Primeiras
noticias sobre Taipu
As noticias sobre Taipu durante o século XVIII nos são fornecidas no Auto de Repartição das Terras do Rio Grande Norte, documento no qual constava a
relação de terras da capitania, em 1614, registrava as incursões iniciais dos
sertões potiguares em que Taipu aparecia como limite da povoação da capitania
conforme Câmara Cascudo (2002, grifo nosso):
Eram cento e
oitenta e cinco “datas de terras” entregues gratuitamente ao esforço povoador.
Vertentes do Potengi, Jundiaí, Ceara Mirim estavam ocupados pelos plantios de
mandioca, milho, feijão. Não muita gadaria. Raros cavalos. Não se atingia ao Taipu ainda em 1712, ultima povoação da capitania.
Por este relato do eminente historiado potiguar podemos
ter uma noção de como se procedeu a ocupação interior do estado do Rio Grande
do Norte por meio da penetração do sertão através da via fluvial do rio Ceará Mirim
em que Taipu, a ultima povoação da capitania, teve significativa importância,
visto ser esta um lugar de descanso para aqueles que se aventuravam em busca de
terras no sertão do estado.
O tenente coronel
Manoel Rodrigues Coelho recebeu a data de nº 81 em 23/11/1709 num local chamado
rio Taipu ( LSRN, p.437-39)[1],
Cascudo (2002) corrobora essa informação.Manoel Rodrigues
Coelho recebeu a data de nº 86 em 12/02/1710 (LSRN, p.455-57).
Segundo Câmara Cascudo (2002, grifo nosso) a ocupação das
terras em Taipu seria continua desde o séc. XVIII "em 1734 na
data 421 na ribeira do Ceara Mirim, o capitão Agostinho Antunes recebia posse
‘pela parte norte no lugar Taipu pelo
rio acima até o poço da Pirapora onde está uma grande aroeira", Câmara Cascudo afirma ser Taipu a ultima povoação
da capitania por essa época, ou seja, devemos crer que já havia um numero
considerado de habitantes para ser considerada povoação.
O casal Manuel Alves
Barbalho e Luiza de Oliveira receberam a data Nº 217 em 18/05/1735.Em 18/06/1736 o
coronel João de Lima Ferraz Vicente Rodrigues Viana recebeu a data Nº 230 na
região do rio Ceará Mirim chamado “Pausa” [2].O capitão mor João Carneiro
da Cunha recebeu a data Nº 254 em 27/01/1737 no rio Inhandú [3]
também chamado Pirapora (LSRN, Nº 9, fl.184).
Outra sesmaria foi doada no Inhandú, desta vez a sesmaria de Nº 675 foi dada a
Fideles de Paiva Ferreira no Inhandú (Op. Cit. p. 145).
No ataque que sofreu a capitania do Rio Grande pelos
índios Tapuias estes foram perseguidos até Taipu pelo capitão Navarro em 1712, segundo
informa Varga (1987, 2009):
É noite, plena meia-noite, nações de
índios revoltados avançam contra o arraial do Rio Grande com muitas armas de
fogo. Atacam o corpo da guarda a fim de se apossarem da pólvora que se
encontrava nos armazéns de munições. Navarro contra-ataca. Após uma hora de
luta, são perseguidos até Taipu, os tapuias retiram-se para os sertões.
Aqui encontramos duas informações importantes sobre
Taipu. A primeira diz respeito às evidencias de índios que foram perseguidos
até as cercanias do Taipu de onde possivelmente se estabeleceram logo após tal
perseguição onde em escavações feitas na região de Taipu foram encontrados
artefatos próprios da cultura indígenas. A segunda está relacionada ao fato de
que Taipu era considerada á época o limite da capitania do Rio Grande conforme
afirma Câmara Cascudo (2002).
As fontes por nós consultadas fazem um hiato entre
os anos de 1742, data de doação da ultima sesmaria no século XVIII e o ano de
1817 como veremos adiante quando se terá nova menção ao nome de Taipu na
crônica da historiografia potiguar.O alferes Roque da
Costa Gomes recebeu uma data de terra, a de N º 310 em 1742 num lugar chamado
rio Salgado na ribeira do Taipu (Op. Cit. p. 145).Encerra-se assim este período da história de Taipu.Vale ressaltar que foram estes recebedores de terras que iniciaram o processo de colonização no que hoje se configura como sendo o território de Taipu e Poço Branco.
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