Matutos no trem
A Revista da Semana em edição de
1954 á página 14, publicou uma poesia do poeta potiguar João Praxedes Barreto,
o Zepraxedi[1]
em que na composição havia uma menção a cidade de Taipu:
La vem o trem da
Central,
Em dia de
terça-feira:
De Angicos para
Natal.
-A passagem...
faz favô!?
- Eu quero duas
palava
De mercê seu condutô:
Minha fia se
casa hoje
La no Riacho do
Imbu,
Três léguas pá
Baixa Verde
E u’as quanto pá
Taipu
.
Pravia desse
casóro
Sê do gosto de
nóis todo
É q’eu
m’incontro praqui:
Eu sou nascido e
criado
Na serra do
Cabuji!
-Meu amigo, não
me interessa...
Esta sua viagem:
Apenas tou le
pidindo
Pra me mostrar a
passagem!...
-Era mermo nesse
ponto
Q’eu disejava
chegá:
Eu sei que de
meu dereito
Mas eu num pude
comprá!
- Pôs era
somente disso que eu desejava sabê:
Lá na próxima
Estação
O sinhô vai ter
que descê!
-Seu conduto,eu
Le peço
Pelas luz dos
seus óiu...
O amo de sua
famia!
Quá é o pai qui
num tem gosto
De assiti de
rosto a rosto
O casamento da
fia!?
- Está certo, o
sinhô vai!...
Outra mais não
le aconteça!
Cum históras
desta marca
Nunca mais aqui
me apareça!
(lá está outro
matuto...
Cigarro detraz
da orelha
Cabelo cobrindo
na testa.)
Tratava-se de uma poesia matuta em
que era retratada a cena de um passageiro que subiu ao trem da Central e não
pagou a passagem inventando para isso uma história imaginária para o condutor.
[1] Nasceu a 15/11/1916, na fazenda Espinheiro, município
de Angicos- RN, radialista e jornalista profissional.Seu nome de rádio
Zépraxedí, o poeta vaqueiro, teve dois livros publicados.
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