Caracterizando
o período
Pode-se afirmar que durante os séculos XVI e XVII
a região litorânea do nordeste brasileiro era a mais rica economicamente devida
a indústria açucareira que ia do litoral da Bahia a Pernambuco (Trindade, 2010,
p.34), no Rio Grande do norte os principais engenhos foram Cunhaú
(Canguaretama), Uruaçu (São Gonçalo do Amarante) e Ferreiro Torto (Macaíba).
Paralelamente a indústria canavieira no interior da
região procura-se se desenvolver a pecuária por meio da criação de gado bovino
para suprir a necessidade de alimentação, transporte e força de trabalho dos engenhos, além de outras utilidades tais
como a couraria para a fabricação de vestimentas e utensílios domésticos.Assim é que o gado foi sendo aos poucos levado para o
interior em busca de pastagens e para fugir da devastação dos canaviais no
litoral. O gado provinha do adentrou o sertão por meio do rio São Francisco.
O interior do Rio Grande do Norte foi sendo ocupado por
meio do sistema de sesmaria[1],
que eram a doação de terras a proprietários que pretendiam montar suas fazendas
para criar gado ou lavoura. Em 1614,
já haviam sido entregues gratuitamente 186 sesmarias com o objetivo de povoar a
capitania do Rio Grande, como registra o Auto de Repartição do Rio Grande. Para
receber a terra, diz Pinta: “O suplicante alegava sempre que tinha descoberto
tais e tais terras com risco de sua própria vida e fazenda [dinheiro], sendo as
mesmas devolutas, e que ali iria acomodar os seus gados”[2](
(2000, p.3, grifo nosso).Assim, aqueles primeiros aventureiros possuidores de
gado ou recursos financeiros podiam requerer a Coroa a doação de terras para
criar o seu gado.Foi dessa forma que surgiram as primeiras fazendas do interior
do estado.Do século XVII ao século XIX foram doadas 929 datas (lotes) de
sesmarias no Rio Grande do Norte.
Uma das principais rotas de incursão
para o sertão era subindo o rio Ceará Mirim, por ele é que se atingiram as
terras centrais do estado e onde se desenvolveram as primeiras fazendas de
gado. As terras férteis do rio Ceará Mirim era motivo de disputa para a fixação
de colonos ao longo de suas margens, como se vê no Auto de Repartição de Terras
do Rio Grande, livro em que se encontra o registro das sesmarias doadas durante
o século XVII. O povoamento da região de Taipu seguiu a este modelo de doação
de terras. Nos registros das sesmarias concedidas nesse período são conhecidas
ao menos 9 doações de terras que citam o nome de Taipu ou algum local que
corresponde aos atuais territórios dos municípios de Taipu e Poço Branco como
se verá adiante.
Situados no período histórico por meio desta
contextualização podemos agora fazer o registros das noticias do referido
recorte histórico em que se menciona o território de Taipu.
Taipu no século XVII
Taipu no século XVII
1640
Nome primitivo
As primeiras noticias relacionadas a Taipu datam do século XVII e se referem ao primitivo nome do local onde atualmente se situa o município de Taipu à época denominado Itaipi segundo informa Câmara Cascudo onde em 1640 consta a aldeia Itaipi na relação de aldeias feita pelo padre Manoel de Moraes ( Cascudo, 2002).
1666
Taipu já era referência geográfica na capitania do Rio Grande em 1666, pois, “João Fernandes Vieira pediu terras para o sertão, dez léguas partindo do Taipu pelo Rio Ceará Mirim acima e pelo litoral de Touros” (Romão, 2006, p. 19), terras que eram impenetráveis até então O acesso a estas paragens dava-se pelo rio Ceará Mirim, que constituiu assim uma importante rota de penetração do interior do estado onde a região de Taipu exerceu ponto de paradas para os viajantes que adentravam os sertões potiguares.
[1] As sesmarias
eram regiões de terras inabitadas as quais os reis de Portugal ou os
capitães-mores, governantes da capitania, concediam às pessoas de merecimento e
que tinham prestados serviços relevantes ao reino, para nelas tratarem da
agricultura ou criar gados. Também conhecida como data de terra, era medida por
léguas, cada légua correspondia a 3.000 braças ou 6.300 m². (uma légua = 6.600
metros ou 6,6 km) a sesmaria podia chegar até três léguas de extensão.
[2] Grifo nosso.
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