA

 

      A prefeitura de Natal inaugurou em 06/05/1944 o Mercado Público da praia da Redinha que de acordo com o jornal A Ordem “útil melhoramento de que muito se ressentia aquela praia do nosso Município” (A ORDEM, 05/02/1944, p.1).A solenidade de inauguração foi marcada para ocorrer as 09h00 tendo sido disponibilizado lanchas dos convidados. Era prefeito da capital, a época, José Augusto Varela. De acordo ainda com o jornal A Ordem conforme fora anunciado, realizou-se no domingo, dia 06/05/1944, pela manhã a solenidade de inauguração do novo mercado público da aprazível praia da Redinha, situada no município de Natal.

        Esse era, segundo A Ordem, outro importante melhoramento realizado pela progressista administração do prefeito José Varela, “sempre empenhado em dotar a nossa cidade e localidades do município de obras que atestem a sua incansável atividades de Prefeitura Municipal”.

        Em lancha colocada a disposição dos convidados foi feita a travessia do rio Potengi, e ao se chegar àquela praia teve lugar a solenidade da inauguração do moderno mercado. Sobre a importância desse melhoramento discursaram o prefeito José Varela e do Eloi de Souza, presidente do Conselho Administrativo do Estado, cujos discursos mereceram calorosos aplausos dos presentes. Após os atos solenes o Dr. José Carlos Leite recepcionou os convidados em sua residência. (A ORDEM, 08/02/1944, p.4).

    Segundo a mensagem do prefeito Silvio Pedrosa foi feito diversos serviços no mercado da Redinha em 1948, incluindo um novo piso e pintura em geral. (DIÁRIO DE NATAL, 21/07/1948, p.4).

Em visita a praia da Redinha em 06/10/1950 o cronista social do Diário de Natal Danilo escreveu o que viu. Segundo ele: “Na minha última visita vi que a Redinha está em luta com alguns inimigos. O mar, com os seus assaltos violentos, e o maior deles e o mais insidioso. Os outros dependem apenas de um olhar de simpatia dos poderes públicos. O cais está desabando, com sério perigo para o povo, o mercado está em ruínas, as novas construções não obedecem a nenhuma linha de estética. Ainda não conquistou a graça de um cemitério” (DIÁRIO  DE NATAL, 06/10/1950, p.5).

De acordo com o mesmo Danilo a praia da Redinha tinha  mais de 700 pessoas com residência fixa e 150 casas de veranistas e que nos meses de veraneio a população que ali veraneava chegava a mais de 1.000 pessoas.

      Havia se passado apenas 6 anos de inauguração do mercado público da Redinha e o mesmo já s encontrava em ruína conforme o relato a cima.

         Já em 1952 o mercado público da Redinha voltou as página do jornal Diário de Natal o qual a ele se referiu dessa forma: “o velho mercado da Redinha era mais uma tenda de feirantes do que um mercado”.

     Segundo o mesmo jornal, o prefeito Creso Bezerra resolveu reformar completamente o centro comercial daquela praia, determinando a construção de locais para os vendedores, açougue de carne e peixes, e outros melhoramentos que importaram numa verdadeira renovação do mercado da Redinha.“ Está assim a praia da Redinha dotada de um edifício público indispensável ao seu crescente progresso, acentuado ainda mais pela construção da estrada que, via ponte de Igapó, ligará dentro em breve o tradicional recanto de veraneio natalenses a esta capital” (DIÁRIO DE NATAL, 31/05/1952, p.4).

         O prefeito Creso Bezerra esteve na praia da Redinha em 30/05/1952, em contato com os seus moradores, determinando providências que trariam maiores benefícios àquela praia.

       Já em 13/09/1966 o vice-prefeito em exercício, Ernani Silveira, esteve pela manhã visitando o mercado da Redinha, determinando providências imediatas para a recuperação total do prédio que ganharia nova cobertura, além de reboco nas paredes e pintura (DIÁRIO DE NATAL, 13/09/1966, p.6).Pelas medidas anunciadas de recuperação do mercado de Redinha nem é preciso explicar que o mesmo passava por mais um ciclo de estado de penúria aquele ano de 1966.

       Em 1968 o jornal Diário de Natal novamente se ocupava do estado de abandono do mercado da Redinha, segundo o qual: “um dos maiores problemas para a população (calculada em cerca de 5 mil pessoas) e o veranistas  da Redinha é o mercado público da praia. Na verdade  o local parece mais com um matadouro. Muita sujeira provocando mal cheiro. O prédio condenado, com o teto na iminência de desabar. Sanitários públicos não existem, pois, o que tinha transformou-se em latrina de que ninguém consegue chegar perto.[...] nos domingos as famílias não podem entrar no mercado, com as mundanas, as prostitutas, bebendo e se embriagando no locais”. (DIÁRIO DE NATAL, 02/12/1968, p.8.O grifo é nosso).

         O administrar do mercado, identificado pelo nome de Carlos pela reportagem do Diário de Natal, disse que não se podia trabalhar na administração do mercado, sem a ajuda necessária, pois o que se constatava pela reportagem era decorrência do abandono que a prefeitura dava àquele equipamento público.

O prédio ao longo dos anos foi se deteriorando. No final do ano de 2008 recebeu uma parcial reforma, porém, a estrutura do prédio continua muita aquém das expectativas dos comerciantes e turistas. Sujeira, falta de água e energia elétrica são alguns dos problemas que afastam os visitantes e impedem o crescimento do turismo na região norte da cidade

Situado no Largo João Alfredo no bairro da Redinha, o mercado é visitado por moradores locais e turistas que ali vão provar a iguaria local ginga com tapioca, saboreado em muitos dos quiosques do local.







      Pelas imagens a cima dá pra notar que o prédio que a prefeitura de Natal diz ser  mercador público da Redinha passa longe de ser um prédio destinado como tal. Eu se fosse prefeito da capital teria vergonha de mostrar isso aos turistas como ponto turístico da cidade.
         Há perdido nos meandros das burocracias e promessas politicas um projeto para a construção de novo (novo) mercado da Redinha, a coisa mais linda do mundo (nos vídeos de divulgação da prefeitura do projeto) com previsão de inauguração em agosto "A gosto de Deus" que é pra honrar aquele velho adágio popular sobre a capital potiguar "Natal, não há tal".
                                       Projeto do novo mercado da Redinha







O DEPOIMENTO DO CABO DO 21º B.C ADALBERTO JOSÉ DA CUNHA A PROPÓSITO DA INTENTONA COMUNISTA


       Conforme prometeu o jornal A Ordem publicou em 07/12/1935 na íntegra, o depoimento prestado pelo cabo do 21º B.C perante o 2º Delegado Auxiliar da Capital, a propósito da intentona comunista conforme foi por nós transcrito a seguir.

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         Auto de perguntas feita ao cabo Adalberto José da Cunha, casado, militar, natural da Bahia, filho de José Pedro Cunha e dona Francisca Silva Cunha.

         Aos trinta dias do mês de novembro de mil novecentos e trinta e cinco, nesta cidade de Natal, na Segunda Delegacia Auxiliar, presente o capitão Genésio Lopes da Silva, segundo Delegado Auxiliar, compareceu o referido cabo Adalberto José da Cunha, que declarou o seguinte: que no dia 23 do corrente pelas sete e meia horas mais ou menos, estava no café Majestic quando ouviu alguém que estava havendo movimento na rua, partindo do 21º B.C, saindo neste momento para o lado do Quartel e quando defrontou-se ao Mercado Público, ouviu tocar reunir; que em seguida seguiu para o Quartel e lá chegando encontrou o Quartel em grande reboliço, estando o oficial de dia tenente Abel Cabral Batista, preso, como também o tenente músico João Cicero de Souza, sargento João Barradas, sargento José Farias de Almeida, que comandava a guarda, que procurando se informar do que havia responderam-lhe alguns soldados que o Quartel ia ser atacado, sendo que em virtude dessa informação ele respondente se armar; que daí por diante começaram os soldados a dar vivas  a Carlos Prestes, Aliança Libertadora, razão porque ficou receoso de que havia movimento ilegal no Quartel; que logo após viu entrar preso no Quartel o tenente José Morais que foi entregue a ele respondente pelos rebeldes com ordem de ser recolhido ao cassino. que o tenente Morais nessa ocasião perguntou a ele respondente o que havia e o que queriam fazer dele, respondendo a isto que não sabia de que se tratava, que ele respondente de nova pra dez horas da mesma noite soube que tinha chegado recolhido ao xadrez o Doutor João Medeiros Filho, Chefe de Policia, em companhia de Daniel Serquiz que guiava o carro que conduzia o Doutro João Medeiros filho, que sabedor da prisão  do doutor João Medeiros bem como da de Daniel Serquiz e a do senhor Petit procurou logo a se entender com eles; que depois de ter conversado com os mesmos presos, a pedido destes foi à rua a fim de avisar as respectivas famílias, o que se fez relativamente a de Serquiz e do tenente Morais e quanto a do Doutor João Medeiros, por intermédio da família Sequiz, que  quando voltou levou ao conhecimento dos referidos presos que tinha satisfeito os seus pedidos, inclusive o lanche que lhes fora entregue, que nessa ocasião procurou falar com o tenente Morais a quem tinha encontrado para avisar a família do mesmo tenente a citada ocorrência; que quando volta da conversa que teve com o tenente Morais e Daniel Serquiz avisou a ele respondente que tinham retirado do xadrez o Doutor João Medeiros Filho, que saíra acompanhado por quatro civis armados a fuzil que imediatamente ele respondente sai a procura do Doutor João Medeiros, a quem encontrou no pátio do Quartel junto a um automóvel e acompanhado de quatro civis dos quais sabe dos nomes do sapateiro Jaime de Brito e o motorista Epifânio, tendo também junto a eles uma mulher fardada que não se sabe do nome; que ele respondente ao avistar-se com o Doutor João Medeiros, este declarou-me o seguinte: “Adalberto estes quatro senhores em companhia desta senhora querem me conduzir para a minha casa, mas eu não vou com eles, só irei em sua companhia ou então escoltado por forças do Exército”; que ele respondente voltou e imediatamente procurou falar com o músico Quintino, que se dizia Chefe da Revolta, com quem se entendeu e expôs a situação do Doutor João Medeiros, que o motorista Epifanio o acompanhara por ocasião em que falava com o músico Quintino e que logo que ouviu a exposição dele respondente sobre a situação do Doutor João Medeiros, tomou a palavra e começou a dizer que o cabo Adalberto estava procurando muito salvar o Doutor João Medeiros, adiantando que elemento dessa ordem não se devia ter contemplação, pois tinha perseguido muito “o nosso pessoal”; que o músico Quintino passou então  a conversar um pouco reservado com o motorista Epifânio e o sapateiro Jaime de Brito, e logo que terminou essa conversa, entregou a ele respondente a chave do xadrez mandando que recolhesse novamente o Doutor João Medeiros e que depois então resolveria o caso, que momento depois é procurado pelo cabo Costa que lhe pedira a chave do xadrez, dizendo ser para recolher mais dois paisanos; que após ter saído para o xadrez e lá chegando encontrou falta novamente do Doutor João Medeiros e saído a procura do mesmo encontrou-o na mesma situação anterior e ai já acompanhado de Daniel Serquiz companheiro de xadrez do Doutor João Medeiros que encontrado o Doutor João Medeiros e Daniel Serquiz juntos a um automóvel e cercados  por Jaime de Brito e Epifânio como também dos já referidos neste auto, procurou novamente se entender com o músico Quintino a quem fez novas ponderações e presentes estavam o sargento Eliziel, motorista Epifânio e o sapateiro Jaime de Brito, sendo que Quintino e Eliziel ficavam indecisos e os civis insistiam  que deviam conduzir o Doutor João Medeiros para casa com expressões e gestos que davam a compreender quererem sacrificar os prisioneiros, muito especialmente pelo modo de se manifestar de um senhor Blunch, que dizia quando se referia ao Serquiz em virtude de de alguém presente, que o mesmo Serquiz era Integralista e como tal devia ter fim e que deviam dar satisfação à massa; que apesar das acusações desses civis já referidos, contra o Doutor João Medeiros e Daniel Serquiz, o músico Quintino determinou que ele respondente recolhesse novamente ao xadrez o Doutor João Medeiros e Daniel Serquiz, que mais tarde na mesma noite do dia 23 estando ele respondente no cassino dos sargentos cochilando , chega o cabo Guerra e lhe pede a chave do xadrez dizendo ser para recolher mais dois civis, atendendo esse pedido entregou a chave posi receava recusar-se a entregá-la, em vista do momento perigoso em que se achava o Quartel; que logo depois foi mais uma vez ao xadrez e lá chegando encontrou de fato mais dois civis recolhidos voltando logo após indo conversar com os oficiais, dirigiu-se para o pátio do Quartel e lá novamente encontrou o Doutor João Medeiros junto ao automóvel em companhia de Daniel Serquiz cercado do mesmo elemento já referido, tentando pela terceira vez conduzi-lo par afora do Quartel, que ele respondente procurou o músico Quintino e mais uma vez fez ponderações, dizendo que não deviam eles militares permitir que se sacrificasse nenhum elemento, pois que não tinham eles que estavam fazendo a revolução certeza da sua vitória, e que no caso de fracasso seriam eles os mais uma vez sacrificados, sendo mais uma vez atendido, recolhendo ao xadrez o Doutor João Medeiros e Daniel Serquiz que sabe o soldado Negrão quando procurava falar com algum preso com o fim de prestarem algum auxilio, o sapateiro Jaime de Brito teve expressões grosseiras para com ele dizendo que os presos estavam incomunicáveis; que o soldado que guarnecia o xadrez onde se achava o Doutor João Medeiros, disse a esse e a Serquiz que não podia se comunicar com ninguém, chamando Serquiz por isso a ele respondente perguntou se nem com ele podia se entender ao que respondeu que com ele respondente podia se entender; que no domingo pelas dez horas mais ou menos foi a casa do tenente Manoel de Castro onde encontrou-o com o Doutor Edison Hipolito e dizendo a estes a situação do Batalhão, aconselhou-o que continuasse refugiado, que dizendo o tenente Manoel de Castro o que devia ele respondente fazer sobre a sua própria pessoa, respondeu-lhe que devia voltar para o Quartel, pois sendo ele respondente um rapaz que sabia se impor podia procurar evitar muitas cousas, inclusive arrombamento na Tesouraria e qualquer cousa contra os Oficiais prisioneiros e elementos civis, que no domingo 24, Daniel Serquiz foi posto em liberdade de ordem de Quintino,s endo nesse mesmo dia recolhido ao xadrez onde se achava o Doutor João Medeiros o capitão Juventino, que Daniel Serquiz pediu a ele respondente que procurasse conseguir transferir o Doutor João Medeiros e o capitão Juventino, para o cassino onde se achavam recolhidos os oficiais, o que conseguiu quase por sua conta própria, dando lugar a que o músico Quintino não ficasse satisfeito dizendo que casos como esse que acabava ele respondente de resolver só podia fazer a junta Governativa, que correndo boatos alarmantes no Quartel e nas ruas de que os presos civis e militares iam ser fuzilados,  e disso havia indícios veementes, resolveu ele respondente em companhia dos cabos João Luiz, digo, João Luiz Leite Gonçalves, Eracito Lacerda e sargentos Amaro Pereira e  Cláudio Dutra e músico Joaquim Neves, ir falar com outros cabos a fim de se entenderem com a Junta Governativa a fim de que não se realizasse os planos de fuzilamento contra os prisioneiros; que havendo entendimento entre os cabos todos concordaram na defesa da vida dos oficiais e civis mesmo fosse preciso uma reação contra esse atentado; diante dessa resolução assentada entre ele respondente, sargentos e cabos, com grande massada de Quintino, Costa e João Batista, conseguiram falar com a junta e expuseram tudo o que tinha sabido e que eram contrários a esse plano; que a comissão que falou com  a junta era composta dele respondente, cabo Costa, cabo Jocundo e músico Quintino, ficando os demais que haviam concordado com a medida de defesa dos prisioneiros no Quartel, armados e esperando a solução da junta para com a comissão; que o músico Quintino que fazia parte da comissão, embora forçado, fez perante a junta exposição da atitude que haviam tomado os seus colegas relativamente à noticia de que iam ser sacrificados os prisioneiros civis e militares; que expôs ainda que os cabos, sargentos e outros elementos militares estavam dispostos a retirarem do Quartel e conduzir para bordo com todas garantias os referidos prisioneiros; que ele respondente logo depois da exposição feita por Quintino ouviu que João Fagundes da Padaria Palmeira falava dizendo que era o que mais prezava na sua vida, ao que declarou Quintino para os demais membros da comissão que o Fagundes pensava do mesmo modo que os seus companheiros; que depois da exposição feita por Quintino à junta, só um membro falou que foi o senhor Lauro Lago concordando com os militares, os demais membros silenciaram tendo por  essa ocasião presente um tal Blunch que riu-se como que debochando das resoluções; que em seguida ele respondente procurou falar com o Blunch dizendo que ele Blunch e os outros responsáveis procurassem resolver o caso de garantias para os prisioneiros, tendo como resposta que depois seria resolvido, sendo retrucado por ele respondente que disse-lhe que o caso devia ser resolvido logo que o mesmo Blunch disse a ele respondente que depois da retirada deles responsáveis pelo movimento, então os prisioneiros fugiram para onde bem entendessem, ao que respondeu que não concordava visto que os elementos que ai ficavam podiam se aproveitar perdidos como deviam estar e com armas na mão procurar trucidar os prisioneiros; que Blunch em resposta a estas declarações disse a ele respondente que bem havia compreendido que tanto haviam poupado os prisioneiros até que chegasse a situação de haver quem tanto se compadecesse deles; que enfim a junta nada tendo resolvido ele respondente e os demais da comissão voltaram para o Quartel; que enquanto os demais membros da comissão procuravam organizar a retirada, ele respondente, cabos João Leite Gonçalves, Erasto Lacerda, José Pontes, músico Joaquim Neves, sargentos Amaro Pereira, Cláudio Dutra, entregaram alguns revolveres aos prisioneiros e seguiram para bordo do G. 24, da Marinha de Guerra Mexicana, onde pernoitaram; que no dia seguinte pela manhã chegou a bordo do mesmo navio o tenente  Vicente Euclides, dizendo haverem os revoltosos abandonado a cidade; que diante isso ele respondente e os demais companheiros e prisioneiros voltaram para a cidade onde já encontraram tudo se normalizando. E por nada mais saber e nem ser perguntado deu-se por findo esse auto, que vai assinado [trecho legível no jornal citado] de ele respondente e por mim escrivão que datilografei.

         Genésio Lopes da Silva.

         Adalberto José da Cunha.

         Miguel Leandro Filho.

 

           Publicado em Ordem, 07/12/1935, p.1 e 4.

A REPARAÇÃO PÚBLICA DA IGREJA CATÓLICA DE NATAL AO ATENTADO DOS COMUNISTAS

 

        Em respostas a ousadia dos extremistas comunistas a Igreja Católica de Natal organizou um ato de reparação pública ao atentado dos comunistas à civilização cristã com uma procissão de penitencia e missa de ação de graças.

         A Confederação Católica masculina e feminina, sob os auspícios do Bispo Diocesano e presidida pelos vigários da Catedral, Alecrim e Bom Jesus das Dores da Ribeira, deliberou promover uma grande manifestação pública de fé em reparação do atentado dos comunistas à civilização cristã e em ação de graçs a Deus pela vitória da legalidade.

         Constaria o desagravo dos católicos de uma procissão de penitencia com a imagem do Bom Jesus da Dores, no sábado, dia 07/12/1935, as 16h00, saindo o cortejo da igreja da Ribeira, passando pela Catedral e recolhendo-se à matriz do Alecrim.

         No dia seguinte, domingo, dia 08/12/1935, festa da Imaculada Conceição, haveria as 05h00 da manhã, em frente a igreja de São Pedro, missa campal, em ação de graças, celebrada pelo Bispo Diocesano, Dom Marcolino Dantas, falando ao povo nessa ocasião o sábio jesuíta padre Camilo Torrend, que estava naqueles dias na capital potiguar.

         Após a missa voltaria em procissão à igreja da Ribeira a imagem do Bom Jesus das Dores.

         Para que essa parada de fé reunisse maior número de católicos e fosse um acontecimento extraordinário entre o povo de Natal ficou estabelecido:

         1- intensa propaganda pela Ordem durante a semana;

         2-distribuição e afixação de boletins por toda a cidade;

         3-Avisos repetidos dos vigários e capelães aos seus fiéis;

         4- Insistir cada presidente de associação junto aos respectivos membros no sentido de nenhum faltar. Trazer o estandarte e apresentar-se com as insígnias. As irmandades compareceriam sem opa;

         5- Chamada pelos sinos de todas as igrejas as 15h00 do sábado e as 04h00 no domingo;

         6- Apelo as repartições, ao comércio, as fábricas, as oficinas e todos os estabelecimentos de trabalho, a fim de cessarem as atividades as 15h00 do sábado, e aos que tivessem interesses na feira do Alecrim a só comparecerem ali, depois de recolhida a procissão, as 07h00 do domingo.

         O itinerário da procissão foi assim estabelecido: Sábado: Praça José da Penha, a direita, Avenida Nisia Floresta, Praça Augusto severo, a direita, Avenida Junqueira Aires, Praça 7 de Setembro, rua Ulisses Caldas, Praça André de Albuquerque, a direita e Padre João Maria, rua João Pessoa , Avenida Rio Branco, Praças Alberto Gomes e Pedro Américo, recolhendo-se à igreja de São Pedro.no Domingo: Praça Pedro Américo, Avenida Rio Branco, recolhendo-se a igreja do Bom Jesus na Ribeira (A ORDEM, 03/12/1935,p.1).

         Depois de uma semana de preparação em que seria vista a boa vontade de todos, realizou-se em 07/12/1935 a imponente procissão de penitencia promovida pelas forças católicas em desagravo do atentado comunista à civilização cristã e em ação de graças a Deus pela vitória da legalidade.

         As 16h00 em frente a igreja do Bom Jesus das Dores na Ribeira, organizou-se o cortejo, com a presença de todos os sodalícios religiosos com seus estandartes, outras corporações que se solidarizaram com o movimento e o povo em geral, desejoso de render sua homenagem a Cristo Rei.

         Durante o percurso foram entoados cânticos e recitado o terço, tendo sido escolhido os seguintes hinos, muito conhecidos dos fiéis: Queremos Deus, Honrar e Glória Louvor Sempiterno; Perdão meu Deus, Com Minha Mãe estarei e Salve ó Maria.

         Em poder das várias catequistas e na redação do jornal A Ordem poderiam ser procurados impressos desses hinos.

         Cada vigário presidiu a procissão na circunscrição de sua paróquia, oficiou na cerimônia litúrgica do recolhimento o Bispo Diocesano.

         Atendendo ao apelo da Confederação Católica, as repartições públicas e o comércio, num gesto digno de aplausos, fecharam as 15h00.

         No dia 08/12/1935, festa da Imaculada Conceição, teve lugar a segunda parte da manifestação católica constante de missa campal, celebrada pelo Bispo Diocesano, as 05h00 da manhã, em frente a igreja de São Pedro no Alecrim, falando ao povo nessa ocasião o padre Camilo Torrend.Após a missa voltou em procissão à igreja da Ribeira a imagem do Bom Jesus, onde ali houve missa celebrada pelo vigário geral, que presidiu  a procissão de retorno.

         A missa da madrugada  da Catedral e Alecrim não foram celebradas, em virtude dessa manifestação, mas houve comunhão as 04h30 na matriz do Alecrim e na igreja de Santo Antonio ( A ORDEM, 07/12/1935, p.1).

         De acordo com o jornal A Ordem, que obviamente fez a cobertura da manifestação, “há muito tempo nossa capital não assistia demonstração de fé tão grandiosa quanto a que ontem presenciamos”.

         Multidão incalculável, composta de todas as associações religiosas, masculinas e femininas, escoteiros do mar, alunas do Orfanato João Maria, povo em geral, acorreu à igreja do Bom Jesus, de onde partiu a procissão, sendo conduzida até o Alecrim a imagem do Bom Jesus das Dores.A frente seguiam os estandartes de todas as associações.

         todas as ruas do itinerários, as janelas das casas, estavam repletas de fiéis, que em sua maioria se incorporaram ao grandioso prestito.

         Durante todo o trajeto foram entoados hinos sacros e rezado o terço.

         à porta da igreja de São Pedro do Alecrim  acompanhado do monsenhor Alfredo Pegado encontrava-se o Bispo Diocesano, Dom Marcolino Dantas.

         Ao ingressar na igreja a procissão toda a multidão vibrou em aclamações a Cristo Rei (A ORDEM, 08/12/1935, p.1).

 

Titulo da chamada do jornal A Ordem da manifestação pública pelo fracasso do golpe comunista em Natal.


     Não foram menos concorridas nem menos imponentes do que as de sábado as manifestações de fé do povo de Natal no domingo, em desagravo ao atentado comunista que tentou ensanguentar a Pátria Brasileira e a Capital potiguar.

         Desde muito cedo as ruas se encheram de fiéis em direção a igreja de São Pedro do Alecrim, onde, as 05h00 da manhã, foi celebrada pelo Bispo Diocesano, Dom Marcolino Dantas a missa campal.

         Antes da missa, as 04h30 houve distribuição da santa comunhão, tomando parte no banquete eucarístico, número incontável de fiéis.

         As 05h00 a vasta praça em frente a igreja do Alecrim achava-se repleta de fiéis,d ando inicio o bispo a celebração da missa, estando o altar cercado pelos estandartes das diversas associações católicas.

         Após a leitura do evangelho fez-se ouvir o sábio jesuíta Pe. Camilo Torrend, cujas palavras foram transcritas pelo jornal A Ordem conforme a seguir.

O sermão do Pe. Torred

         O Pe. Torrend começou seu sermão dizendo que ali estava o Homens das Dores a Quem todos rendiam homenagem. Passou a recordar que há 1935 anos a situação do mundo se assemelhava muito ao estado de coisas atuais. Começou a historiar os costumes da Roma pagã, devastada por três grandes males: as trevas da inteligência, a falta de caráter de firmeza na vontade e o pavor nos corações.

         Estudou cada um desses males. Disse que as trevas da inteligência atigiam os maiores intelectuais da época, eles também adoradores de deuses abjetos, tais como Saturno, devorador dos próprios filhos e Júpiter, que descreviam com uma vida cheia de escândalos.

         Desse desvio da inteligência decorria logicamente a falta de firmeza na vontade, levando homens e mulheres da época a uma vida desregrada. Descreveu a posição de patente inferioridade em que era tida a mulher. Falou na nodoa da escravidão. No direito de vida e morte que os pais tinham sobre os filhos.

         A ausência de caráter nos homens originava por sua vez o pavor nos corações. Ninguém estava seguro.O patrão receava revolta dos operários, os operários receavam os rigores do patrão, o marido a denuncia da mulher, a mulher os castigos do marido, os filhos a morte pelos pais e os pais a morte pelos filhos. Houve um ano em que se cometeram 5.000 parricídios.

         Os próprios imperadores não se sentiam seguros, pois nas Gálias, em outros pontos, poderiam rebelar-se um regimento, as legiões, para depô-lo e matá-lo.

         E foi assim, no meio de tanta miséria, que surgiu a doutrina cristã, que veio Jesus Cristo, o maior benfeitor da humanidade, como assim o chamou, entre aplausos, em plena Academia Francesa de Letras, o escritor René Bazin.

         O cristianismo veio salvar o mundo. Aproximou o patrão do operário, o abastado do miserável, o pai do filho, dignificou a mulher, tornando-a a rainha do Lar. Ensinou obediência, o respeito à autoridade.

         Hoje volta novamente o Universo a assemelhar-se aos tempos do paganismo. Uma seita infernal, vinda do extremo oriente, procura conquistar o mundo. O Pe. Torrend passou a descrever o que queria o comunismo, quais as consequências. A degradação abjeta a que reduzia a mulher, transformando-a em joguete das paixões mais baixas. O desrespeito a religião, o ateísmo, transformado em norma. A desobediência e desprezo aos pais tidos como coisa louvável. Citou o exemplo do filho comunista que escarrou na cara da própria mãe, recebendo por isso um prêmio. Relatou o caso de outro filho que negou o próprio pão a sua velha mãe e dizendo-lhe que não ia perder tempo com ela.

         Essas misérias é que o comunismo tentou implantar no Brasil, que Jesus salvou, por sua bondade, graças ao valor e a energia dos militares e cidadãos que resistiram ao golpe infernal e também graças as tradições católicas de nossa pátria, que repudiam a barbárie do comunismo.

        Passou o jesuíta a dizer que nós somos um dos maiores povos da Terra, sem dissensões de classe, sem questão racial, junto formando brancos e homens de pele escura (sic!), bons hospitaleiros.

         Mas se o golpe comunista tivesse triunfado a nossa Pátria hoje seria uma enorme poça de sangue, um verdadeiro cemitério, nãos e podendo calcular o número de pessoas que seriam sacrificadas, pois todos os homens de bem sofreriam. Recordou ainda que na Rússia, nos primeiros dias da revolução foram massacrados nada menos de 50.000 pessoas pela sanha dos vencedores.

        Esclareceu como na vida social embora sejam iguais perante Deus, pela origem comum, há desigualdades, filhas da própria diversidade de talento, de habilidade, Recordou o Pe. Torrend que nos próprios animais assim sucede, como entre as abelhas, onde há uma rainha, há operárias que vão buscar o pólen e há as que fabricam o mel.

         A patrões e operários, ricos e pobres, o cristianismo aponta o dever da fraternidade e da união, para poderem merecer diante de Deus. Falou na satisfação que havia no cumprimento do dever, tantas vezes, infelizmente, esquecido.

        Voltou-se para a imagem do Bom Jesus das Dores e agradeceu em nome dos presentes, o favor extraordinário dispensado ao Brasil, ao Rio Grande do Norte, ao povo de Natal, salvando-o da miséria comunista.


O jesuíta Camilo Torrend que proferiu o sermão na manifestação de desagravo em Natal.

         Na procissão de retorno da imagem do Bom Jesus a igreja da Ribeira por mais de uma vez se ouviu entusiásticos vivas a Cristo Rei.

        Na matriz da Ribeira foi celebrada mais uma missa pelo Mons. Alfredo Pegado que distribuiu a comunhão aos fiéis.

         Natal, desta sorte, soube desagravar o atentado comunista, dando os seus habitantes uma pública e grandiosa manifestação de Fé e de repudio ao materialismo grosseiro oferecendo ao Deus ultrajado a reparação que se fazia necessária.

         Que todos meditassem na grandeza da religião, nos deveres que ela impõem, eram os votos que formulava o jornal A Ordem, os frutos que desejava fossem colhidos desses dois dias de penitencia, de oração  e de gratidão ( A ORDEM, 10/12/1935,p.1).

O Governo do Estado mandou celebrar missa em ação de graças pela debelarão da intentona comunista

         No dia 15/12/1935 as 07h30 na Praça 7 de Setembro seria celebrada uma missa em ação de graças mandada celebrar pelo Governo por ter sido jugulado o movimento comunista rebentado no Rio Grande do Norte.

         Seria oficiante desse louvável ato público de reconhecimento à bondade divina o mons. João da Mata Paiva, presidente da Assembleia Constituinte Estadual (A ORDEM, 13/12/1935, p.1).

         Na Praça 7 de Setembro realizou-se em 15/12/1935 a solene missa campal, mandada celebrar pelo Governo do Estado, em ação de graças por haver fracassado a intentona comunista.

         Toda a praça esteve repleta de fiéis, notando-se a presença do Governador do Estado acompanhado de sua casa civil e militar, representantes da Assembleia, do Poder Judiciário e  das classes armadas.

         A missa foi celebrada em altar portátil pelo Mons. João da Mata, que ao Evangelho, proferiu vibrante oração salientando as nossas tradições históricas para provar que o Brasil repelia o comunismo materialista e anticristão. Tocou na cerimônia a banda de música dos Escoteiros do Alecrim. (A ORDEM, 17/12/1935, p.1).

         A paróquia de Macaíba celebrou no dia 22/12/1935, também uma missa  campal, as 07h00 da manhã, em ação de graças pelo triunfo da Lei e da Moral, realizando-se após a missa uma solene procissão de penitência com  a imagem do glorioso mártir São Sebastião.

         Foi oficiante o vigário de Macaíba, o Pe. Pedro Paulino. Macaíba em peso, sem distinção de crenças e cores políticas, aguardava, com ansiedade o supramencionado dia para mais uma demonstração pública de sua inabalável fé em Deus e do seu  acendrado amor a Pátria (A ORDEM,19/12/1935,p.2).

Ação de graças pela pacificação do Estado

         A redação do jornal A Ordem recebeu uma mensagem onde a Superiora e demais Irmãs do Orfanato Pe. João Maria convidavam as famílias para a missa que em ação de graças pela paz no Estado, mandavam celebrar no domingo, dia 05/01/1936, as 07h00 na Capela do mesmo Orfanato (A ORDEM, 28/12/1935, p.1).

Concatenando...

        Bons tempos foram aqueles em que a Igreja Católica enfrentava publicamente as investidas dos seus inimigos, notadamente o mais terrível, o comunismo, presentemente os lobos travestidos em peles de cordeiros infestam no seio da Igreja Católica e ai daquele católico que se levanta pra dizer algo, as fogueiras da inquisição são imediatamente acesas sem dó nem piedade.

             Em 1936 a Virgem Maria apareceu no sitio Guarda, paróquia de Cimbres, diocese de Pesqueira em Pernambuco a duas jovens de 14 e 15 anos na qual alertou para os perigos que o Brasil corria pelo comunismo. Mesmo após um bem elaborado relatório em que não se constatou erros doutrinários ou falsidade nas visões da videntes (uma das quais se consagrou irmã religiosa) a Igreja Católica dá pouco ou quase nenhuma visibilidade a esta Mariofania em terras brasileiras (será que Maria não pode aparecer no Brasil?) cuja a mensagem foi clara e direta, o grande inimigo do Brasil era (a época da aparição e ainda é hoje)  o Comunismo.