O Jornal o Século publicou
a nota sobre a inauguração da estação ferroviária de Taipu “com presença do
governador do estado, muitas famílias desta capital do Estado e do Ceará Mirim,
representantes do commercio, da lavoura e da imprensa, o dr, José Luiz
inaugurou hontem a estação de Taipu, ficando assim em trafego 56 kilometros da
Estrada de Ferro Central do Estado”. (16/11/1907 p. 1).
Ainda
sobre a inauguração da estação de Taipu
A estação ferroviária de Taipu foi inaugurada no dia 15
de novembro de 1907, no aniversário de 18º ano da Republica do Brasil. Uma comitiva
encabeçada pelo então governador do estado Pedro Velho, jornalistas e
autoridades do estado vieram à Taipu para a solenidade da inauguração. Eis a
baixo o texto transcrito do referido jornal, no qual o fizemos com a ortografia
que consta na publicação original.
À estação
aguardava a chegada do trem, não só o pessoal technico da Estrada, como uma
compacta multidão que prorrompeu em vivas e aclamações a commissão
constructora, era immensa a alegria, a satisfação que se notava em todo aquele povo.
As 12 1\2 foi servido um lanch a todos os convidados. Nessa occasião o ilustre
Dr. José Luiz, engenheiro chefe da commissão, proferindo brilhante discurso,
declarou inaugurada a estação do Taipú e agradeceu a presença do governador do
estado e a dos demais convidados àquella festa do trabalho.O Exmo.Dr.
Governador, em substancioso discurso mostrou-se satisfeito com o que vira e
enalteceu os esforços e a competência da commissão constructora da estrada,
cujos trabalhos honravam a engenharia brasileira[...]depois do lanch os
convidados percorreram a Villa.O governador esteve na intendência onde foi
recebido pelo presidente do governo municipal[...]As 2 1\2 da tarde dava o trem
signal de partida.À saída o povo prorrompeu em vivas a commissão, à Taipú etc.
( Diário do Natal, p. 1, 17.11.1907).
A estação de Taipu foi oficialmente inaugurada pelo Dr.
José Luiz, engenheiro chefe da comissão de construção da Estrada de Ferro
Central do Rio Grande do Norte. O discurso do governador Pedro Velho enalteceu
a construção do prolongamento da ferrovia e da estação na qual “honravam a
engenharia brasileira” nas palavras do referido governador.
Aliás, até onde eu sei, esta foi a primeira
vez que a cidade de Taipu recebeu uma visita oficial de um governador do Estado
e da qual se tem registro do ocorrido.
O Intendente (prefeito à época) era o Cel. Manuel
Eugênio, foi ele quem recebeu o governador na sede da intendência, na qual proferiu
um discurso a comitiva presente, que segundo, o Jornal Diário do Natal dentre
outras luminosas expressões do orador local, foi destacado uma que entusiasmou
o povo e a comissão: “Senhores os reverendos serviços da commissão de
engenheiros é uma cousa dita e feita, por cima de pao, por cima de pedras,do
diabo enfim! muito que bem, gritou Manoel Eugenio” ( Jornal o Diário de natal,
p.1, 19/11/1907).
A inauguração da estação de Taipu com certeza foi um acontecimento histórico para o município, sobretudo para a pequena vila de Taipu, que iria se beneficiar diretamente com a ferrovia, promovendo a ligação entre a cidade e a capital do estado, bem como o melhor escoamento da produção agrícola do municipio.
A palavra ‘lanch’
foi grafada no original do texto do jornal, pois ainda não havia sido se
aportuguesado na vernácula portuguesa. Na fala do intendente Cel Manuel Eugenio
de Andrade a palavra ‘pao’ se refere a ‘pau’, ou seja, a expressão correta (atualmente)
é: ‘por cima de pau e pedra’.
Feitas as ressalvas gramaticais, o fato, no entanto, é
que o registro desse acontecimento constitui-se como um marco histórico, pois
foi por meio da ferrovia que o município e a cidade de Taipu tomou impulso
socioeconômico, saltando de uma bucólica vila rural a um núcleo urbano.
Entrega
do material da ferrovia
Em 13/10/1907 foi publicada a concorrência pública para a
entrega do material a ser utilizado na construção da 3ª seção da EFCRN
compreendida entre a vila de Taipu e a ponte de Umari no município de Taipu:
A entrega do material será entregue na 3ª
residência da secção em construção da E. F.C do Rio Grande do Norte no lugar
que indicar o chefe da mesma secção.A 3ª residência o trecho que vai de Taipú
até a ponte de Mary, exclusivo [...] Natal, 13 de outubro de 1907.Da ordem do
engenheiro chefe João Cancio Rodrigues de Souza.Secretário”.
A entrega deste material fazia parte do plano de expansão
da estrada de ferro que deveria atingir o município de Caicó segundo o projeto
original da ferrovia que para tanto deveria superar um obstáculo natural que
era o caudaloso rio Ceará Mirim na localidade de Umari e pela qual deveria ser
construída uma ponte para transpor o rio.
O “Trem de água”
Outra finalidade
dos trens da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte era socorrer as
cidades que sofriam com a falta de água para suas respectivas populações alem
dos efeitos da seca. Conforme Sena; “durante a seca, todos
os trens que se destinavam ao sertão, conduzem tanques da preciosa linfa de
Extremoz.Nunca menos de cinco municípios se abastecem dos depósitos da Central:
Taipu, Baixa Verde, parte de Touros, Lages e Angicos” ( (1972, p. 248).
O transporte d’água
começou a ser realizado a partir do ano de 1910, pois a Estrada de Ferro atingiu
o sertão em 1909 vindo a suprir as necessidades de água das cidades por onde
passava a estrada de ferro, desse ano em diante afirma Sena (op cit, p. 248):
A vila de
Taipu, cuja água é grossa, Baixa Verde que não tem água e Lages, cuja as fontes
são exiguas, passaram a ter água para o
consumo da população.Levada a água para as estações do interior, é exposta a
venda ao preço módico de $100 a lata de querosene (22 litros).
Durante a seca que
durou 3 anos (1931-1933), a EFCRN conduziu diariamente, 160.000 litros de água
para o sertão, perfazendo só nesse período 172.800,000 de litros, o trem d’água
como era conhecido, rodava dia e noite para suprir a demanda por água nestas
cidade atingidas pela estiagem.
Nos anos 1980, os trens acabaram e nos 1990, os
cargueiros. Ficaram somente os trens de subúrbio operados primeiro pela RFFSA e
depois pela CBTU e que chegam somente a Ceará-Mirim, a 39 km de Natal.
O restante da linha está desativado. A REFFSA foi extinta em 1997 e
desde então não circula mais trens pelo ramal Natal-Macau.

Nenhum comentário:
Postar um comentário