quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Documento que faz menção a Nossa Senhora do Livramento


            O documento mais antigo que faz referência a Nossa Senhora do Livramento em Taipu é a escritura de doação do terreno para a construção da capela, nele consta os nomes do casal doador e o tamanho do terreno destinado a constituir o patrimônio de Nossa Senhora:

No anno de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e sessenta e um, aos vinte e sete dias do mez de outubro, nesta villa do Ceará-Mirim [...] reuniram Bernardo José da Costa Gadelha e sua mulher dona Maria Innácia do Carmo e disseram [...] serem senhores e doadores de um lote de terras na Lagoa do Taipu do Meio na Picada do Ceará –Mirim [...] essa terra se acha livre e doão d’ella cento e vinte cinco braças em quadro de terra que servirão para patrimônio de Nossa Senhora do Livramento e para ereção de uma capella ali pertencente a essa Senhora que será a posse da povoação do Taipu do Meio. Esta doação só terá valor no caso de se edificar a capella de Nossa Senhora do Livramento, e no caso disso não se realisar ficará de nenhum effeito a presente doação e voltará a terra que doara para elles doadores ou para seus herdeiros [...] (LT, p. 01) [1].

            A devoção a Virgem Maria com o título de Nossa Senhora do Livramento já devia existir de forma particular pelos doadores do terreno, no entanto é aqui que se registra a primeira menção a este titulo de Nossa Senhora.
            Os doadores do terreno para a construção da capela foram Bernardo Gadelha e a sua esposa Inácia do Carmo. Foram doadas 125 braças de terras[2] para constituir o patrimônio de Nossa Senhora do Livramento, a partir de então foram tomadas as providencias para a construção do templo que ficaria definitivamente pronto trinta anos depois, portanto em 1897.

Parecer favorável à construção da capela
            Foi remetida a freguesia de Ceará Mirim o parecer favorável do bispo e neste documento são dadas orientações a serem tomadas para a ereção da capela, por exemplo, a benção da pedra fundamental pelo padre da freguesia de Ceará Mirim, representando o bispo, que por direito canônico, caberia a ele tal ofício. Eis a transcrição deste documento:
Fazemos saber que nos enviaram a dizer os habitantes da Picada do Ceará-Mirim, da Freguesia de Extremoz, que eles queriam erigir uma capela por invocação de Nossa senhora do Livramento, em lugar decente, para que já haviam constituído suficiente patrimônio, pedindo-Nos por fim da sua súplica lhes concedêssemos licença para se erigir a dita Capela, e benzer a primeira pedra [...]. E atendendo Nós a sua justa súplica, visto ser obra tão pia ao serviço de Deus, e bem das almas, por Nós achamos legitimamente impedido para fazermos pessoalmente esta função, que só a Nós pertence de Direito. Cometemos nossas vezes ao Reverendíssimo Pároco da dita Freguesia, para que possa benzer a primeira pedra [...] com as cruzes necessárias [...] e depois de ereta se requererá a benção dela. Dada em visita na vila do Jardim sob o sinal de Nosso Reverendíssimo Visitador aos 11 de novembro de 1861. Eu o padre Francisco Avelino de Brito Dantas a escrevi [...] Vigário Visitador (LT, p. 64) [3].

            Com o desenvolvimento econômico da cidade e o seu crescimento urbano tem-se inicio um movimento pela emancipação política da cidade, que ocorreu em 10 de março de 1891, em seguida era natural a vontade da população que a cidade se tornasse paróquia.
            A mobilização pela criação da paróquia foi elaborada a partir de um abaixo assinado feito pela população e consultado o então pároco de Ceará-Mirim, o padre Agnelo Fernandes, que ao opinar sobre a procedência do pedido considerou justas as reivindicações solicitadas naquele documento, que seria encaminhado ao bispo de Natal.



[1] Grifos nosso.
[2] Uma braça equivale a 2,20 m, assim, o terreno doado para a construção da capela foi  de 275m².N do A.
[3] Grifos nossos.

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