À medida que o
século XX avançava Taipu despontava como um dos mais promissores municípios em
desenvolvimento no Rio Grande do Norte, mas alguns fatores fizeram com que o
progresso fosse retardado e em 1944 a economia local já dava sinais de
estagnação conforme se verifica nos dados apontados nos estudos estatísticos da
época, apesar de haver no município condições propicias para a agricultura e a
pecuária. Anfilóquio Câmara faz
uma análise dos municípios do estado, com base nos dados do Censo de 1940. No
tocante a Taipu logo a seguir estão os dados que por ele foram fornecidos no
ano de 1943 referentes aos anos anteriores compreendidos entre 1940 e 1942.
Extensão territorial e demografia
Segundo Anfilóquio
Câmara, o município de Taipu tinha 858 km ² de extensão territorial onde
habitavaam 12.359 habitantes dos quais apenas 912 na cidade, sendo que 754 na
área urbana e 158 na área suburbana e
11.447 na área rural ( cf. Câmara, 1943, p.391).
Analisando ainda a situação
demográfica, Anfilóquio Câmara (1943, p. 391) observou que:
No
Recenseamento de 1920 o município apresento-se com 12.651 almas, havendo, assim,
agora, uma diferença de 292 para menos, o que se justifica por ter perdido
Taipú (sic), em 1928, em favor do município de Baixa Verde, então criado, uma
boa porção do seu território, inclusive, o povoado que hoje é a cidade – sede
daquele município.
Aqui somos
informados dos motivos da diminuição populacional do município de Taipu que
havia cedido ao município de Baixa Verde boa parte de seu território e a
população que constituía o núcleo da sede daquele município.
Situação
econômica
A situação
econômica estava assentada na agricultura e segundo Anfilóquio Câmara a
preocupação residia nas cheias do rio Ceará Mirim e preconizava a construção do
importante Açude ‘Taipu’ (Barragem de Poço Branco) para conter as inundações na
região.
Aspecto da atual rua Sebastião Dias da
Silva em 1956 Foto: Enciclopédia do Municípios do IBGE, 1960.
A região oeste do
município era na época bastante afetada pela estiagem o que inviabilizava a
prática da agricultura.
Observava ainda que
seria urgente a perfuração de poços tubulares para amenizar o sofrimento da
população dos distritos de Belo Horizonte e Barreto densamente povoados. Apesar
dessa situação o município produziu entre 1940 e 1942 um total de 2.000 de mandioca
e 1.000.000 de algodão em caroço, seguidos de culturas menores tais como:
batata doce, feijão, milho e fava e frutas como abacaxi e banana.
Segundo Anfllóquio
Câmara os maiores produtores do município eram o Srs. João Gomes da Costa,
Joaquim Vitorino de Andrade e Manuel Jacó de Morais, já os principais
pecuaristas eram João Gomes da Costa, Rozendo Leite da Fonseca, Manuel
Rodrigues Santiago e Felipe Soares da Câmara (Câmara, 1943, p.392).
Correios e
telégrafos
No município existiam
duas agenciam postais-telefônicas, estando uma localizada na cidade onde os
serviços de correios datavam de 19 de fevereiro 1891 e os de telefone de 16 de
outubro de 1918. (cf. Câmara, 1943, p.393).
A expedição dos
malotes dos correios
Conforme Anfilóquio
Câmara (1943, p.393) os serviços dos correios eram realizados da seguinte
forma:
A expedição
das malas desta capital para a agencia de Taipú (sic) se faz as segundas,
quartas e sextas-feiras, pelo trem horário da Estada de Ferro Central, fechando
as malas nas vésperas, as daquela procedência (partindo de Taipu para Natal)
aqui chegam as terça, quintas e sábados. Para a agencia de Barreto não há
serviço postal direto, sendo a correspondência destinada aquele povoado
distribuída pela agencia de Jardim de Angicos[1].
Havia, portanto,
uma regularidade nos serviços postais do município, inclusive nos distritos
mais distantes como o de Barreto, que datava do ano de 1934.
Propriedade
imobiliária
Havia em Taipu no
ano de 1940, 2.930 prédios, dos quais 266 na cidade, sendo que 222 estavam
edificados no perímetro urbano, 44 situavam-se no perímetro suburbano e 2.664
na zona rural (Cf. Câmara, 1943, p.393).
Estabelecimentos
bancários
Nas
palavras de Anfilóquio Câmara (1943, p.393) em relação a presença de
estabelecimentos bancários em Taipu:
Não funciona no município nenhum
estabelecimento dessa categoria.As
agencias, nesta capital, do Banco do Brasil, Banco do Povo, e Banco do Rio
Grande do Norte, mantém correspondentes, na cidade, para o trato de seus
negócios
Como nos afirma o
autor quem precisava de serviços bancários em Taipu na década de 1940 deveria
fazer por meio de correspondentes bancários das agencias da capital do estado.
Açudes
particulares e públicos
Em 1920 a
Inspetoria Federal de Obras contra as Seca havia projetado um açude publico
denominado ‘Tupi’ com capacidade 2.728, 640 m³ de capacidade de armazenamento
de água. Já em 1936 houve estudo para se construir o açude ‘Taipu’ com
capacidade acumulativa de 158.000 m³ de água. Nenhum dos dois, porém, foi
construído de fato. Havia açudes particulares, mas de pouca capacidade.
Tais açudes seriam
de fundamental importância para amenizar o sofrimento causado pelas estiagens e
pelas inundações causadas pelas cheias do rio Ceará Mirim.Não há informações da
localização de tais açudes.
Indústria
Na época havia
apenas a indústria que processava a produção de mandioca em numero de 79 na
qual se utilizava de rudimentares técnicas de fabricação da farinha. Ainda
registrava a existência irregular de uma caieira e de um curtume. Na indústria
doméstica havia as de fabricação de telhas e tijolos, onde o autor destacava a
qualidade excelente da matéria prima desta categoria, além de fabricas de
artefatos de couro e palha. (Câmara, 1943, p.393).
Descrição
da cidade de Taipu
A análise sobre a
situação urbana de Anfilóquio Câmara (1943, p.394) sobre Taipu era a seguinte:
A cidade de
Taipú além de pequena deixa muito a desejar. A construção é antiga; as ruas não
têm qualquer arborização ou calçamento. Não
há serviço de limpeza pública regular, fazendo-se esta, periodicamente.Não
tem matadouro, como lhe falta, igualmente iluminação elétrica, se bem que a
prefeitura se movimenta no sentido de dotá-la com esses importantes
melhoramentos.
Esta observação de
Anfilóquio Camara foi realiada 5 anos após a elevação da condição de cidade da
antiga vila de Taipu.
O município teimava
em nãos se desenvolver decorridos 40 décadas do século XX, tal atraso no
desenvolvimento da cidade se deu pelo surto de impaludismo que havia ocorrido
em anos anteriores. Havia, porém, na cidade um amplo mercado público, que havia
passado por uma reforma e em cooperação com o governo do estado foi ampliado o
prédio da cadeia e quartel. Não tinha nesse ano de 1940 nenhum serviço de
assistência ou de cooperativismo
Ensino
público e particular
Existiam 6 escolas
estaduais e 4 particulares, sendo 3 subvencionadas pelo estado.Conforme
Anfilóquio Câmara ( 1943, p.394-95) estas escolas eram:
As Escola
Reunidas Joaquim Nabuco, na cidade, e as isoladas que funcionam nos povoados de
Barreto, Gameleira e Poço Branco e nos lugares Belo Horizonte e Pitombeira. As
particulares subvencionadas estão
situadas nos povoados de Poço Branco
e nas fazendas Inhandú e Riacho fechado.E a particular não
subvencionada, na cidade.
Ainda que não fosse
o ideal, mas mesmo assim o município estava bem servido de escolas, tanto que
se registram quatro escolas particulares de ensino fundamental. Estas, porém
destinadas aos filhos dos mais abastados que podiam pagar pelo ensino de seus
filhos.
Segundo as
estatísticas, foram matriculados naquele ano 583 alunos, sendo 255 do sexo
masculino e 397 do sexo feminino. Chegaram a frequentar as aulas 397 alunos,
sendo 173 meninos e 224 meninas. O índice de aprovação foi de 99 homens e 135
mulheres, porém apenas 56 alunos chegaram a concluir o ensino fundamental,
sendo 17 homens e 37 mulheres.
Monumentos
históricos e artísticos
Anfilóquio Câmara
(1943, p.395) registrou que não havia em Taipu entre os anos de 1941-42 nenhum
monumento artístico ou histórico na cidade, bem como não havia cinemas ou casa
de diversões para a população.
Turismo
No que se refere ao
turismo Anfilóquio Câmara (1943, p. 395) diz que não se conheciam nenhuma
referência para a prática do turismo, porém havia em 1941 uma pensão na cidade.
Certamente a Serra Pelada, afloramento rochoso, situado na porção sul do
município, não era conhecida como ponto de interesse turístico pelos moradores
do município e pelos órgãos oficiais de estatísticas.
A
paróquia
Havia além da
matriz na sede do município 7 capelas, a saber : Barreto, Poço Branco,
Gameleira ,Contador, Boa Vista e Pitombeira.Tendo como padroeiros o Sagrado
Coração de Jesus,a s duas primeiras, Santa Teresinha e Nossa Senhora da
Soledade, Nossa Senhora da Conceição e São João Batista.Em 1941 foram
realizados 472 batizados,sendo que 364 haviam nascidas naquele ano, dentre os
batizados 201 foram de homens e 163 de mulheres.
Foram realizados
também 77 casamentos.Todo município professava a fé católica, não havendo nesse
período nenhuma outra denominação de igreja protestante ou de reuniões
espíritas. (Cf. Câmara, 1943, p.395)
Crimes
e contravenções
Foram registrados
no ano de 1941 a seguinte estatística em relação a violência no município de Taipu, sendo 1 homicídio, 3
lesões corporais e 1 tentativa de suicídio.Não foram registrados nenhuma
contravenção, tão pouco delitos contra a propriedade publica e privada. (Cf.
Câmara, 1943, p.395 o que totaliza: apenas 5 crimes cometidos naquele ano.
Divisão
administrativa
No tocante a
divisão administrativa em 1941 o município constituía-se de um único distrito
administrativo, o da sede e cinco povoados: Poço Branco, Contador, Gameleira,
Barreto e Serra Pelada (Cf. Câmara, 1943. P.396). Aqui aparece pela primeira
vez a Serra Pelada como sendo um povoado pertencente ao município de Taipu, o
que deixa entrever que aquela região fora pouco habitada no passado histórico
de Taipu.
Melhoramentos
e serviços públicos
Os estudos de
Anfilóquio Câmara (1943, p. 396) apontavam que muito pouco ou quase fora realizado
para melhorar a qualidade de vida dos habitantes e estruturar o município neste
particular. Não só a cidade, mas todo o município reclamava melhoramentos.
Entretanto, foram
realizados apenas reparos em estradas com verbas municipais e também foi realizada
a delimitação do território do município iniciado em 1939, abertura de picadas
onde não havia limites naturais. No mesmo ano foram confeccionados o mapa geral
e a carta do município. (Cf. Câmara, 1943, p. 396).
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