sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Inauguração da estação de Taipu em 1907


             O Jornal o Século publicou a nota sobre a inauguração da estação ferroviária de Taipu “com presença do governador do estado, muitas famílias desta capital do Estado e do Ceará Mirim, representantes do commercio, da lavoura e da imprensa, o dr, José Luiz inaugurou hontem a estação de Taipu, ficando assim em trafego 56 kilometros da Estrada de Ferro Central do Estado”. (16/11/1907 p. 1).

Ainda sobre a inauguração da estação de Taipu
            A estação ferroviária de Taipu foi inaugurada no dia 15 de novembro de 1907, no aniversário de 18º ano da Republica do Brasil. Uma comitiva encabeçada pelo então governador do estado Pedro Velho, jornalistas e autoridades do estado vieram à Taipu para a solenidade da inauguração. Eis a baixo o texto transcrito do referido jornal, no qual o fizemos com a ortografia que consta na publicação original.
À estação aguardava a chegada do trem, não só o pessoal technico da Estrada, como uma compacta multidão que prorrompeu em vivas e aclamações a commissão constructora, era immensa a alegria, a satisfação que se notava em todo aquele povo. As 12 1\2 foi servido um lanch a todos os convidados. Nessa occasião o ilustre Dr. José Luiz, engenheiro chefe da commissão, proferindo brilhante discurso, declarou inaugurada a estação do Taipú e agradeceu a presença do governador do estado e a dos demais convidados àquella festa do trabalho.O Exmo.Dr. Governador, em substancioso discurso mostrou-se satisfeito com o que vira e enalteceu os esforços e a competência da commissão constructora da estrada, cujos trabalhos honravam a engenharia brasileira[...]depois do lanch os convidados percorreram a Villa.O governador esteve na intendência onde foi recebido pelo presidente do governo municipal[...]As 2 1\2 da tarde dava o trem signal de partida.À saída o povo prorrompeu em vivas a commissão, à Taipú etc. ( Diário do Natal, p. 1, 17.11.1907).

            A estação de Taipu foi oficialmente inaugurada pelo Dr. José Luiz, engenheiro chefe da comissão de construção da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte. O discurso do governador Pedro Velho enalteceu a construção do prolongamento da ferrovia e da estação na qual “honravam a engenharia brasileira” nas palavras do referido governador.
 Aliás, até onde eu sei, esta foi a primeira vez que a cidade de Taipu recebeu uma visita oficial de um governador do Estado e da qual se tem registro do ocorrido.
            O Intendente (prefeito à época) era o Cel. Manuel Eugênio, foi ele quem recebeu o governador na sede da intendência, na qual proferiu um discurso a comitiva presente, que segundo, o Jornal Diário do Natal dentre outras luminosas expressões do orador local, foi destacado uma que entusiasmou o povo e a comissão: “Senhores os reverendos serviços da commissão de engenheiros é uma cousa dita e feita, por cima de pao, por cima de pedras,do diabo enfim! muito que bem, gritou Manoel Eugenio” ( Jornal o Diário de natal, p.1, 19/11/1907).





                                                                         Estação ferroviária de Taipu em 1964 e em 2004. Foto: João Batista dos Santos.

             A inauguração da estação de Taipu com certeza foi um acontecimento histórico para o município, sobretudo para a pequena vila de Taipu, que iria se beneficiar diretamente com a ferrovia, promovendo a ligação entre a cidade e a capital do estado, bem como o melhor escoamento da produção agrícola do municipio.
          A palavra ‘lanch’ foi grafada no original do texto do jornal, pois ainda não havia sido se aportuguesado na vernácula portuguesa. Na fala do intendente Cel Manuel Eugenio de Andrade a palavra ‘pao’ se refere a ‘pau’, ou seja, a expressão correta (atualmente) é: ‘por cima de pau e pedra’.
            Feitas as ressalvas gramaticais, o fato, no entanto, é que o registro desse acontecimento constitui-se como um marco histórico, pois foi por meio da ferrovia que o município e a cidade de Taipu tomou impulso socioeconômico, saltando de uma bucólica vila rural a um núcleo urbano.

Entrega do material da ferrovia
                          
            Em 13/10/1907 foi publicada a concorrência pública para a entrega do material a ser utilizado na construção da 3ª seção da EFCRN compreendida entre a vila de Taipu e a ponte de Umari no município de Taipu:
 A entrega do material será entregue na 3ª residência da secção em construção da E. F.C do Rio Grande do Norte no lugar que indicar o chefe da mesma secção.A 3ª residência o trecho que vai de Taipú até a ponte de Mary, exclusivo [...] Natal, 13 de outubro de 1907.Da ordem do engenheiro chefe João Cancio Rodrigues de Souza.Secretário”.

            A entrega deste material fazia parte do plano de expansão da estrada de ferro que deveria atingir o município de Caicó segundo o projeto original da ferrovia que para tanto deveria superar um obstáculo natural que era o caudaloso rio Ceará Mirim na localidade de Umari e pela qual deveria ser construída uma ponte para transpor o rio.

 O “Trem de água”
Outra finalidade dos trens da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte era socorrer as cidades que sofriam com a falta de água para suas respectivas populações alem dos efeitos da seca. Conforme Sena; “durante a seca, todos os trens que se destinavam ao sertão, conduzem tanques da preciosa linfa de Extremoz.Nunca menos de cinco municípios se abastecem dos depósitos da Central: Taipu, Baixa Verde, parte de Touros, Lages e Angicos” ( (1972, p. 248).

O transporte d’água começou a ser realizado a partir do ano de 1910, pois a Estrada de Ferro atingiu o sertão em 1909 vindo a suprir as necessidades de água das cidades por onde passava a estrada de ferro, desse ano em diante afirma Sena (op cit, p. 248):
A vila de Taipu, cuja água é grossa, Baixa Verde que não tem água e Lages, cuja as fontes são exiguas, passaram a ter  água para o consumo da população.Levada a água para as estações do interior, é exposta a venda ao preço módico de $100 a lata de querosene (22 litros).

Durante a seca que durou 3 anos (1931-1933), a EFCRN conduziu diariamente, 160.000 litros de água para o sertão, perfazendo só nesse período 172.800,000 de litros, o trem d’água como era conhecido, rodava dia e noite para suprir a demanda por água nestas cidade atingidas pela estiagem.
Nos anos 1980, os trens acabaram e nos 1990, os cargueiros. Ficaram somente os trens de subúrbio operados primeiro pela RFFSA e depois pela CBTU e que chegam somente a Ceará-Mirim, a 39 km de Natal.

O restante da linha está desativado. A REFFSA foi extinta em 1997 e desde então não circula mais trens pelo ramal Natal-Macau.

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