segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Contextualizando o município de Taipu em 1940


            À medida que o século XX avançava Taipu despontava como um dos mais promissores municípios em desenvolvimento no Rio Grande do Norte, mas alguns fatores fizeram com que o progresso fosse retardado e em 1944 a economia local já dava sinais de estagnação conforme se verifica nos dados apontados nos estudos estatísticos da época, apesar de haver no município condições propicias para a agricultura e a pecuária.           Anfilóquio Câmara faz uma análise dos municípios do estado, com base nos dados do Censo de 1940. No tocante a Taipu logo a seguir estão os dados que por ele foram fornecidos no ano de 1943 referentes aos anos anteriores compreendidos entre 1940 e 1942.
Extensão territorial e demografia
Segundo Anfilóquio Câmara, o município de Taipu tinha 858 km ² de extensão territorial onde habitavaam 12.359 habitantes dos quais apenas 912 na cidade, sendo que 754 na área urbana e 158 na área suburbana e  11.447 na área rural ( cf. Câmara, 1943, p.391).
Analisando ainda a situação demográfica, Anfilóquio Câmara (1943, p. 391) observou que:
No Recenseamento de 1920 o município apresento-se com 12.651 almas, havendo, assim, agora, uma diferença de 292 para menos, o que se justifica por ter perdido Taipú (sic), em 1928, em favor do município de Baixa Verde, então criado, uma boa porção do seu território, inclusive, o povoado que hoje é a cidade – sede daquele município.

Aqui somos informados dos motivos da diminuição populacional do município de Taipu que havia cedido ao município de Baixa Verde boa parte de seu território e a população que constituía o núcleo da sede daquele município.

Situação econômica
A situação econômica estava assentada na agricultura e segundo Anfilóquio Câmara a preocupação residia nas cheias do rio Ceará Mirim e preconizava a construção do importante Açude ‘Taipu’ (Barragem de Poço Branco) para conter as inundações na região.














Aspecto da atual rua Sebastião Dias da Silva em 1956 Foto: Enciclopédia do Municípios do IBGE, 1960.

A região oeste do município era na época bastante afetada pela estiagem o que inviabilizava a prática da agricultura.
Observava ainda que seria urgente a perfuração de poços tubulares para amenizar o sofrimento da população dos distritos de Belo Horizonte e Barreto densamente povoados. Apesar dessa situação o município produziu entre 1940 e 1942 um total de 2.000 de mandioca e 1.000.000 de algodão em caroço, seguidos de culturas menores tais como: batata doce, feijão, milho e fava e frutas como abacaxi e banana.
Segundo Anfllóquio Câmara os maiores produtores do município eram o Srs. João Gomes da Costa, Joaquim Vitorino de Andrade e Manuel Jacó de Morais, já os principais pecuaristas eram João Gomes da Costa, Rozendo Leite da Fonseca, Manuel Rodrigues Santiago e Felipe Soares da Câmara (Câmara, 1943, p.392).

Correios e telégrafos
No município existiam duas agenciam postais-telefônicas, estando uma localizada na cidade onde os serviços de correios datavam de 19 de fevereiro 1891 e os de telefone de 16 de outubro de 1918. (cf. Câmara, 1943, p.393).

A expedição dos malotes dos correios
Conforme Anfilóquio Câmara (1943, p.393) os serviços dos correios eram realizados da seguinte forma:
A expedição das malas desta capital para a agencia de Taipú (sic) se faz as segundas, quartas e sextas-feiras, pelo trem horário da Estada de Ferro Central, fechando as malas nas vésperas, as daquela procedência (partindo de Taipu para Natal) aqui chegam as terça, quintas e sábados. Para a agencia de Barreto não há serviço postal direto, sendo a correspondência destinada aquele povoado distribuída pela agencia de Jardim de Angicos[1].

Havia, portanto, uma regularidade nos serviços postais do município, inclusive nos distritos mais distantes como o de Barreto, que datava do ano de 1934.

Propriedade imobiliária
Havia em Taipu no ano de 1940, 2.930 prédios, dos quais 266 na cidade, sendo que 222 estavam edificados no perímetro urbano, 44 situavam-se no perímetro suburbano e 2.664 na zona rural (Cf. Câmara, 1943, p.393).
Estabelecimentos bancários
            Nas palavras de Anfilóquio Câmara (1943, p.393) em relação a presença de estabelecimentos bancários em Taipu:
 Não funciona no município nenhum estabelecimento dessa  categoria.As agencias, nesta capital, do Banco do Brasil, Banco do Povo, e Banco do Rio Grande do Norte, mantém correspondentes, na cidade, para o trato de seus negócios

Como nos afirma o autor quem precisava de serviços bancários em Taipu na década de 1940 deveria fazer por meio de correspondentes bancários das agencias da capital do estado.

Açudes particulares e públicos
Em 1920 a Inspetoria Federal de Obras contra as Seca havia projetado um açude publico denominado ‘Tupi’ com capacidade 2.728, 640 m³ de capacidade de armazenamento de água. Já em 1936 houve estudo para se construir o açude ‘Taipu’ com capacidade acumulativa de 158.000 m³ de água. Nenhum dos dois, porém, foi construído de fato. Havia açudes particulares, mas de pouca capacidade.
Tais açudes seriam de fundamental importância para amenizar o sofrimento causado pelas estiagens e pelas inundações causadas pelas cheias do rio Ceará Mirim.Não há informações da localização de tais açudes.
Indústria
Na época havia apenas a indústria que processava a produção de mandioca em numero de 79 na qual se utilizava de rudimentares técnicas de fabricação da farinha. Ainda registrava a existência irregular de uma caieira e de um curtume. Na indústria doméstica havia as de fabricação de telhas e tijolos, onde o autor destacava a qualidade excelente da matéria prima desta categoria, além de fabricas de artefatos de couro e palha. (Câmara, 1943, p.393).

Descrição da cidade de Taipu
A análise sobre a situação urbana de Anfilóquio Câmara (1943, p.394) sobre Taipu era a seguinte:
A cidade de Taipú além de pequena deixa muito a desejar. A construção é antiga; as ruas não têm qualquer arborização ou calçamento. Não  há serviço de limpeza pública regular, fazendo-se esta, periodicamente.Não tem matadouro, como lhe falta, igualmente iluminação elétrica, se bem que a prefeitura se movimenta no sentido de dotá-la com esses importantes melhoramentos.


Esta observação de Anfilóquio Camara foi realiada 5 anos após a elevação da condição de cidade da antiga vila de Taipu.
O município teimava em nãos se desenvolver decorridos 40 décadas do século XX, tal atraso no desenvolvimento da cidade se deu pelo surto de impaludismo que havia ocorrido em anos anteriores. Havia, porém, na cidade um amplo mercado público, que havia passado por uma reforma e em cooperação com o governo do estado foi ampliado o prédio da cadeia e quartel. Não tinha nesse ano de 1940 nenhum serviço de assistência ou de cooperativismo
Ensino público e particular
Existiam 6 escolas estaduais e 4 particulares, sendo 3 subvencionadas pelo estado.Conforme Anfilóquio Câmara ( 1943, p.394-95) estas escolas eram:
As Escola Reunidas Joaquim Nabuco, na cidade, e as isoladas que funcionam nos povoados de Barreto, Gameleira e Poço Branco e nos lugares Belo Horizonte e Pitombeira. As particulares subvencionadas estão  situadas nos povoados de Poço Branco  e nas fazendas Inhandú e Riacho fechado.E a particular não subvencionada, na cidade.

Ainda que não fosse o ideal, mas mesmo assim o município estava bem servido de escolas, tanto que se registram quatro escolas particulares de ensino fundamental. Estas, porém destinadas aos filhos dos mais abastados que podiam pagar pelo ensino de seus filhos.
Segundo as estatísticas, foram matriculados naquele ano 583 alunos, sendo 255 do sexo masculino e 397 do sexo feminino. Chegaram a frequentar as aulas 397 alunos, sendo 173 meninos e 224 meninas. O índice de aprovação foi de 99 homens e 135 mulheres, porém apenas 56 alunos chegaram a concluir o ensino fundamental, sendo 17 homens e 37 mulheres.

Monumentos históricos e artísticos
Anfilóquio Câmara (1943, p.395) registrou que não havia em Taipu entre os anos de 1941-42 nenhum monumento artístico ou histórico na cidade, bem como não havia cinemas ou casa de diversões para a população.


Turismo
No que se refere ao turismo Anfilóquio Câmara (1943, p. 395) diz que não se conheciam nenhuma referência para a prática do turismo, porém havia em 1941 uma pensão na cidade. Certamente a Serra Pelada, afloramento rochoso, situado na porção sul do município, não era conhecida como ponto de interesse turístico pelos moradores do município e pelos órgãos oficiais de estatísticas.
A paróquia
Havia além da matriz na sede do município 7 capelas, a saber : Barreto, Poço Branco, Gameleira ,Contador, Boa Vista e Pitombeira.Tendo como padroeiros o Sagrado Coração de Jesus,a s duas primeiras, Santa Teresinha e Nossa Senhora da Soledade, Nossa Senhora da Conceição e São João Batista.Em 1941 foram realizados 472 batizados,sendo que 364 haviam nascidas naquele ano, dentre os batizados 201 foram de homens e 163 de mulheres.
Foram realizados também 77 casamentos.Todo município professava a fé católica, não havendo nesse período nenhuma outra denominação de igreja protestante ou de reuniões espíritas. (Cf. Câmara, 1943, p.395)

Crimes e contravenções
Foram registrados no ano de 1941 a seguinte estatística em relação a violência  no município de Taipu, sendo 1 homicídio, 3 lesões corporais e 1 tentativa de suicídio.Não foram registrados nenhuma contravenção, tão pouco delitos contra a propriedade publica e privada. (Cf. Câmara, 1943, p.395 o que totaliza: apenas 5 crimes cometidos naquele ano.

Divisão administrativa
No tocante a divisão administrativa em 1941 o município constituía-se de um único distrito administrativo, o da sede e cinco povoados: Poço Branco, Contador, Gameleira, Barreto e Serra Pelada (Cf. Câmara, 1943. P.396). Aqui aparece pela primeira vez a Serra Pelada como sendo um povoado pertencente ao município de Taipu, o que deixa entrever que aquela região fora pouco habitada no passado histórico de Taipu.

 Melhoramentos e serviços públicos
Os estudos de Anfilóquio Câmara (1943, p. 396) apontavam que muito pouco ou quase fora realizado para melhorar a qualidade de vida dos habitantes e estruturar o município neste particular. Não só a cidade, mas todo o município reclamava melhoramentos.
Entretanto, foram realizados apenas reparos em estradas com verbas municipais e também foi realizada a delimitação do território do município iniciado em 1939, abertura de picadas onde não havia limites naturais. No mesmo ano foram confeccionados o mapa geral e a carta do município. (Cf. Câmara, 1943, p. 396).




[1] O grifo é nosso.

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