segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Matutos no trem

Matutos no trem
            A Revista da Semana em edição de 1954 á página 14, publicou uma poesia do poeta potiguar João Praxedes Barreto, o Zepraxedi[1] em que na composição havia uma menção a cidade de Taipu:
La vem o trem da Central,
Em dia de terça-feira:
De Angicos para Natal.


-A passagem... faz favô!?
- Eu quero duas palava
De mercê seu condutô:

Minha fia se casa hoje
La no Riacho do Imbu,
Três léguas pá Baixa Verde
E u’as quanto pá Taipu
.
Pravia desse casóro
Sê do gosto de nóis todo
É q’eu m’incontro praqui:
Eu sou nascido e criado
Na serra do Cabuji!


-Meu amigo, não me interessa...
Esta sua viagem:
Apenas tou le pidindo
Pra me mostrar a passagem!...

-Era mermo nesse ponto
Q’eu disejava chegá:
Eu sei que de meu dereito
Mas eu num pude comprá!


- Pôs era somente disso que eu desejava sabê:
Lá na próxima Estação
O sinhô vai ter que descê!

-Seu conduto,eu Le peço
Pelas luz dos seus óiu...
O amo de sua famia!
Quá é o pai qui num tem gosto
De assiti de rosto a rosto
O casamento da fia!?


- Está certo, o sinhô vai!...
Outra mais não le aconteça!
Cum históras desta marca
Nunca mais aqui me apareça!
(lá está outro matuto...
Cigarro detraz da orelha
Cabelo cobrindo na testa.)

            Tratava-se de uma poesia matuta em que era retratada a cena de um passageiro que subiu ao trem da Central e não pagou a passagem inventando para isso uma história imaginária para o condutor.




[1]  Nasceu  a 15/11/1916, na fazenda Espinheiro, município de Angicos- RN, radialista e jornalista profissional.Seu nome de rádio Zépraxedí, o poeta vaqueiro, teve dois livros publicados.

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