sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Taipu no século XVIII

Primeiras noticias sobre Taipu
        As noticias sobre Taipu durante o século XVIII nos são fornecidas no Auto de Repartição das Terras do Rio Grande Norte, documento no qual constava a relação de terras da capitania, em 1614, registrava as incursões iniciais dos sertões potiguares em que Taipu aparecia como limite da povoação da capitania conforme Câmara Cascudo (2002, grifo nosso):
Eram cento e oitenta e cinco “datas de terras” entregues gratuitamente ao esforço povoador. Vertentes do Potengi, Jundiaí, Ceara Mirim estavam ocupados pelos plantios de mandioca, milho, feijão. Não muita gadaria. Raros cavalos. Não se atingia ao Taipu ainda em 1712, ultima povoação da capitania.
        Por este relato do eminente historiado potiguar podemos ter uma noção de como se procedeu a ocupação interior do estado do Rio Grande do Norte por meio da penetração do sertão através da via fluvial do rio Ceará Mirim em que Taipu, a ultima povoação da capitania, teve significativa importância, visto ser esta um lugar de descanso para aqueles que se aventuravam em busca de terras no sertão do estado.
O tenente coronel Manoel Rodrigues Coelho recebeu a data de nº 81 em 23/11/1709 num local chamado rio Taipu ( LSRN, p.437-39)[1], Cascudo (2002) corrobora essa informação.Manoel Rodrigues Coelho recebeu a data de nº 86 em 12/02/1710 (LSRN, p.455-57).
      Segundo Câmara Cascudo (2002, grifo nosso) a ocupação das terras em Taipu seria continua desde o séc. XVIII "em 1734 na data 421 na ribeira do Ceara Mirim, o capitão Agostinho Antunes recebia posse ‘pela parte norte no lugar Taipu pelo rio acima até o poço da Pirapora onde está uma grande aroeira", Câmara Cascudo afirma ser Taipu a ultima povoação da capitania por essa época, ou seja, devemos crer que já havia um numero considerado de habitantes para ser considerada povoação.
O casal Manuel Alves Barbalho e Luiza de Oliveira receberam a data Nº 217 em 18/05/1735.Em 18/06/1736 o coronel João de Lima Ferraz Vicente Rodrigues Viana recebeu a data Nº 230 na região do rio Ceará Mirim chamado “Pausa” [2].O capitão mor João Carneiro da Cunha recebeu a data Nº 254 em 27/01/1737 no rio Inhandú [3] também chamado Pirapora (LSRN, Nº 9, fl.184). Outra sesmaria foi doada no Inhandú, desta vez a sesmaria de Nº 675 foi dada a Fideles de Paiva Ferreira no Inhandú (Op. Cit. p. 145).
        No ataque que sofreu a capitania do Rio Grande pelos índios Tapuias estes foram perseguidos até Taipu pelo capitão Navarro em 1712, segundo informa Varga (1987, 2009):
É noite, plena meia-noite, nações de índios revoltados avançam contra o arraial do Rio Grande com muitas armas de fogo. Atacam o corpo da guarda a fim de se apossarem da pólvora que se encontrava nos armazéns de munições. Navarro contra-ataca. Após uma hora de luta, são perseguidos até Taipu, os tapuias retiram-se para os sertões.
        Aqui encontramos duas informações importantes sobre Taipu. A primeira diz respeito às evidencias de índios que foram perseguidos até as cercanias do Taipu de onde possivelmente se estabeleceram logo após tal perseguição onde em escavações feitas na região de Taipu foram encontrados artefatos próprios da cultura indígenas. A segunda está relacionada ao fato de que Taipu era considerada á época o limite da capitania do Rio Grande conforme afirma Câmara Cascudo (2002).
        As fontes por nós consultadas fazem um hiato entre os anos de 1742, data de doação da ultima sesmaria no século XVIII e o ano de 1817 como veremos adiante quando se terá nova menção ao nome de Taipu na crônica da historiografia potiguar.O alferes Roque da Costa Gomes recebeu uma data de terra, a de N º 310 em 1742 num lugar chamado rio Salgado na ribeira do Taipu (Op. Cit. p. 145).Encerra-se assim este período da história de Taipu.Vale ressaltar que foram estes recebedores de terras que iniciaram o processo de colonização no que hoje se configura como sendo o território de Taipu e Poço Branco.







[1] Na transcrição da data lê-se: Poço do Taipu Grande.  LSRN, Nº 5, fl.39.
[2] No município de Poço Branco há um distrito denominado Pouza N do A..
[3] Inhandú é atualmente distrito de Poço Branco.

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